Carlos Silva e Sancho Ramalho vencem Taça de Novas Energias no Eco Rally de Lisboa
O Eco Rally de Lisboa 2025, organizado pelo CPKA (Clube de Promoção de Karting e Automobilismo), encerrou a temporada competitiva da mobilidade eléctrica em Portugal com um duelo intenso entre as duas equipas mais fortes do pelotão. Carlos Silva e Sancho Ramalho, aos comandos do seu habitual BMW i3, venceram a Taça de Novas Energias da FPAK, superiorizando-se aos recém-coroados campeões nacionais, Eduardo Carpinteiro Albino e José Carlos Figueiredo (Kia EV3).A prova, disputada no formato de regularidade e exclusiva a automóveis 100% eléctricos de produção em série, percorreu um total de 223 quilómetros, 105 dos quais a contar para as 12 classificativas de regularidade. A partida fez-se no domingo de manhã, num cenário icónico junto ao Padrão dos Descobrimentos, levando os concorrentes da capital até à Azambuja, com paragem em Mafra, antes do exigente final na Serra de Sintra e chegada à Marina de Cascais.
Os concorrentes partiram do Padrão dos Descobrimentos em Lisboa e a prova passou, ainda, pelos municípios de Azambuja, Vila Franca de Xira, Mafra, Sintra e Cascais
AIFA
Jogar em casaPara Carlos Silva, a vitória teve um sabor especial, não apenas pelo troféu, mas pelo cenário. “É uma prova que se disputa numa região que, para mim, diz muito e eu gosto muito de jogar em casa”, afirmou o piloto ao PÚBLICO. A dupla assumiu a liderança logo na segunda classificativa e não mais a largou, gerindo uma vantagem curta até ao final.Sancho Ramalho, o navegador, explicou a estratégia de serenidade que ditou o sucesso: “Fizemos um bom rali, fomos sempre fazendo tudo muito direito (…) foi fazer a prova com muita calma”. A gestão foi milimétrica, chegando ao almoço em Mafra com apenas três segundos de vantagem, margem que conseguiram segurar até ao final, apesar das dificuldades da tarde.Com este triunfo, Carlos Silva e Sancho Ramalho — que foram campeões nacionais em 2024 — impediram que Eduardo Carpinteiro Albino e José Carlos Figueiredo juntassem a Taça ao Campeonato Nacional de Novas Energias conquistado este ano. A rivalidade saudável entre as duas duplas ficou patente na entrega de prémios, onde Carlos Silva, em tom de brincadeira, sugeriu a criação de uma “super-taça” para decidir o “campeão dos campeões”.Apesar de elogiar o traçado e a organização da prova, Carlos Silva apontou algumas arestas a limar, nomeadamente num dos sectores da manhã. “Aquele troço grande hoje de manhã, dos mecos, devia ter sido separado em dois. Aquela parte estreita de 18 km/h não faz muito sentido ali”, referiu o piloto, notando que a situação criou “alguns problemas de trânsito” que poderiam ter sido evitados, adicionando uma outra sugestão para o próximo ano: “Acho que o rali pode crescer um ou dois troços e já fica com os quilómetros normais de uma prova do Campeonato de Portugal!”Ambição mundial para 2026Com a época nacional encerrada, as atenções viram-se agora para 2026 e para a internacionalização. Depois de um terceiro lugar no campeonato internacional (FIA Eco Rally Cup) este ano, a ambição da dupla Silva/Ramalho é subir a fasquia nesta competição de nível mundial.“O objectivo é claramente montar um projecto para fazer o número mínimo de provas em que se aproveitam pontos”, explicou Carlos Silva, apontando para a participação em oito ou nove provas internacionais. O navegador Sancho Ramalho reforça a aposta: “A grande ambição será fazer mais provas do campeonato internacional (…) para tentar melhorar o terceiro lugar deste ano”.Carlos Silva acredita que o talento nacional está pronto para se impor lá fora: “O nosso campeonato português tem um nível de pilotos e de navegadores muito alto (…) se isso acontecer [mais equipas portuguesas no estrangeiro], eu acho que os portugueses vão dar cartas”.Envolver mas as marcas e os concessionáriosNuma nota final sobre a promoção da mobilidade eléctrica, Carlos Silva deixou um apelo a um maior envolvimento dos concessionários locais, e não apenas das marcas importadoras. Para o vencedor da Taça, esta é a modalidade mais acessível do desporto automóvel, comparando-a aos seus inícios no Rali de Sintra: “Aqui é a mesma coisa, é agarrar num carro de casa e fazer uma competição”.O piloto sublinha que é necessário motivar os responsáveis das marcas e das concessões para participarem, aproveitando o facto de os fabricantes terem necessidade de promover os seus veículos eléctricos num ambiente real e competitivo.










