75 anos das novelas no Brasil: o futuro de um produto nacional em crise
Renata Sorrah como Nazaré Tedesco em ‘Senhora do Destino’; Christiane Torloni como Teresa Cristina em ‘Fina Estampa’; Beatriz Segall como Odete Roitman em ‘Vale Tudo’; Eva Wilma como Altiva em ‘A Indomada’; e Adriana Esteves como Carminha em ‘Avenida Brasil’ (TV Globo/Divulgação)
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Em 2026 se comemora os 75 anos da exibição de Sua vida me pertence, que estreou em 1951 na TV Tupi e marca a primeira novela transmitida no país. Este tipo de produção se consolidou no Brasil ao combinar narrativa contínua, horários fixos e temas próximos do cotidiano do público, tornando-se parte da rotina diária das famílias. Desde a primeira produção, as novelas evoluíram com inovações tecnológicas, como a TV a cores, e abordagens culturais e sociais que refletiam a realidade brasileira, criando identificação e engajamento. A fidelização dos espectadores, o impacto na moda, linguagem e comportamento, e a exportação internacional das produções reforçaram seu papel como fenômeno cultural e meio dominante de entretenimento no país. A seguir, a coluna GENTE traz um apanhado, década a década, de como ocorreu essa evolução:
1956 – O começo
Sua Vida Me Pertence é considerada a primeira telenovela brasileira, exibida pela TV Tupi em 21 de dezembro de 1956.
Era uma produção curta, com episódios ao vivo, e já mostrava a narrativa em série que se tornaria marca das novelas.
1960–1970 – Consolidação
As novelas começaram a migrar para o formato gravado, com enredos mais longos.
TV Excelsior e TV Record surgem como concorrentes da TV Tupi.
Em 1963, 2-5499 Ocupado da TV Excelsior se tornou a primeira novela moderna com ritmo diário.
A Globo estreia em 1965, abrindo caminho para se tornar a principal emissora de telenovelas.
1970–1980 – Era de Ouro
Novelas da Globo ganham popularidade nacional.
Produções como O Bem-Amado (1973) e Gabriela (1975) trazem roteiros mais sofisticados e regionalistas.
A Globo cria a faixa das 20h, consolidando a novela como fenômeno cultural e social.
1980–1990 – Expansão e inovação
Novelas com temas sociais e políticos entram em pauta, como Roque Santeiro (1985) e Vale Tudo (1988).
A tecnologia da TV a cores e a expansão nacional da Globo fortalecem o impacto das novelas.
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1990–2000 – Diversificação
Novelas globais começam a explorar diferentes gêneros: ação, suspense, humor e teen.
Tropicaliente, Malhação e O Clone se destacam, expandindo o público jovem.
2000–2010 – Internacionalização
Novelas brasileiras passam a ser exportadas para mais de 100 países.
Produções como Senhora do Destino, Avenida Brasil e Caminho das Índias se tornam fenômenos internacionais.
2010–2020 – Novas plataformas
Streaming e plataformas digitais mudam o consumo: GloboPlay permite acompanhar novelas online.
Novelas começam a dialogar com temas contemporâneos: diversidade, inclusão e críticas sociais.
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2020–2026 – A concorrência em outras telas
O remake de Vale Tudo, 2025, não surte o mesmo efeito que o original, de 1988. Os índices de audiência vêm caindo ano após ano.
Novelas atuais continuam misturando tradição e inovação, mostrando o legado de sete décadas de cultura televisiva. Atores veteranos passam a dividir espaço com nomes oriundos das redes sociais.
Mas a concorrência da TV Globo, ainda hegemônica, não é mais a grade televisiva de outras emissoras-padrão, como SBT ou Record. Netflix, HBO Max e até o Youtube se expandem possibilidades de escoamento de produção audiovisual no país.
A TV aberta segue firme na dianteira, tendo o streaming como principal concorrente, ao apresentar produções seriadas que catalisam o público e engajam as redes (o novo termômetro da audiência).
A Globo lança seu produto mais arrojado em formato dos últimos tempos: novelinhas verticais, de cerca de um minuto, destinadas ao público de redes sociais. É um experimento para se ficar de olho nos próximos meses.









