O ano em que Luma de Oliveira provocou a ira das feministas na Sapucaí
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A coleira “Eike” de Luma de Oliveira no Carnaval de 1998 virou um ícone de polêmica e estilo. De símbolo de posse a expressão de liberdade, o acessório inspira famosas como Virgínia Fonseca e Sabrina Sato, e ganha novos significados em homenagens criativas, provando seu legado na Sapucaí.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Em 1998, a escola de samba Tradição entrou na Sapucaí com o enredo Viagem Fantástica ao Pulmão do Mundo, em homenagem à Amazônia. Rainha de bateria, Luma de Oliveira surgiu na avenida fantasiada de onça-preta, representando a fauna da floresta. Naquele ano, a escola amargou um 11º lugar no Carnaval carioca, mas um adereço amarrado no pescoço da rainha de bateria eternizou o desfile apagado no imaginário popular: a inesquecível e controversa “coleira” cravejada com o nome “Eike”, em referência ao empresário Eike Batista, com quem era casada na época.
Imagem marcante do Carnaval carioca, o acessório de Luma gerou polêmica em todo o país, atiçando especialmente o movimento feminista, que viu o colar como símbolo de posse (já que até os animais costumam ter o próprio nome na coleira, além de informações sobre o dono) e submissão ao marido, em um momento em que a luta pelos direitos das mulheres avançava a passos lentos no país. Tão criticada quanto eternizada pela imagem, Luma rejeitou o rótulo de submissa, e afirmou que a gargantilha não passava de uma brincadeira carnavalesca. “Não imaginava que ia mexer com os padrões de feministas. Aquela coleira era libertadora. Uma mulher submissa não estaria com um maiô sexy, de bota, sambando na frente de 300 ritmistas”, declarou ela décadas depois ao jornal O Globo, exaltando as conquistas das mulheres e destacando que “a liberdade tem que ser para fazer o que a gente quiser”.
Luma de Oliveira com a marcante fantasia: no carnaval de 1998 (Instagram/Reprodução)
Críticas à parte, a fantasia virou símbolo do Carnaval carioca, e é repetida à exaustão até hoje. Nesta semana, Virgínia Fonseca reproduziu a vestimenta em um ensaio em que ostenta uma “coleira” com o nome do namorado Vini Jr. As fotos da influenciadora, assim como as de Luma, dividiram opiniões, revivendo a mesma controvérsia da década de 1990. Virgínia, no entanto, não foi a única a adotar a fantasia. A própria Luma declarou que sempre recebe foto de fãs copiando a roupa. Estrela do Carnaval, Sabrina Sato fez o mesmo em 2018, quando repetiu a fantasia com o nome do então noivo — hoje ex-marido — Duda Nagle. Na época, ela declarou que a roupa era uma homenagem não apenas a Duda, mas também a Luma.
Virginia se inspira na icônica fantasia de Luma de Oliveira (Gshow/TV Globo)
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Sabrina Sato chega no Camarote Nº1 para curtir o carnaval na Sapucaí – 12/02/2018 (Felipe Panfili/CamaroteNº1/Divulgação)
Ao longo dos anos, inclusive, o acessório de Luma passou a embalar homenagens sem nenhuma liga com casamento — e o feminismo, felizmente, rendeu avanços importantes para as mulheres brasileiras. En 2018, por exemplo, Marisa Orth desfilou na Unidos da Tijuca como a personagem Magda, que era mulher de Caco Antibes no humorístico Sai de Baixo. No desfile, colocou no pescoço o nome do personagem de Miguel Falabella, que era o homenageado da escola na avenida. Em 2022, Ingrid Guimarães decidiu usar o acessório para homenagear o ator e amigo Paulo Gustavo, que foi enredo da São Clemente, cravejando o acessório com as iniciais do ator morto em 2020. É a prova de algumas imagens, mesmo quando criticadas, entram para a história.
Ingrid Guimarães em homenagem a Paulo Gustavo (Marlene Bergamo/Instagram/Reprodução)
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