Mpox: entenda infecção com novo caso registrado no Brasil e quais os riscos após carnaval
A Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre confirmou um novo caso de Mpox na capital gaúcha. A confirmação ocorre poucas semanas depois de o estado de São Paulo registrar 43 casos em janeiro, a partir de 161 notificações suspeitas, distribuídas por municípios como Campinas, Santos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e a capital paulista.
O cenário, segundo especialistas, está longe de configurar uma nova emergência sanitária, mas também não permite descuido. “O registro de um novo caso em Porto Alegre, somado aos casos de São Paulo indica que o vírus continua circulando no Brasil. Embora a maioria esteja sob monitoramento e não caracterize uma epidemia como a de 2022, é importante manter vigilância”, opina o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Na mesma linha, a infectologista Giovanna Marssola, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, avalia que a confirmação isolada “sugere que o vírus segue circulando e que há monitoramento ativo”. Até o momento, não há evidências de transmissão descontrolada.
Carnaval pode influenciar os números?
Com o fim do carnaval, a pergunta que inevitavelmente surge é se as festas podem impactar as estatísticas. Eventos de massa aumentam o potencial de disseminação de doenças infecciosas, especialmente aquelas transmitidas por contato próximo. “Eventos como o Carnaval, que envolvem grandes aglomerações e contato próximo entre pessoas, aumentam o potencial de transmissão, incluindo a mpox”, destaca Weissmann.
Para Marssola, pode haver aumento de casos nas semanas seguintes, considerando o modo de transmissão do vírus. O caso de Porto Alegre, segundo ela, pode ser inicialmente isolado, mas funciona como ponto de atenção. “É preciso manter vigilância e orientar isolamento em caso de sintomas para evitar disseminação.”
Os especialistas ponderam, porém, que a mpox não se transmite com a mesma facilidade de vírus respiratórios como influenza ou covid-19. O risco está associado a contextos específicos.
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Como ocorre a transmissão
A doença, anteriormente conhecida como “varíola dos macacos”, é um quadro viral causado pelo vírus mpox (MPXV), um Orthopoxvirus relacionado à varíola tradicional. Existem dois grandes grupos genéticos: clado I (com subclados Ia e Ib) e clado II (com subclados IIa e IIb).
Hoje, a principal forma de transmissão é o contato direto com lesões de pele, secreções ou fluidos corporais. A exposição próxima e prolongada a secreções respiratórias também pode representar risco.
Na prática, isso significa que situações com contato pele a pele, beijo prolongado, contato íntimo ou compartilhamento de objetos muito pessoais aumentam a chance de infecção, especialmente se houver lesões ativas. “Em geral, a transmissão por contato sexual é a que mais observamos”, destaca Marssola.
Ambientes como festas e blocos não são, por si só, determinantes. O risco depende do tipo de interação. Contatos breves e casuais tendem a representar risco menor do que interações próximas e prolongadas.
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Sintomas que merecem atenção
O sinal mais característico da mpox é o surgimento de lesões na pele. Elas costumam passar por estágios: começam como manchas, evoluem para bolhas com pus e, posteriormente, formam crostas.
Antes ou junto das lesões, podem surgir febre, dor de cabeça, dores no corpo e aumento de gânglios (ínguas).
Um dos desafios é o diagnóstico. As lesões podem ser confundidas com catapora, herpes ou outras infecções dermatológicas, o que reforça a importância de avaliação médica diante de sintomas suspeitos, especialmente em pessoas que tiveram contato próximo com casos confirmados.
Tratamento e evolução
A boa notícia é que, na maioria das vezes, a doença evolui de forma leve e autolimitada, com resolução espontânea em algumas semanas.
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O tratamento é principalmente de suporte, como hidratação, controle da dor e da febre e cuidados com as lesões para evitar infecção bacteriana secundária. Casos graves são menos frequentes, mas podem ocorrer, sobretudo em pessoas com imunossupressão. Nesses cenários, pode ser indicado o uso de antivirais específicos.
Outro ponto central é o isolamento. Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem evitar contato próximo até a cicatrização completa das lesões, medida considerada importante para interromper cadeias de transmissão.










