SAÚDE E BEM ESTAR

Sarampo: São Paulo registra primeiro caso importado de 2026 em bebê de 6 meses

O estado de São Paulo registrou o primeiro caso importado de sarampo de 2026 nesta quarta-feira, 11, após a confirmação por testes laboratoriais de infecção pelo vírus em uma menina com 6 meses de vida. A criança viajou para a Bolívia em janeiro deste ano e o caso foi notificado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo no mês passado. Diante do episódio, o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo emitiu um alerta sobre a doença.
A paciente não tinha histórico de vacinação contra o sarampo, mas a campanha de imunização se inicia aos 12 meses. Antes disso, é possível receber a “dose zero”, indicada apenas em situações de risco elevado de infecção (veja o calendário vacinal abaixo).

Assim como todos os casos de sarampo, o novo caso foi notificado deu início a um processo de investigação para evitar o alastramento do vírus, que tem alto potencial de causar surtos, principalmente quando encontra populações não vacinadas, caso das crianças com menos de um ano — mais vulneráveis às complicações da infecção –.
“Sempre que tem um caso importado, muitas ações são desencadeadas, como bloqueio dos contactantes, avaliação da situação vacinal, busca ativa na vizinhança para reconhecer pessoas não vacinadas e oferecer vacina, além da testagem e isolamento dos casos confirmados”, explica o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

No ano passado, dois casos também importados foram registrados na capital paulista. Um deles foi de um homem de 27 anos que não estava vacinado e tinha histórico de viagem ao exterior.
“A pasta ressalta que monitora continuamente o cenário epidemiológico do sarampo e reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção”, informou, em nota, a secretaria estadual.

Continua após a publicidade

Casos nas Américas
Embora seja uma doença prevenível por vacina, o sarampo continua em circulação. No fim do ano passado, a região das Américas perdeu o certificado de eliminação da doença, segundo informe da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O último boletim da entidade, divulgado em fevereiro, indica que foram confirmados 1.031 casos de sarampo em sete países da região: México (740), Estados Unidos (171), Canadá (67), Guatemala (41), Bolívia (10), Chile (1) e Uruguai (1). “Esse total representa um aumento de 43 vezes em comparação aos 23 casos notificados no mesmo período de 2025”, informou a Opas.
Ainda de acordo com a entidade, 78% dos casos confirmados ocorreram em pessoas que não estavam vacinadas e, em 11%, a situação vacinal era desconhecida.
Riscos do sarampo
Doença altamente contagiosa, o sarampo é causado por vírus e tem como principal manifestação o aparecimento de manchas vermelhas no corpo. Outros sintomas são febre alta, tosse seca, irritação nos olhos, mal-estar intenso e nariz entupido ou escorrendo. Pneumonia, encefalite (inflamação no cérebro) e a morte são os desfechos mais graves da infecção.

Continua após a publicidade

“Estima-se que, nos surtos, para cada mil casos, uma pessoa morre. Além disso, o sarampo leva a um quadro de depressão imunológica, que é como uma ‘amnésia imunológica’, e quem tem sarampo fica mais suscetível, por três a seis meses depois do quadro agudo, a outras doenças infecciosas”, completa Kfouri.
A circulação do vírus propicia o aparecimento de surtos entre pessoas não vacinadas, de modo que um indivíduo infectado é capaz de transmitir a doença para até 18 pessoas, de acordo com a Opas.
No Brasil, a vacina contra o sarampo é ofertada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Quem deve se vacinar
Crianças de 6 a 11 meses:

Dose zero: indicada em situações de risco aumentado de exposição ao vírus, não substitui as doses do calendário de rotina

Continua após a publicidade

Crianças a partir de 12 meses

Primeira dose (D1) aos 12 meses, com a tríplice viral. Segunda dose (D2) aos 15 meses, com a vacina tetraviral (ou tríplice viral + varicela)

Pessoas de 5 a 29 anos

Devem iniciar ou completar o esquema de duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas

Pessoas de 30 a 59 anos

Devem receber uma dose da tríplice viral caso não haja comprovação de vacinação anterior

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.