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SNS, salários e tropas. Os factos do debate entre António Filipe e Cotrim de Figueiredo

✔️“Temos mais hospitais privados do que hospitais do SNS” – António FilipeA saúde ocupou uma parte considerável do debate, com o candidato apoiado pela CDU a defender mais investimento no SNS e o ex-líder da Iniciativa Liberal (IL) a argumentar a favor da liberdade de escolha entre público e privado. Foi nesse contexto que António Filipe afirmou, com razão, que o país tem mais hospitais privados do que os pertencentes à rede do SNS.Vejam-se os números noticiados em Setembro pelo PÚBLICO. Em 2023, o ano mais recente para o qual o Instituto Nacional de Estatística (INE) tem registo, havia no país 130 hospitais privados e 107 públicos, um dos quais gerido em regime de parceria público-privada. Uma diferença de 23 hospitais. Aquando da divulgação destes dados, salientava-se sobretudo o aumento do número de hospitais privados, que eram apenas 89 em 2003.✔️“Portugal continua a ser o país da OCDE onde mais dinheiro se gasta do próprio bolso na saúde, em termos percentuais” – João Cotrim de FigueiredoÉ verdade. Apesar de Portugal ser um dos países que gasta menos com a saúde per capita – 4500 euros, um valor abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – o mesmo já não se verifica quando analisamos os gastos directos das famílias e é a isso que Cotrim de Figueiredo se refere. De acordo com relatório Health at a Glance 2025, noutros cuidados que não são a dado momento assegurados pelo SNS, a média de gastos directos das famílias foi de 29%, muito acima da média dos países da OCDE que foi de 19% em 2024. Em França e no Luxemburgo, por exemplo, “os gastos pagos directamente pelos doentes representaram menos de 10% do total das despesas com a saúde”.✔️ “O salário mínimo líquido são 744 euros, 2,5 milhões de trabalhadores não levam 1000 euros para casa​” – António FilipeA greve geral convocada para o próximo dia 11 de Dezembro e as propostas de alteração ao Código do Trabalho que estão na sua origem estiveram, mais uma vez, em discussão neste debate. António Filipe sublinhou que a legislação em causa “tem vindo a ser alterada no sentido desfavorável para os trabalhadores”, com total discordância por parte do seu adversário de debate.Para sublinhar a precariedade vivida no país, o ex-deputado comunista referiu que o salário mínimo líquido é actualmente de 744 euros e que dois milhões de trabalhadores têm um salário que não atinge os 1000 euros por mês. O valor do salário mínimo líquido, ou seja, depois de retirados os 11% para a Segurança Social é, mais concretamente, de 774 euros.Quanto à percentagem de trabalhadores que recebem menos de 1000 euros por mês, já não é a primeira vez que o candidato apoiado pela CDU faz referência a este número, tendo o Polígrafo já verificado esta alegação.Olhando para os dados da Segurança Social referentes a Setembro deste ano, há mais de 4.345.476 trabalhadores por conta de outrem no país e a maior parte situa-se no escalão remuneratório entre os 801 e os 1000 euros mensais.São, mais concretamente, 2.538.679 os trabalhadores que em Portugal levam para casa menos do que 1000 euros por mês, o que ultrapassa os dois milhões e meio como afirmou António Filipe.✔️“[Se o artigo 5.º da NATO for accionado] nenhum Presidente da República irá levianamente enviar tropas, embora as pessoas saibam, poucas, que já há mais de 1100 militares portugueses em teatros de guerra um pouco por esse mundo fora. São é tropas profissionalizadas” – João Cotrim de FigueiredoA afirmação é verdadeira. Segundo um relatório elaborado pela Direcção-Geral de Política de Defesa Nacional, ao qual a agência Lusa teve acesso, as Forças Armadas portuguesas participaram com 1335 militares em missões internacionais no segundo semestre de 2024, mais de metade no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e com forte presença no Leste da Europa. Foram assim empenhados 722 militares (54,1%) no âmbito de missões da NATO, 247 (18,5%) na Organização das Nações Unidas (ONU) e 112 (8,4%) em missões da União Europeia. Além destes, 126 militares (9,4%) foram empenhados no quadro bilateral e multilateral, 39 (2,9%) na Frontex e participaram nestas missões 89 assessores militares.

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