Suplementos podem atrapalhar tratamento do câncer? Entenda os riscos
Quem nunca pensou em tomar alguma vitamina para melhorar a imunidade ou a disposição? Ou até para compensar aquela alimentação que não anda tão equilibrada? A verdade é que vitaminas e suplementos podem ser benéficos, sim. Mas, cuidado, nem sempre.
De fato, existem situações em que suplementos são bem-vindos e trazem benefícios comprovados. Por exemplo, você pode precisar de reposição de ferro se os níveis estiverem baixos ou de vitamina D para proteger os ossos e melhorar o sistema imune. Mas e quanto aos pacientes com câncer? Eles podem tomar suplementos? Nem sempre.
Na oncologia, o cuidado deve ser redobrado, pois essas substâncias podem se tornar inimigas do tratamento. Entenda: certos compostos alteram a forma como o corpo metaboliza os medicamentos, podendo prejudicar a ação dos remédios contra o tumor.
Os agentes mais preocupantes são os chamados antioxidantes, como as vitaminas A, C, E e a coenzima Q. De forma simples, eles protegem o corpo contra radicais livres, ajudando a reduzir danos nas células. No entanto, esse efeito pode atrapalhar a ação da quimioterapia e da radioterapia no combate ao tumor.
E os estudos comprovam isso. Em um deles, observou-se um maior risco de o câncer voltar entre aqueles que usaram antioxidantes antes ou durante o tratamento com quimioterapia. E mais: esse prejuízo também foi observado com o uso de suplementos de ferro e de vitamina B12.
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Um segundo estudo mostrou, ainda, um aumento do risco de morte pelo câncer em pessoas que tomaram antioxidantes durante a quimioterapia ou radioterapia. E o risco não para por aí.
Embora muitas pessoas pensem que produtos “naturais” são totalmente seguros, isso não é uma garantia. Na verdade, esses produtos também podem induzir toxicidade, às vezes grave, como é o caso de suplementos de cúrcuma e chá verde. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre o risco (raro, mas potencialmente grave) de toxicidade no fígado relacionado ao consumo de suplementos de cúrcuma.
O problema é que esses suplementos trazem concentrações muito superiores às da alimentação, além de substâncias que aumentam sua absorção. Mas fique tranquilo. A cúrcuma usada como tempero na comida não apresenta esse mesmo risco.
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E você pode se perguntar: então é só consumir em pequenas quantidades para não ter problema? Não necessariamente. O fígado pode sofrer mesmo com doses pequenas, em uma reação chamada de idiossincrática, ou seja, uma sensibilidade individual ligada à genética e ao metabolismo de cada pessoa.
Embora não seja frequente, o alerta é importante, especialmente com o uso cada vez mais corriqueiro desses produtos. Em suma, suplementos e vitaminas não devem ser usados de forma indiscriminada. Em pacientes com câncer, o consumo de antioxidantes, ferro ou vitamina B12 pode inclusive reduzir a eficácia de alguns tratamentos, como quimioterapia e radioterapia.
Por isso, antes de tomar qualquer substância (mesmo a mais “natural”), converse com o seu oncologista. Garantir que nada interfira no sucesso do seu tratamento é o melhor suplemento que existe.
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*Antonio Carlos Buzaid é diretor Médico Geral do Centro de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis, da Rede Américas e cofundador do Instituto Vencer o Câncer
*Jéssica Ribeiro Gomes é médica oncologista clínica da Rede Meridional (ES)










