Luísa Sonza lança álbum ‘Bossa Sempre Nova’: “Respeito muito a música brasileira”
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Luísa Sonza lança “Bossa Sempre Nova”, álbum que celebra o gênero com o aval de lendas como Roberto Menescal e Toquinho. Após o sucesso de “Chico”, a cantora mergulha na bossa, reafirmando sua versatilidade e paixão pela música brasileira em um projeto artesanal que busca leveza e paz.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Luísa Sonza, 27, lançou nesta terça-feira, 13, o álbum Bossa Sempre Nova, inspirado no gênero da MPB que surgiu no final dos anos 1950 com artistas como João Gilberto (1931-2019), Tom Jobim (1927-1994), Nara Leão (1942-1989) e Vinícius de Moraes (1913-1980). Em entrevista a VEJA, a cantora falou do processo de criação do novo projeto feito em conjunto com Roberto Menescal e Toquinho, que surgiu após o lançamento de Chico, música lançada em 2023 que foi inspirada em seu então relacionamento com o influenciador Chico Moedas, e que virou polêmica nas redes sociais após a própria artista revelar ao vivo no Mais Você, da Globo, o término após descobrir uma traição. Apesar do momento conturbado, Luísa seguiu em frente com sua vida e carreira e vê Chico como um hit que lhe abriu portas no meio musical.
Como surgiu o desejo de continuar investindo na bossa nova, mesmo com tudo o que aconteceu na época do lançamento de Chico? Na verdade, o lançamento de Chico foi algo incrível, uma das melhores coisas da minha vida. Já tínhamos feito uma versão em inglês com o Roberto Menescal. Quando vi uma música de bossa atingir o número 1, algo que não acontecia há muito tempo, muita gente entrou em contato, inclusive o Roberto, para fazermos algo de bossa. O que antes era uma admiração de fã, de admiradora, passou a ser parte de mim que surgiu muito naturalmente. Eu acho que depois, com esse álbum, isso surge e começa a crescer cada vez mais dentro de mim. E a minha paixão pela bossa também. Quando eu regravei Chico e comecei a ver todo o arranjo que o Roberto Menescal, que é uma lenda da bossa, fez para essa música, que a gente fez humildemente dentro da bossa nova e tudo mais, e ver essa confirmação de tanta gente, e tudo mais, me trouxe essa vontade e essa coragem de mexer num lugar que é tão sagrado da música brasileira. E ter esse aval também é muito importante. Eu sou uma pessoa que respeita muito a música brasileira em si e quem veio antes de mim, a gente só sabe para onde vai se souber de onde veio. Então, começamos a ter essa troca muito grande. E, ano passado, no meio do LS4 [o quarto álbum de estúdio de Luísa], em que a gente trouxe muita referência de bossa nova, foram dois paralelos que aconteceram.
Quais? A gente viajou o mundo para fazer o LS4, que é o próximo, e, em vários momentos, um dos ritmos que eu mais trazia como referência para eles, era a bossa, cada hora era uma coisa, como um vilão, enfim. Mas enquanto íamos formando o LS4, percebi que a bossa estava ultrapassando o conceito dele, e eu queria muito trazer esse momento de bossa nova. E eu não sabia como eu ia encaixar essa quantidade de bossa nova que eu queria. Foi quando o [produtor musical] Douglas [Moda] me convidou para o We4Sessions, um projeto musical dele, em que ele refaz algumas músicas com covers. E aí ele falou de fazermos com o Roberto Menescal, porque já éramos próximas, Chico me abriu muitas portas na música brasileira. Dentro dessa escolha da We4Sessions, eu consegui canalizar essa vontade de trabalhar com a bossa nova. Agradeci o convite do Douglas e decidi fazer um álbum inteiro de bossa, mas em breve vamos ter um We4Sessions com o Roberto Menescal e que está lindo também. E foi totalmente natural e orgânico e essa ideia de trazer esse espírito do ao vivo foi levada para o álbum também. E esse vai ser o grande diferencial, tudo foi feito ao vivo, já que a maioria são regravações, mas com arranjos totalmente diferentes e a minha contribuição nesse sentido, de interpretação, escolha vocal, repertório e tudo mais.
E como o Toquinho entrou na história? O Douglas é a chave de tudo. Algumas músicas que escolhi eram do Toquinho com o Vinicius de Moraes (1913-1980). O Douglas sugeriu chamá-lo e eu nem achei que seria possível, mas ele aceitou imediatamente. Isso foi incrível para mim, e começamos a trabalhar. Foi lindo ver o cuidado que eles, Menescal e Toquinho, tiveram para rearranjar músicas que tocam há anos, trazendo um “frescor” para o som, com tanto cuidado, um trabalho minucioso. Foi muito especial. Fizemos tudo de forma artesanal no Rio e em São Paulo, ao vivo, então, enfim, foi assim que surgiu tudo.
