Brasil ganha 2 milhões de praticantes de corrida em um ano: o que explica movimento
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A corrida no Brasil ganhou 2 milhões de adeptos em 2025, totalizando 15 milhões de praticantes semanais. O estudo “Por Dentro do Corre” revela uma democratização do esporte, com mais mulheres e a classe C liderando o crescimento. Saúde e socialização impulsionam, mas a falta de segurança ainda é um desafio.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A corrida está cada vez mais longe de ser coisa de poucos. A segunda edição do estudo “Por Dentro do Corre”, feito pela Olympikus em parceria com a consultoria Box1824, mostra que o Brasil ganhou mais 2 milhões de corredores em 2025. Com isso, o número de pessoas que correm ao menos uma vez por semana passou de 13 para 15 milhões. É como se uma cidade do tamanho de Manaus tivesse decidido colocar o tênis e ir para a rua.
O levantamento foi realizado em novembro de 2025, com 1.179 entrevistados, por meio de um painel digital. A pesquisa incluiu homens e mulheres de 20 a 60 anos, das classes A, B e C, que correm pelo menos uma vez por semana, seja na rua, em grupo, sozinho, na esteira ou onde der. Do total de respondentes, 52% eram homens e 48% mulheres.
Além de mostrar que tem mais gente correndo, o estudo destaca que a corrida também já virou um hábito bem consolidado: hoje, ela aparece como a quarta atividade física mais praticada no Brasil, com 14% de adesão em 2025 (em 2024, era 12%).
No ranking geral, o top 5 fica assim:
Caminhada (39%)
Musculação (25%)
Futebol (16%)
Corrida (14%)
Ciclismo (10%)
Para Márcio Callage, diretor de marketing da Olympikus, o crescimento é importante, mas o que mais chama atenção é a mudança de mentalidade por trás dele. “O que mais chama atenção é o deslocamento do foco. A corrida deixou de ser um esporte centrado em performance extrema para se tornar um hábito de vida”, diz. “Hoje, o que mais importa não é o pace ou a distância, mas a constância e a capacidade de integrar a corrida à rotina”.
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Perfil do corredor
E não foi só nos números que houve mudança: o perfil do corredor também. Em 2025, as mulheres chegaram a 50% dos corredores. No ano anterior, eram 42%. Ou seja: pelo menos nesse recorte, a corrida está ficando mais equilibrada e com bem menos cara de “clube do bolinha”.
Na idade, a faixa que mais corre é a de 25 a 44 anos, que passou de 46% em 2024 para 60% em 2025. Mas quem também está chegando com força é a galera mais jovem. Os corredores de 18 a 24 anos eram 12% e agora já são 20%. É o mesmo percentual do grupo com 45 anos ou mais, que encolheu: em 2024, ele representava 42% e, em 2025, ficou em 20%.
Outro dado que chama atenção tem relação com a renda. A pesquisa mostra que a classe C virou o principal grupo dentro da corrida, passando de 36% em 2024 para 43% em 2025. Logo atrás aparecem a classe B (40%) e a classe A (15%).
Na visão de Callage, essa virada diz muito sobre como a corrida está mudando de patamar. “Esse movimento é sinal claro de que a corrida está se democratizando. Mais do que um ajuste estatístico, isso é uma mudança de protagonismo“, afirma. Ele destaca que, entre os novatos — quem começou a correr há menos de um ano — 56% são da classe C.
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“Isso só é possível porque a corrida, por natureza, é um esporte de baixa barreira de entrada. Ela pode acontecer na rua, no parque, no bairro… Não exige academia, relógio ou qualquer outro tipo de estrutura mais complexa”, observa.
Ao mesmo tempo, ele pondera que entrar no esporte não significa ter as mesmas condições para praticar. “Acessibilidade não significa igualdade de condições. Falta de segurança aparece como a segunda maior dificuldade entre os corredores (29%), e 18% dos novatos dizem que não têm lugares próximos de casa ou trabalho para praticar”.
Saúde física e mental seguem como motor principal
Entre os vários motivos que levam as pessoas a correr, o principal talvez seja o mais básico e importante: a saúde.
Segundo o estudo, a busca por saúde física e mental, além de condicionamento, é o principal gatilho para dar os primeiros passos. E isso não muda depois: mesmo com o hábito já criado, é a saúde que segue segurando muita gente no esporte. Inclusive, 64% dos entrevistados dizem concordar com a frase “corrida é uma obrigação para eu me sentir saudável”.
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E os efeitos positivos que as pessoas percebem no dia a dia vão bem além de “ficar em forma”. Entre as principais mudanças citadas por quem corre, aparecem:
Mais energia no dia a dia (43%)
Melhor saúde mental (40%)
Melhora no sono (38%)
Melhora na autoestima (37%)
Melhora na alimentação (31%)
Por falar em saúde mental, mais do que aquela endorfina liberada pelo esporte, a socialização também pode estar por trás dos efeitos positivos no psicológico. Mesmo sendo um esporte que muita gente encara como um momento mais solitário e de introspecção, o estudo mostra que a corrida também está ficando mais coletiva.
Crescem os grupos e assessorias que se juntam pra correr em turma, e o lado social aparece como parte importante da experiência. Em média, 50% dos entrevistados dizem que se relacionam com pessoas da corrida fora dos treinos. E 47% afirmam que fazer amigos e conhecer gente nova é a melhor parte de correr.
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Falta de tempo e segurança
Apesar do crescimento, nem tudo é “só vai”. A corrida ainda esbarra em dois obstáculos bem conhecidos – e bem brasileiros: falta de tempo e falta de lugares seguros.
Segundo o estudo, esses são os maiores freios para quem tenta manter o hábito, principalmente dentro de uma rotina corrida (sem trocadilhos) e com poucos espaços onde dá pra correr com tranquilidade.
Na avaliação do diretor de marketing da Olympikus, esse é um ponto em que autoridades precisam entrar no jogo. “Se o poder público conseguir acompanhar com políticas de mobilidade ativa, segurança e infraestrutura urbana, esse movimento pode se tornar um grande aliado a saúde pública“, opina.
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