PANGEA CULTURAL

As 10 melhores séries de 2025, segundo jornalistas de cultura de VEJA

Em 2025, o público foi agraciado com várias séries de ficção científica, temas espinhosos e dramas, então, é seguro dizer que entretenimento não faltou. Com isso, a equipe de cultura de VEJA listou as 10 melhores de 2025 em um programa especial do Tela Plana apresentado por Kelly Miyashiro e com a participação de Raquel Carneiro, editora de cultura, e o repórter Thiago Gelli.
Confira a seguir o programa e a lista com links das entrevistas e matérias sobre cada produção:

10º LUGAR: ALIEN: EARTH (Disney+)

Cena de ‘Alien: Earth’ (Disney+/Reprodução)

Criador de múltiplas séries engenhosas, como Fargo e Legion, o americano Noah Hawley, de 58 anos, passou por um novo teste de fogo com a primeira temporada de Alien: Earth. Superando toneladas de pressão e comparações incontornáveis à conceituada saga cinematográfica, o escritor fisgou o público com elementos inusitados: novas criaturas, um núcleo familiar enternecedor e uma analogia ao conto de fadas Peter Pan, entre outros. Em entrevista a VEJA, Hawley detalhou as origens das ideias que distinguiram sua série — um pouco do que explica como sua trama inovadora foi parar entre as dez melhores do ano. 
9º LUGAR: RUPTURA – 2ª TEMPORADA (Apple TV)

Ruptura: segunda fase da trama protagonizada por Adam Scott chegou ao Apple TV três anos depois da temporada inicial (Apple TV/Divulgação)

Um dos maiores sucessos do Apple TV, Ruptura foi lançada em 2021 e apresentou uma história ousada de ficção científica. Na trama, uma empresa chamada Lumon contrata funcionários dispostos a passar por um processo de “ruptura do cérebro”, que será dividido entre dois: um do trabalho e outro do mundo externo. Apresentando mais perguntas do que respostas, a história se desenrola conforme as duas personalidades entram em conflito sobre qual vida é a certa a se seguir, e a segunda temporada conseguiu se mostrar ainda mais instigante do que a primeira.

8º LUGAR: O ETERNAUTA (Netflix)

Ricardo Darín em ‘O Eternauta’ (Netflix/Divulgação)

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Com o astro do cinema argentino Ricardo Darín, O Eternauta é baseada em uma HQ homônima lançada em 1957 pelo autor Héctor Germán Oesterheld como uma ficção científica profunda e afiada, muito crítica ao imperialismo que, anos depois, acometeria o país e transformaria a trajetória da família Oesterheld para sempre. Entre 1976 e 1977, Héctor foi sequestrado pelo regime, assim como suas quatro filhas — duas das quais estavam grávidas — e seus quatro genros. Quase 50 anos depois, o paradeiro dos 9 desaparecidos ainda não foi esclarecido. A produção da Netflix se destacou por trazer uma trama envolvente, atuações de ponta e uma estética belíssima — além de monstrengos assustadores, como baratas gigantes.
7º LUGAR: HOUSE OF GUINNESS (Netflix)

CULTUADA - Edward, o gênio dos negócios: cerveja preta virou ouro (//Netflix)

Assim que se anuncia a morte de Benjamin Guinness, neto do visionário que fundou a marca de cerveja preta do tipo stout, famosa pelo sabor amargo, em 1759, um belo quebra-quebra se arma em Dublin para melar o funeral. Embora responsável pelo salto que fez da Guinness a maior cervejaria do mundo no final do século XIX, Benjamin tinha tudo que a maioria dos irlandeses detestava: era um protestante elitista que defendia a submissão do país à vizinha Inglaterra, enquanto as massas empobrecidas tinham tradição católica e abominavam os ingleses. Os problemas de seus quatro herdeiros, porém, iam muito além das tensões políticas da época, e a série da Netflix mostra os segredos que eles escondiam, como homossexualidade e infidelidade, entre outras polêmicas. A narrativa repleta de reviravoltas mistura dramas a la Succession e uma atmosfera de Peaky Blinders graças ao criador de ambas, Stephen Knight, um talento irresistível.
6º LUGAR: PLURIBUS (Apple TV+)

Rhea Seehorn, como Carol, em Pluribus: série permite reflexões sobre ritmo de vida dos dias de hoje (dentre várias outras) (Apple TV/Divulgação)

Um grupo de cientistas capta um sinal extraterrestre enviado de algum ponto a 600 anos-luz da Terra. Em vez de um “olá”, a transmissão contém uma sequência intrincada de códigos que formam uma receita de RNA semelhante a de um vírus. Reproduzido em laboratório pela equipe, o organismo escapa do ambiente estéril e espalha-se pelo planeta, transformando a humanidade em um coletivo extremamente simpático e civilizado, conectado a uma consciência coletiva dentro da qual todos acessam o mesmo conhecimento, tomam ações sincronizadas e esbanjam felicidade constante — com exceção da escritora best-seller Carol Sturka (Rhea Seehorn) e de mais 12 pessoas imunes à comunhão psíquica. Escrita por Vince Gilligan, criador dos sucessos Breaking Bad e Better Call Saul, Pluribus é para quem ama desvendar os mistérios junto com a protagonista e é uma das produções mais fascinantes de 2025.

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5º LUGAR: MUSSOLINI, O FILHO DO SÉCULO (Mubi)

Luca Marinelli na pele do ditador Benito Mussolini: 20 quilos a mais e choro compulsivo ao final (Andrea Pirrello/Sky/.)

