SAÚDE E BEM ESTAR

Retatrutida: estudo em fase final aponta que metade dos usuários perde ao menos 30% do peso

A corrida pelos remédios contra a obesidade acaba de ganhar uma nova e impactante etapa. A farmacêutica Eli Lilly divulgou resultados de um estudo de fase 3 (a última antes da aprovação regulatória) da retatrutida, medicamento experimental que alcançou perda média de 28,3% do peso corporal em participantes com obesidade após 80 semanas de tratamento.
Os dados chamaram a atenção porque se aproximam de resultados vistos em cirurgia bariátrica — algo até pouco tempo impensável para um tratamento medicamentoso.

A retatrutida pertence a uma nova geração de drogas apelidadas de “triplo agonista”. Isso significa que a caneta de aplicação seman atua simultaneamente em três receptores hormonais ligados ao metabolismo e ao controle da fome: GLP-1, GIP e glucagon.
Hoje, medicamentos como a tirzepatida do Mounjaro, também da Lilly, trabalham em dois desses mecanismos. A aposta é que a ação tripla aumente ainda mais o impacto sobre o peso corporal e o metabolismo.

No estudo TRIUMPH-1, quase metade dos participantes que receberam a dose mais alta perdeu ao menos 30% do peso inicial. Mais especificamente, 45,3% dos pacientes tratados com 12 mg atingiram essa marca.

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Os números ficaram ainda mais impressionantes em outras faixas de emagrecimento: 93,6% perderam pelo menos 15% do peso corporal e 75,5% ultrapassaram a barreira dos 20%.
O ensaio clínico incluiu mais de 2 300 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a alguma comorbidade, mas sem diabetes. Além da dose de 12 mg, o estudo avaliou esquemas de 4 mg e 9 mg, com perdas médias de 19% e 25,9%, respectivamente. No grupo placebo – canetas sem a substância em si -, a redução foi de apenas 2,2%.
Os efeitos colaterais seguiram o padrão já conhecido dessa classe de medicamentos: náusea, diarreia, vômitos e constipação foram os eventos mais frequentes. Parte dos participantes interrompeu o tratamento por causa das reações adversas.

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Apesar da empolgação, há um ponto importante: a retatrutida ainda não foi aprovada em nenhum lugar do mundo. O medicamento permanece em investigação clínica e não pode ser comercializado. Ou seja: não está disponível legalmente em farmácias, clínicas ou consultórios.
A expectativa agora gira em torno da apresentação completa dos resultados durante o congresso da American Diabetes Association, o ADA 2026, um dos principais eventos científicos da área de diabetes e obesidade. É lá que os pesquisadores devem divulgar os dados detalhados do estudo, permitindo uma análise mais profunda sobre eficácia e segurança da nova molécula.
O anúncio reforça como o tratamento da obesidade vive uma transformação acelerada. Em poucos anos, medicamentos deixaram de oferecer perdas modestas de peso para alcançar resultados antes restritos a procedimentos cirúrgicos. Ainda assim, especialistas lembram que segurança de longo prazo, acesso e acompanhamento médico.

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