CIÊNCIA

Nem a chuva fez arredar as multidões que receberam o Papa no Líbano

O Papa Leão XIV pediu este domingo aos líderes políticos no Líbano, na segunda etapa da sua primeira viagem ao estrangeiro como líder católico, que façam da paz a sua mais alta prioridade, apelo contundente num país que continua a ser alvo de ataques aéreos israelitas.Leão XIV, o primeiro papa norte-americano, chegou a Beirute vindo de uma visita de quatro dias à Turquia, onde alertara que o futuro da humanidade estava em risco devido ao número invulgar de conflitos sangrentos no mundo e condenara a violência em nome da religião.Dirigindo-se a uma sala do palácio presidencial repleta de políticos e líderes religiosos das várias confissões do Líbano, abriu o seu discurso repetindo as palavras de Jesus: “Bem-aventurados os pacificadores”.Leão afirmou que o Líbano deve agora perseverar nos esforços de paz, apesar de enfrentar uma situação regional “altamente complexa, conflituosa e incerta”, num discurso a que assistiram o Presidente Joseph Aoun, o primeiro-ministro Nawaf Salam e outros dirigentes.“No nosso país e na nossa região há muita angústia e muitas pessoas em sofrimento”, disse Aoun, acrescentando que o Líbano é um país “onde cristãos e muçulmanos vivem, diferentes, mas iguais”.Horas antes da chegada do Papa, multidões reuniram-se ao longo das estradas entre o aeroporto e o palácio presidencial, acenando bandeiras libanesas e do Vaticano.O Líbano, que tem a maior proporção de população cristã do Médio Oriente, tem sido abalado pelo transbordar do conflito de Gaza, à medida que Israel e o grupo xiita Hezbollah entraram em guerra, culminando numa ofensiva israelita devastadora.“Queremos que ele plante a paz no coração dos políticos, para que possamos viver uma vida confortável no Líbano”, disse Randa Sahyoun, uma libanesa a viver no Qatar que viajou para casa para assistir à visita do Papa.Leão XIV afirmou que é necessária persistência para construir a paz, acrescentando que “o compromisso e o amor pela paz não temem a derrota aparente”.Os líderes no Líbano, que acolhe um milhão de refugiados sírios e palestinianos e luta igualmente para recuperar de anos de crise económica, receiam que Israel intensifique dramaticamente os seus ataques nos próximos meses.Israel alega que os ataques continuados, desde o acordo de cessar-fogo do ano passado, têm como objectivo impedir o Hezbollah de restabelecer capacidades militares e de voltar a constituir uma ameaça para as comunidades no norte de Israel.O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou na sexta-feira que esperava que a visita de Leão XIV ajudasse a pôr fim aos ataques israelitas. O deputado mais veterano do Hezbollah, Mohammad Raad, esteve presente no discurso papalAs diversas comunidades do Líbano acolheram positivamente a visita do Papa, com o principal clérigo druso, xeque Sami Abi al-Muna, a afirmar que o Líbano “precisa do raio de esperança representado por esta visita”.Transportado no papamóvel fechado, Leão chegou ao palácio sob chuva intensa enquanto as multidões, abrigadas sob guarda-chuvas brancos, aplaudiam e uma banda de boas-vindas executava uma dança tradicional ao som de grandes tambores.Leão, relativamente desconhecido no palco internacional antes de se tornar Papa em Maio, está a ser atentamente observado à medida que profere os seus primeiros discursos no estrangeiro e interage pela primeira vez com pessoas fora da Itália maioritariamente católica.Leão, de 70 anos e com boa saúde, tem uma agenda carregada no Líbano, visitando cinco cidades e localidades até terça-feira, quando regressará a Roma. Leão não viajará para o sul, alvo de ataques israelitas, e não mencionou Israel no seu discurso.A sua programação inclui uma oração no local da explosão química do porto de Beirute de 2020, que matou 200 pessoas e causou milhares de milhões em danos.Também celebrará uma Missa ao ar livre na zona costeira de Beirute e visitará um hospital psiquiátrico — uma das poucas unidades de saúde mental no Líbano — onde cuidadores e utentes aguardam ansiosamente a sua chegada.

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