O avanço da extrema-direita e de governos que flertam com o autoritarismo em todo o mundo fez de 2025 terreno fértil para tramas com forte teor político. Em um cenário cada vez mais polarizado, e com absurdos normalizados, Mussolini: O Filho do Século se destaca como uma produção histórica certeira, que usa a ascensão do ditador italiano para reacender a memória dos horrores do passado e tecer alertas valiosos sobre o presente da humanidade. Inspirada no primeiro livroda aclamada pentalogia de Antonio Scurati, a série comandada por Joe Wright explora as motivações do tirano, seus relacionamentos amorosos, desvios de caráter e temores, compondo um personagem complexo e reconhecível em diversas camadas da sociedade, especialmente nas elites do poder político.
4º LUGAR: OS DONOS DO JOGO (Netflix)

Elenco de ‘Os Donos do Jogo’, da Netflix (Netflix/Divulgação)

Apesar do domínio estrangeiro, o Brasil também marcou presença entre as histórias mais aclamadas do ano. Lançada pela Netflix no último trimestre, Os Donos do Jogo provou que o país é capaz de levar para as telas toda a complexidade e violência das clássicas tramas de máfia exploradas à exaustão por Hollywood. Com um ar de O Poderoso Chefão e DNA extremamente brasileiro, a série de Heitor Dhalia dramatiza com liberdade ficcional o submundo do jogo do bicho, acompanhando a guerra de sucessão familiar entre os clãs mais poderosos da contravenção carioca e a modernização do jogo, com a chegada os cassinos online. Envolvente e bem produzida, a história furou a bolha nacional e fez sucesso também no exterior, garantindo uma segunda temporada.
3º LUGAR: O ESTÚDIO (Apple TV+)

HUMOR AFIADO - Seth Rogen (centro) e cia. na série: bastidores de Hollywood (Apple TV+/.)

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Série que consolida 2025 como o ano do plano sequência na televisão, a arrojada O Estúdio, produzida pela Apple TV, tornou-se a comédia mais laureada do Emmy em uma única edição do prêmio, com treze estatuetas, incluindo as de melhor série, roteiro, direção e ator para Seth Rogen, criador da trama e intérprete do protagonista Matt Remmick, o chefão da Continental, um estúdio fictício em Hollywood. Inspirada nos absurdos que acontecem nos bastidores da indústria, a trama acompanha as peripécias do executivo de alto escalão apaixonado por cinema, mas que descobre que o cargo exige sacrifícios como produzir um filme ridículo sobre uma bebida em pó chamada Kool Aid, ou lidar com o estrelismo de artistas como Olivia Wilde e Zoë Kravitz, além da pressão de diretores vencedores do Oscar do calibre de Ron Howard e Martin Scorsese. O mais curioso é que toda essa gama de famosos reais topou atuar na série, interpretando a si mesmos. O texto irônico se alia ao virtuosismo visual para brindar o espectador com um pacote irresistível.
2º LUGAR: THE PITT (Max)

RISCO DE VIDA - The Pitt: drama médico expõe caos na saúde americana (HBOMax/Divulgação)

Na trilha de outras séries de 2025 que tocam em assuntos caros ao mundo real, a produção médica The Pitt renovou o filão dominado por amenidades como Grey’s Anatomy com uma proposta perturbadora: cada um dos quinze episódios transcorre ao longo de uma hora do plantão de um pronto-socorro liderado pelo Dr. Robby (Noah Wyle), um médico experiente, mas traumatizado pela morte de seu mentor na pandemia — e às voltas com o sucateamento do sistema de saúde americano. Filmada majoritariamente em longos planos, a série acompanha diversos casos, de uma mãe preocupada com os pensamentos feminicidas do filho adolescente, passando por universitários morrendo de overdose por fentanil, até desaguar no auge eletrizante: um tiroteio em massa num festival de música leva dezenas de vítimas ao hospital, tornando o local uma zona de guerra. Dosando bem o drama com atuações de primeira e ainda ressaltando a importância de manter a saúde mental dos profissionais de saúde, a série foi uma das melhores surpresas do ano.
1º LUGAR: ADOLESCÊNCIA (Netflix)

‘Adolescência’, a série: crime e transtornos psicológicos em cena (Foto: Netflix/Divulgação)

Nenhuma outra produção do streaming repercutiu tanto em 2025 quanto Adolescência, que se transformou rapidamente na minissérie mais vista da história da Netflix. Lançada sem alarde pela plataforma, a trama causou comoção imediata ao retratar a história do jovem Jamie Miller (Owen Cooper), garoto de 13 anos que é preso como suspeito do assassinato de uma colega de classe. Idealizada por Stephen Graham, que também dá vida ao pai do réu, a produção se debruça sobre um tema atualíssimo e que assusta famílias em todo o mundo: o isolamento dos jovens em bolhas virtuais e os perigos dos fóruns online que disseminam a chamada cultura incel, capaz de transformar adolescentes tímidos em figuras machistas e violentas, que culpam mulheres pela rejeição masculina. Visceral e realista, a história ultrapassou as telas e impôs reflexões nos lares e escolas, convertendo-se em alerta valioso para pais e responsáveis e em instrumento de conscientização sobre temas como bullying e misoginia. Catalisadora de discussões tão complexas quanto necessárias, a trama também inovou estilisticamente: todos os quatro episódios foram gravados em plano sequência, dando vazão às emoções sem cortes ou interrupções, e rendendo ao estreante Owen Cooper o título de artista mais jovem a conquistar o Emmy de melhor ator. Uma surpresa muito bem-vinda em um ano marcado por tramas viscerais.

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