PANGEA CULTURAL

‘Rivalidade Ardente’: o inusitado culto feminino à série gay que vem causando barulho

DUALIDADE - Os protagonistas se encarando no hóquei sobre o gelo: retrato polêmico de esporte masculino (//HBO Max)

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A série “Rivalidade Ardente”, na HBO Max, choca com cenas homoeróticas explícitas entre astros do hóquei, mas seu sucesso surpreendente reside em uma audiência majoritariamente feminina. Dois terços dos espectadores são mulheres que buscam, neste fenômeno do Boys’ Love, uma forma de escape e afirmação.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Logo no começo de seu primeiro episódio, a série Rivalidade Ardente dispensa sutilezas e parte para os finalmentes sem maiores delongas. Astros rivais do hóquei sobre o gelo, o canadense Shane Hollander (Hudson Williams) e o russo Ilya Rozanov (Connor Storrie) trocam safanões em mais uma partida — em seguida, ao tomarem banho sozinhos no vestiário, a química de olhares e de gestos entre os dois garotões nus deixa claro que algo picante vai acontecer entre ambos. E como: a produção lançada no exterior no final de 2025, e que chega ao Brasil pela HBO Max na sexta-feira 13, vem causando barulho por onde passa graças às cenas de sexo gay decupadas de forma explícita na tela. Uma abordagem escandalosa que rapidamente se converteu em trunfo — como se comprovou na recente festa do Globo de Ouro, quando os dois atores foram paparicados no ar de modo consagrador diante da audiên­cia mundial do prêmio.

CORPOS ARDENTES - Os atores Connor Storrie e Hudson Williams num banho picante: paparicados até no Globo de Ouro (//HBO Max)

Embora se possa imaginar que tanta euforia se deva à identificação natural com o público LGBTQIA+, a explicação para o sucesso de Rivalidade Ardente vai além desse universo — e expõe um fenômeno cultural pouco conhecido. Segundo dados revelados pela HBO americana, nada menos do que dois terços da audiência da trama sobre o affair entre dois homens num meio esportivo cheio de testosterona são compostos por espectadores do sexo feminino. Baseada no segundo livro da série Game Changer, que nasceu como fan fiction erótica anônima na internet, a narrativa é curiosamente escrita por uma mulher, a canadense Rachel Reid, e ilustra a força do movimento literário conhecido como Boys’ Love (BL) — que representa romances homoafetivos entre homens, destinados a elas. “Estamos sedentos por histórias assim. Mas a audiência secreta disso são as mulheres, e esse é um público-alvo muito maior do que apenas pessoas queer ou homens gays”, já declarou o showrunner e diretor canadense Jacob Tierney.
Curiosamente, assistir a produções como Rivalidade Ardente parece não ser só questão de entretenimento para muitas espectadoras, mas uma inesperada forma de afirmação. Autora do livro Garotas que Gostam de Garotos que Gostam de Garotos, a cientista social britânica Lucy Neville analisa que a busca por esse tipo de história tem a ver com o fato de a ausência feminina em cenas eróticas como as de Ilya e Shane representar um escape de questões como objetificação, machismo ou submissão. Para além das teorizações feministas, é óbvio que ver dois rapazes bonitões trocando carícias na tela também tem outros atrativos para elas. Impossível ficar indiferente a uma relação tão explosiva.

Publicado em VEJA de 6 de fevereiro de 2026, edição nº 2981

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