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Trabalhar com nomes tão grandes como Menescal e Toquinho chegou a causar insegurança em algum momento? Eu acho que foi muito incrível porque eu tenho muita segurança da minha parte, mas eu pensava sempre muito em respeitar a tradição. Então, todas as minhas escolhas vocais, foram total dentro do registro da bossa nova de João Gilberto, Nara Leão, dessa forma de cantar mais contida e leve. Então, eu já tinha estudado bastante para ter essa confiança, eu li todos os livros, sei toda a história deles de cor. Então, isso é muito importante, você parar e estudar para ter a confiança naquilo que você está fazendo. Isso me trouxe tranquilidade. Quando entramos no estúdio, houve uma sinergia imediata e eu não esperava. Mas hoje, pensando depois de toda esse processo, faz todo sentido, porque a bossa nova requer escolhas que sejam valorizadas. Eu sempre busco não deixar meu ego de cantora ser maior que a música. Eu odeio quando vejo um cantor deixando a música e a interpretação de lado para mostrar os seus dotes musicais. No estúdio, quando eu tinha dúvidas sobre a pronúncia ou interpretação, eles concordavam comigo. Me senti em casa. Não existia idade ou separação, a forma de ver a música era muito similar.
Com uma carreira mais voltada para o pop e funk, você vê esse momento como uma transição ou apenas uma fase? Não acho que sou mais voltada apenas ao funk e ao pop. Faz muito tempo que eu transito por muita coisa: MPB, sertanejo, baladas, o próprio Chico é uma bossa nova, Iguaria é super MPB, tem Penhasco que transita pelos agudos, Melhor Sozinha é um sertanejo. Entendo que eu tenho muitas músicas muito grandes que são mais pop, mais dançantes. Mas acho que exista uma divergência. Para o meu público, isso [da bossa nova] já era esperado, algumas pessoas me pediam. Mas, talvez para algumas pessoas que não me acompanham tanto e que não entendam tanto a profundidade do meu trabalho — até porque ninguém tem obrigação nenhuma de ter –, talvez por ser um álbum inteiro de bossa pareça um choque, mas é importante para o meu trabalho mostrar essa amplitude muito grande. Como a minha imagem é muito pulverizada, cada um tem uma imagem de mim, pode ser que cada um só ouviu uma música minha, alguém que ouviu Melhor Sozinha, minha parceria com a Marília Mendonça (1995-2021), talvez não seja a mesma que ouviu Sentadona, que é um funk. Eu vim de banda de casamento, cantei de tudo por 10 anos, da missa ao final da festa. Se eu tirar essa pluralidade de mim, tiro quem eu sou, quem eu fui e aprendi. É uma bagunça que eu amo.
Quais foram as principais inspirações para esse projeto? Inevitavelmente, Elis & Tom. É meu disco preferido da vida inteira, ouvi incontáveis vezes, vi documentário. Também busquei entender a história deles, que vieram de lugares musicais totalmente diferentes. Como vim de banda de casamento, eu achava que já tinha feito de tudo, porque eu já cantei de tudo que você possa imaginar, de cantar italiano, espanhol e inglês sem saber falar. Mas a bossa nova parecia algo “glamouroso demais” que não chegava até mim no interior antigamente. Descobrir isso mais tarde, de entender a beleza da bossa, foi empolgante. Sobre composições, temos uma canção inédita que eu escrevi e letrei, e o Menescal musicou. Ela era para o LS4, mas decidimos trazer para cá porque combina mais com este momento de paz. Tentamos ser o menos clichê possível, eu nem queria colocar Águas de Março, mas eu gostei tanto que coloquei.
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Por que acha que poucos artistas da sua geração investem na bossa nova? Acho que é um lugar sagrado e requer preparação. Eu me preparei a vida inteira para ter a tranquilidade de estar num estúdio com o Toquinho. É importante ter respeito, mas não deixar que o gênero se torne “intocável” a ponto de as novas gerações não o conhecerem. Precisamos trazer essa visão para os jovens.
O que este álbum representa para você? Leveza e segurança. É um momento de muita paz, menos caos. Fiquei um ano sem lançar música, sem a pressão da indústria. A bossa nova traduz essa calmaria emocional e profissional. É um projeto que vai além do que eu um dia sonhei.
Recentemente, viralizou uma versão de uma música da Taylor Swift feita por Inteligência Artificial com a sua voz. O que achou? É muita maluquice! Mas a resposta está nesse álbum, que é totalmente artesanal e orgânico, o oposto da IA. Acho que a questão dos direitos autorais e regulamentação da internet é urgente, não pode ser terra de ninguém. Por outro lado, achei engraçado. Brincamos que, como eu não lançava música há um ano, a galera resolveu criar uma por mim.
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Pretende fazer uma versão oficial com a Taylor Swift? Estou focada nos meus dois álbuns agora, mas não sou contra, desde que seja tudo regulamentado e correto.
Como lida com o equilíbrio entre fãs fiéis e haters? A maturidade traz isso. Comecei muito cedo, tive haters antes de ter fãs. No começo, eu vivia na defensiva e com medo das pessoas. Hoje, entendo que isso não muda minha vida. Não vale a pena perder a paz ou ter uma úlcera por causa de comentários. Tenho sorte de ter fãs incríveis, uma família e meus animais. Busco ter certeza da minha verdade e não ser tão volátil.
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