SAÚDE E BEM ESTAR

Doença celíaca: maioria dos brasileiros que precisam cortar o glúten não sabe do seu diagnóstico

Ler Resumo

A doença celíaca, reação ao glúten, atinge mais de 2 milhões de brasileiros, mas 8 em cada 10 não têm diagnóstico. Seus sintomas são variados, indo além do digestivo, e afetam desde o crescimento infantil até a fertilidade. O diagnóstico precoce e a dieta sem glúten são cruciais para a qualidade de vida.

Este resumo foi útil?

👍👎

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Causada por uma reação do sistema imune ao contato do organismo com o glúten, proteína presente em massas, pães e cereais como trigo e cevada, a doença celíaca provoca comprometimentos intestinais com repercussões que não se restringem ao aparelho digestivo e podem abalar a qualidade de vida. 
O quadro afeta mais de 2 milhões de brasileiros, mas, segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil, baseada em estimativas globais, oito em cada dez pessoas com a condição não sabem do seu diagnóstico.

A manifestação de sintomas pouco específicos, a desinformação e a falta de acesso a especialistas ajudam a explicar esse cenário, que contribui para prejuízos à saúde de crianças e pessoas em idade adulta.

“A doença celíaca ainda é muito associada apenas aos sintomas gastrointestinais clássicos, como diarreia e dor abdominal, mas muitos pacientes apresentam manifestações diferentes, como anemia persistente, fadiga, alterações de humor, infertilidade ou dificuldade de crescimento na infância”, diz a gastroenterologista Danielle Kiatkoski, diretora científica do Instituto Brasileiro de Doença Celíaca (Ibredoc).
“Como esses sinais costumam ser investigados de forma isolada, a doença nem sempre é considerada como hipótese diagnóstica, o que favorece o subdiagnóstico e o atraso no tratamento adequado”, prossegue a médica.

Continua após a publicidade

A doença celíaca e seus sintomas mais ou menos conhecidos
A doença celíaca é considerada um distúrbio autoimune: devido a uma propensão genética, a imunidade reage à presença do glúten no sistema gastrointestinal, provocando os sintomas mais famosos, como diarreia e dor de barriga. “Mas ela também pode se manifestar de formas silenciosas”, afirma Kiatkoski.
A questão é que, sem o diagnóstico, o paciente pode ficar anos sofrendo com a ingestão de glúten e, em alguns casos, tendo complicações como a deficiência de nutrientes, uma vez que o intestino, inflamado, não consegue absorver tão bem o que vem da dieta.
Daí a importância de ficar atento aos sinais menos evidentes. “Na infância, um dos mais importantes é o déficit de crescimento. A inflamação crônica do intestino e a atrofia das vilosidades prejudicam a absorção de nutrientes fundamentais para o desenvolvimento adequado”, explica a gastroenterologista.

Continua após a publicidade

“Além disso, a inflamação interfere diretamente em mecanismos hormonais ligados ao crescimento e ao amadurecimento, o que pode resultar em baixa estatura, atraso da puberdade, dificuldade de ganho de peso, às vezes na ausência de sintomas digestivos clássicos.”
A médica conta que, na vida adulta, a inflamação sistêmica e as deficiências nutricionais também têm consequências, particularmente entre as mulheres. “A doença pode comprometer a ovulação e a fertilidade. É associada tanto a irregularidade menstrual e menopausa precoce como a abortamento recorrente, no caso das gestantes.”
A boa notícia é que esses desfechos podem ser evitados – tanto entre crianças como entre adultos. “Podemos melhorar significativamente a saúde do paciente com diagnóstico precoce e o início de uma dieta sem glúten rigorosa”, diz a especialista. “Isso é capaz de promover a recuperação intestinal e restabelecer o equilíbrio nutricional e metabólico.”

Continua após a publicidade

Os exames que detectam a doença celíaca
O diagnóstico da doença autoimune começa com a identificação dos sinais suspeitos, que devem ser compartilhados numa consulta médica. O profissional de saúde vai avaliar o histórico de vida do paciente e realizar uma avaliação clínica.
Mas exames laboratoriais são fundamentais nesse processo de descoberta e confirmação do problema. “Hoje existem testes feitos a partir de coleta de sangue que detectam anticorpos relacionados à doença celíaca, como o anti-transglutaminase IgA, considerado um dos principais marcadores utilizados na triagem”, explica a farmacêutica Aline Oliveira, líder de autoimunidade da Thermo Fisher Scientific, grupo que desenvolve e fornece kits e insumos para os exames.
“Esses recursos ajudam a direcionar a investigação de forma mais precoce e assertiva, especialmente em pacientes com sintomas atípicos ou pouco específicos”, contextualiza. “E, quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores as chances de evitar complicações associadas à inflamação persistente e melhorar a qualidade de vida.”

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.