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Epidemia de micropênis: entidades se posicionam sobre alerta que viralizou nas redes sociais

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Vídeos sobre uma ‘epidemia de micropênis’ em crianças e tratamento com testosterona viralizam, mas quatro sociedades médicas alertam: é fake news perigosa. Medir em casa e usar hormônios sem indicação é danoso e sem base científica. Casos reais são raros e exigem avaliação especializada, sem pânico desnecessário.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Uma epidemia de micropênis em crianças. Eis o tema de vídeos gravados por médicos que viralizaram nas redes sociais. Eles alertam para esse problema da modernidade, instruem os pais a medir o pênis dos pequenos em casa e falam em uma “janela de oportunidade” para reverter a condição com o uso de testosterona. Preocupante? Só tem um senão. Um enorme senão: a história não tem qualquer embasamento.
Alarmadas com as fake news correndo pela internet, quatro entidades médicas se uniram para divulgar um posicionamento a fim de refutar e esclarecer o suposto fenômeno. Em nota conjunta publicada nesta quarta-feira, dia 25, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE) alertam para o que vem sendo difundido erroneamente por não especialistas e acusam riscos à saúde infantil de intervenções sem indicação e sustentação científica.

Os vídeos que ganharam as redes sociais afirmam que há uma “epidemia” de micropênis, situação em que o órgão não se desenvolve adequadamente. Para que os responsáveis possam checar se há um caso na família, eles ensinam a fazer uma medição caseira do pênis das crianças e assustam os pais informando que, se nada for feito, o micropênis persistirá na vida adulta. A solução para reverter o quadro seria administrar doses de testosterona nos pequenos – algo que pode ser inclusive nocivo para o desenvolvimento e a saúde infantil.

“Não existe epidemia de micropênis”, declara, com ênfase, o urologista Roni Fernandes, presidente da SBU. “O que circula nas redes sociais não tem qualquer respaldo em evidências científicas e pode levar as famílias a decisões perigosas.” Segundo o especialista, o diagnóstico incorreto e o uso indevido de terapias hormonais podem trazer consequências graves e irreversíveis.
Na nota das entidades, pondera-se que os quadros de micropênis são raros e exigem avaliações criteriosas, por vezes envolvendo médicos de diferentes especialidades e uma série de exames. A própria medição caseira do pênis apregoada nas redes não se sustenta.

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“A medição do pênis não é um procedimento simples. Exige técnica adequada, ambiente clínico e profissionais treinados. Quando feita de forma incorreta, resulta em erros frequentes e interpretações equivocadas”, diz a urologista Veridiana Andrioli, que coordena o Departamento de Urologia Pediátrica da SBU.
Medições caseiras tendem a subestimar as dimensões do pênis em até 3 centímetros, gerando preocupação desnecessária e, pior, levando a tratamentos indevidos propagados por médicos sem formação e especialização na área.
O tamanho peniano tende a se estabilizar dos 4 anos até a puberdade. Em algumas circunstâncias, devido às características do órgão ou do corpo da criança, como no excesso de peso, cria-se uma falsa sensação de que o pênis é pequeno demais.

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“Não se recomenda realizar medições em casa ou tomar qualquer decisão com base em informações de redes sociais”, crava o pediatra Edson Liberal, presidente da SBP.
Um dos principais alertas das sociedades respaldadas pela Associação Médica Brasileira (AMB) reside na indicação indiscriminada e sem base científica de tratamentos hormonais para crianças com o suposto micropênis.
“O uso indevido de um hormônio, como a testosterona, em crianças sem diagnóstico rigoroso pode acarretar efeitos adversos irreversíveis, como aceleração da maturação óssea, comprometimento da estatura final, antecipação da puberdade e interferência no equilíbrio hormonal do organismo”, explica o endocrinologista Luiz Cláudio Gonçalves de Castro, coordenador do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da SBEM.

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“É importante deixar claro que, isoladamente, o tamanho do pênis não é critério para concluir se ele é normal ou não. Diante de qualquer dúvida, uma avaliação médica especializada é fundamental”, corrobora o cirurgião pediátrico Fábio Antonio Perecim Volpe, o presidente da CIPE.
As entidades também apontam que o conceito de “janela de oportunidade” para o tratamento com testosterona, como defendido por profissionais antiéticos nas mídias sociais, é uma ideia “distorcida”, que pode conduzir famílias a decisões equivocadas e potencialmente danosas.
Devido à gravidade do fenômeno, as quatro sociedades irão acionar o Ministério da Saúde e o Ministério Público Federal para investigar irregularidades na prática médica e impedir práticas que coloquem crianças saudáveis em risco.

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