Paiol de Malhazine deixou Maputo e Matola em pânico
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A explosão do Paiol de Malhazine, na cidade de Maputo, a 22 de Março de 2007, deixou marcas difíceis de reparação, devido à forma trágica como sucedeu ao longo de sensivelmente cinco horas, em que uma quantidade não estimada de engenhos bélicos voou em direcção a residências, alvejando pessoas que se encontravam na rota dos projécteis.
Foi o pânico jamais visto em diversos bairros de expansão da capital, nada comparado às explosões ocorridas em Outubro de 2005, forçando muitas pessoas a abandonar as casas e viaturas na via pública, procurando se refugiar o mais longe possível do alcance dos projécteis. Nos bairros de Magoanine “C, Zimpeto e Khongolote viveram- -se cenários horrendos e profundamente marcantes.
MARCAS DA TRAGÉDIA EVITÁVEL
No factídico dia, as explosões deixaram muitas marcas em diversas famílias, espalhando luto, lesões irreparáveis e danos inestimáveis em bens e infra-estruturas. Se podia ter sido evitado, podia, conforme resulta do relatório da comissão de inquérito constituída pelo Governo para avaliar as causas da tragédia.
Concluiu a comissão que uma combinação de factores esteve na origem do incidente. A começar pelo período de vida útil dos artefactos que existiam no paiol, as condições de manuseamento, armazenamento e conservação, elementos climatéricos e erro humano fizeram parte das constatações apuradas. Aliado a tudo atrás mencionado, junta-se a ausência regular de inspecções técnicas e visuais, bem como a inobservância de experiência apropriada da guarda e manutenção.
Aliado a tudo atrás mencionado, junta-se a ausência regular de inspecções técnicas e visuais, bem como a inobservância de experiência apropriada da guarda e manutenção. Contudo, excluiu-se as tentativas de extracção de mercúrio ou sabotagem. No final, os números não escondiam a dimensão da tragédia. Foram contabilizados 103 mortos, 500 pessoas atendidas devido a ferimentos e traumas, 42 internados, 24 cirurgias graves, cerca de 50 médicos destacados, 80 enfermeiros, 730 pessoas doaram sangue e 15 ambulâncias fizeram parte da operação montada.
Um total de duas centenas de crianças ficou perdida dos respectivos progenitores, tendo sido alojada em esquadras policiais. 5702 casas ficaram afectadas, 243 na totalidade e 5459 de forma parcial.
Mais de 80 pessoas precisaram de assistência psico-social, apoio em géneros alimentícios e tratamento hospitalar. Para casos de efeitos traumáticos, foi solicitado o apoio de especialistas em psicologia e fisioterapêutas e de confissões religiosas. Foi feita a recolha de três mil artefactos de engenhos explosivos em diferentes bairros, com destaque para Magoanine “C”, Zimpeto, Khongolote, 1.° de Maio, Liberdade, Malhazine, Mahotas, Laulane, Triunfo, Bagamoyo, 25 de Junho e Hulene. Leia mais…









