VSR: a faixa etária em que dispararam as internações pelo vírus respiratório
Causador de bronquiolite e pneumonia, o vírus sincicial respiratório (VSR) é apontado como o responsável pelo aumento de internações de crianças com menos de dois anos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), de acordo com edição divulgada nesta quinta-feira, 16, do Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A alta de hospitalizações no período de 5 a 11 de abril foi registrada nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.
O VSR é um vírus que põe em risco bebês e crianças com menos de 2 anos por estar relacionado a 80% dos casos de bronquiolite e 60% dos episódios de pneumonia. A infecção pode levar a hospitalizações e à morte, principalmente entre prematuros — nesta população, a taxa de mortalidade chega a ser sete vezes maior —.
“O VSR é um dos principais responsáveis por internações por Srag em crianças pequenas, e uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes a partir da 28ª semana tomem a vacina contra o vírus para que seus bebês fiquem protegidos nos primeiros meses de vida”, explicou, à Agência Fiocruz de Notícias, a pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella.
Segundo o boletim, todos os estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste afetados pelo VSR estão com alta de casos. Na região Norte, o crescimento ocorre no Acre, Pará, Tocantins e Roraima. Já no Nordeste, o incremento está concentrado no Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.
Vacinas e remédios contra o VSR
O Brasil tem aprovado e incorporado opções para proteger os bebês e evitar casos graves por infecções pelo vírus. A vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B foi aprovada para uso no Brasil em abril de 2024 e é indicada para mulheres na 28ª semana de gravidez.
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A dose é única e tem como objetivo dar proteção já nos primeiros meses de vida. Em fevereiro do ano passado, foi incorporada ao SUS, e passou a ser aplicada em dezembro. Em ensaios clínicos, apresentou 81,8% de eficácia até o terceiro mês de vida do bebê e 69,4% até o sexto mês.
Desde fevereiro, o SUS oferece o imunizante nirsevimabe, indicado para todos os bebês prematuros nascidos a partir de agosto de 2025, com menos de 37 semanas de gestação e até seis meses de idade, independentemente do peso ao nascer ou da vacinação materna.
A estratégia contempla ainda crianças de até dois anos que apresentam maior risco de complicações, como aquelas com broncodisplasia pulmonar, cardiopatias congênitas, malformações das vias aéreas, doenças neuromusculares, fibrose cística, imunodeficiências graves ou síndrome de Down.
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Na rede privada, o nirsevimabe tem cobertura dos planos de saúde e é recomendado para todos os bebês, prematuros ou nascidos no tempo esperado da gestação.
Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da faixa etária da vacina Arexvy para a população com mais de 18 anos. Até então, ela era indicada para idosos e pessoas com mais de 50 anos com comorbidades, como doenças cardiovasculares, diabetes, asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
A vacina, da farmacêutica GSK, recebeu aprovação para uso no Brasil em 2023 e, no momento, é aplicada apenas na rede particular. A dose custa cerca de R$ 1.600, de acordo com uma busca feita pela reportagem em sites de clínicas de vacinação.










