SAÚDE E BEM ESTAR

Hormônio do crescimento: novo GH de aplicação semanal chega ao país para tratar crianças e adultos

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Desvende os mitos sobre o Hormônio do Crescimento (GH): ele vai além da altura e da infância, sendo crucial na vida adulta. Entenda como a deficiência de GH se manifesta em crianças e adultos, o desafio do subdiagnóstico e a importância do acompanhamento médico. Conheça as novas terapias semanais que facilitam o tratamento.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Por muito tempo, falar em hormônio do crescimento — também conhecido pela sigla do inglês GH — quase sempre levava a duas ideias equivocadas. A primeira: a de que ele serviria apenas para “ficar mais alto”. A segunda: a de que sua falta seria um problema exclusivo da infância. Nenhuma das duas está correta.
O GH é produzido pela hipófise, uma pequena glândula localizada na base do cérebro. Na infância e na adolescência, participa de forma decisiva do crescimento. Mas sua importância não termina quando a pessoa para de crescer. Na vida adulta, esse hormônio também ajuda a regular composição corporal, massa muscular, gordura abdominal, metabolismo, saúde óssea, disposição e qualidade de vida.

Por isso, a deficiência de GH não é apenas uma questão de centímetros. Em crianças, pode aparecer como baixa velocidade de crescimento, queda progressiva na curva de altura, atraso no desenvolvimento, hipoglicemia em bebês e, em alguns casos, sinais associados a alterações da hipófise.

Em adultos, o quadro costuma ser mais silencioso: cansaço persistente, aumento de gordura na região abdominal, piora do perfil de colesterol, redução de massa magra, queda de energia, alterações emocionais e pior percepção de bem-estar.
O grande desafio é que esses sinais são comuns a muitas outras condições. Uma criança que cresce pouco pode ser vista apenas como “baixinha da família”. Um adulto cansado e com ganho de peso pode ouvir que é estresse, envelhecimento ou sedentarismo. E, claro, muitas vezes é mesmo. Mas, em alguns casos, há uma deficiência hormonal por trás.
É aí que mora o subdiagnóstico. No Brasil e no mundo, a deficiência de GH é considerada rara, mas provavelmente menos reconhecida do que deveria. Em crianças, estima-se que a condição ocorra em cerca de 1 a cada 4 mil indivíduos, embora a identificação dependa de algo básico: medir corretamente a altura, registrar na curva de crescimento e perceber quando a criança muda de canal de crescimento ou cresce menos do que o esperado para a idade.  

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Parece simples, mas não é rotina em todos os atendimentos. Muitas crianças passam anos sem uma avaliação longitudinal adequada. E, quando chegam ao especialista, parte da janela de oportunidade já se perdeu. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores as chances de recuperar crescimento dentro do potencial genético e investigar causas associadas.
Nos adultos, a situação pode ser ainda mais difícil. A deficiência de GH na vida adulta costuma ocorrer em pessoas com histórico de tumores na região da hipófise, cirurgias, radioterapia, traumatismo craniano ou deficiência de outros hormônios hipofisários.
Também pode persistir em quem teve deficiência diagnosticada na infância. Mas não há um sintoma único capaz de “entregar” o diagnóstico. As diretrizes internacionais destacam justamente essa dificuldade: ao contrário da criança, em que a velocidade de crescimento é uma pista poderosa, no adulto não existe um marcador clínico tão claro.  
Isso ajuda a explicar por que muitos pacientes passam anos sem investigação. E o atraso cobra preço: piora da composição corporal, redução de massa óssea, maior risco cardiometabólico, fadiga, queda de desempenho físico e impacto emocional.

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Não se trata de buscar GH para fins estéticos ou performance. Trata-se de reconhecer uma deficiência real, diagnosticada com critérios rigorosos e tratada sob acompanhamento médico especializado.
Novo tratamento
Nesse cenário, a chegada de terapias de aplicação semanal representa uma mudança importante. A Novo Nordisk anunciou no Brasil o lançamento do Sogroya — nome comercial da somapacitana —, uma formulação de GH de longa ação aplicada uma vez por semana. Segundo a bula brasileira, o medicamento é indicado para crianças e adolescentes a partir de 2 anos com deficiência de hormônio do crescimento e também para adultos com essa deficiência.  
Na prática, a principal diferença em relação ao GH tradicional é a frequência. O tratamento clássico exige aplicações subcutâneas diárias, por anos em muitos casos. A versão semanal reduz o número de injeções, o que pode facilitar a adesão, especialmente em famílias que convivem com medo de agulha, cansaço da rotina e esquecimento de doses.
Mas é importante deixar claro: semanal não significa banal. O diagnóstico continua sendo complexo. Envolve avaliação clínica, curva de crescimento, exames hormonais, testes de estímulo em situações específicas, dosagem de IGF-1, avaliação de outros hormônios da hipófise e, muitas vezes, ressonância magnética. Quem define indicação, dose e acompanhamento é o endocrinologista ou endocrinologista pediátrico.

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Também existe no Brasil outro GH semanal aprovado: o Genryzon — somatrogona —, da Pfizer. A diferença principal está na indicação em bula. O Genryzon é indicado para crianças e adolescentes a partir de 3 anos com distúrbios de crescimento por secreção insuficiente de GH. Já o Sogroya contempla crianças e adolescentes a partir de 2 anos e adultos com deficiência de GH.  
O que há no SUS
Atualmente, o Sistema Único de Saúde oferece somatropina, que é o hormônio do crescimento recombinante de aplicação diária, dentro dos critérios do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Deficiência do Hormônio de Crescimento — Hipopituitarismo. O protocolo define quem pode receber, quais exames são necessários, como monitorar resposta e quando suspender o tratamento.  
As formulações semanais, no entanto, ainda não estão disponíveis no SUS para essa indicação. Ou seja: a novidade amplia o arsenal terapêutico no país, mas ainda não resolve a questão do acesso para a maior parte da população brasileira.
Por isso, o lançamento deve ser visto também como oportunidade de educação em saúde. O ponto central não é apenas ter uma caneta moderna, com menos aplicações. É lembrar que há crianças crescendo menos do que deveriam sem serem investigadas e adultos que convivem com sintomas inespecíficos sem avaliação hormonal completa. Em resumo: há pacientes que poderiam se beneficiar de tratamento, mas nem chegaram ao diagnóstico.

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Quando levantar suspeita
O GH semanal é uma boa notícia. Mas a melhor notícia será quando conseguirmos transformar subdiagnóstico em cuidado, atraso em investigação e baixa adesão em tratamento possível. Porque, nessa história, a picada pode até ser semanal. Mas o olhar atento precisa ser diário.
Para as famílias com crianças, o recado é: crescimento precisa ser medido, anotado e comparado ao longo do tempo. Não basta olhar “no olho” ou comparar com irmãos e colegas. Toda criança deve ter sua curva de crescimento acompanhada. Sinais como desaceleração da altura, roupas que demoram muito a deixar de servir, baixa estatura progressiva ou atraso puberal merecem conversa com o pediatra e, se necessário, encaminhamento ao endocrinologista pediátrico.
Para adultos, o alerta vale especialmente para quem já teve tumor de hipófise, cirurgia cerebral, radioterapia na região da cabeça, traumatismo craniano importante ou deficiência de outros hormônios. Nesses casos, sintomas como cansaço intenso, perda de massa muscular, ganho de gordura abdominal, piora metabólica e queda de qualidade de vida não devem ser automaticamente atribuídos à idade. É preciso apurar uma eventual deficiência do hormônio do crescimento.
 

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