O que ‘Game of Thrones’ nos diz sobre o autocuidado e os laboratórios
Game os Thrones: certamente uma das melhores séries já produzidas, em que reis de diversas terras, com ideias e ideais diferentes, lutam por um trono para ter o comando de tudo e todos. Nessa saga, quem tem mais poder, dinheiro, informação e estratégia acaba vencendo ou se impondo no poder. Como na realidade, influência, jogo político, sedução e caminhos certos e errôneos também modificam os resultados.
Nos castelos das indústrias farmacêuticas, os reinados também seguem um ritual de segredos e táticas. Os alquimistas nos seus laboratórios buscam moléculas das mais diversas que possam de alguma forma vencer a guerra contra as doenças. Cada reino guarda seus segredos a sete chaves em porões do saber vigiados por uma tropa de complicadas equações e métodos secretos.
Por anos, exércitos como das moléculas de analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos se mantêm inabaláveis como a grande muralha da famosa série. Dipirona, paracetamol, penicilina, diclofenaco protegem povos e se conservam eficientes contra a invasão da dor e doenças por mais de um século. Os vagantes brancos das doenças, no entanto, mudam suas formas e crescem cada vez mais, buscando o tempo todo falhas na muralha para invadirem os domínios humanos.
O fato é que a guarda da noite composta pelo nosso sistema imunológico já não é mais suficiente para proteger toda a muralha e envia corvos aos grandes castelos da indústria para que produzam e enviem novos soldados para evitar que nossas defesas entrem em colapso.
Como na série de TV, os reis nem sempre se preocupam com o povo. Avaliam-se, primeiramente, custos, lucros e perdas. E o aporte para formar novos soldados/moléculas sem a garantia de vencer todas as batalhas /doenças e ainda trazer espólios de guerra valiosos tem que compensar os investimentos.
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A despesa com essa guerra é muito alta, mas o lucro da vitória é absurdamente maior. Na batalha da impotência sexual, por exemplo, o exército do Viagra dominou velhos castelos que hoje estão firmes e imponentes. No reino nas enormes montanhas da obesidade, cercadas pelos rios da diabetes, os navios da frota do Ozempic e Mounjaro desembarcaram, dominaram e controlaram os exércitos inimigos em todos os cantos do planeta.
Mas, no poder central, composto basicamente de políticos, a fartura de recursos e a soberba da proteção ao castelo do governo os impede de entender ou enxergar a urgência do povo em relação a certas doenças, em sua maioria básicas, mas comuns no mercado das pulgas.
Ainda hoje, no reino do Brasil, exércitos fracos e despreparados da tuberculose, desinteria, pneumonia e complicações de doenças cardiovasculares matam milhares de pessoas que poderiam ser salvas com o envio de pequenos contingentes de profissionais de saúde munidos de armamentos básicos.
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Dragões de viroses e doenças sexualmente transmissíveis também atacam esse frágil e desprotegido exército chamado povo, que, apesar de estar sempre pedindo reforços, raramente é atendido.
Enquanto reis brigam pelo trono de ferro, a verdadeira ameaça chega silenciosamente. Muitas doenças avançam pela muralha que recebe pouca ou nenhuma manutenção/prevenção e a velocidade que estamos criando paredes/moléculas não tem sido suficiente para deter o avanço dos vagantes brancos que não param de nos atacar.
Ter a vitória em apenas um reino e torná-lo próspero não impedirá que se aumente o tamanho do exército dos mortos, pois continuaremos sem vidro de dragão/medicamentos para todos e a derrota poderá ser inevitável.
A prevenção e o cuidado com a muralha/corpo, portanto, continua sendo a melhor solução. Só temos que ser mais rápidos em trazer novos blocos de moléculas para a reforma das estruturas mais frágeis. Afinal, inimigos estão à espreita.









