Benfica com pilhas carregadas arranca vitória na Madeira no tempo extra
O Benfica tem somado momentos de desilusão nos períodos de compensação nesta temporada, mas desta vez virou o tabuleiro ao contrário. Na Madeira, os “encarnados” estiveram a perder com o Nacional, arriscaram tudo na recta final e acabaram recompensados, com um golo de Pavlidis no tempo extra a assegurar o triunfo na 12.ª jornada do campeonato (1-2).Aos 89 minutos, o plano de jogo de Tiago Margarido estava prestes a ser validado por um erro de Otamendi. Em 5x4x1 em organização defensiva, praticamente o único momento do jogo que disputou, o Nacional tinha conseguido até então frustar as iniciativas de um Benfica que procurou entrar na área pelos três corredores. O que sobrava às “águias” em caudal ofensivo, porém, faltava-lhes em definição e os insulares só precisaram de dois remates enquadrados para se colocarem em vantagem. E do tal deslize de Otamendi, claro, que com um passe de principiante abriu uma clareira para assistência de Witi e finalização de Jesús Ramírez (60’).Era um lance que mostrava como pode ser ingrato o futebol. Mesmo sem ser brilhante, o Benfica estava por cima em tudo e era a única equipa a assumir a bola — chegou ao intervalo com 64% de posse (que chegou a rondar os 80%) e com 14 remates,que contrastavam com os zero redondos do adversário.
Se não tinha conseguido chegar ao golo com tanta presença no último terço, porém, só podia lamentar-se de si próprio. Da falta de definição em zonas de criação (Sudakov trabalhou muito, mas raramente fez a diferença no último passe), da falta de precisão nas acções de cruzamento (especialmente pela esquerda, a aproveitar bem o espaço entre lateral e central da direita) e da falta de qualidade de Leandro Barreiro em acções que impliquem espaços reduzidos.O minuto 57 mostra tudo aquilo que é e tudo aquilo que o internacional luxemburguês não é. O que é: um jogador incansável, que pressiona sem bola e abre espaços com desmarcações constantes, que ataca a profundidade em sprints curtos e dá soluções nas costas da defesa. O que não é: um atacante suficientemente refinado para receber, rodar ou combinar em zonas sobrelotadas, impedindo a equipa de dar continuidade aos (poucos) desequilíbrios que cria.Barreiro desperdiçou um golo feito no arranque da segunda parte, mas não foi o único, porque António Silva também desaproveitou uma bola aérea sem oposição aos 76’, após passe de Sudakov. Nessa altura, o Benfica já perdia e já tinha Prestianni em campo, no lugar de um Rodrigo Rêgo que deu sempre soluções à largura mas nem sempre tomou as melhores decisões com bola.Forçado a arriscar, José Mourinho lançou ainda Ivanovic e Schjelderup, à procura de mais rasgo nos corredores laterais e de mais presença na área, ao lado de Pavlidis. E se há algo de que o treinador não pode queixar-se é de falta de corrente: a equipa manteve-se ligada, com picos de energia, é certo, mas deixando sempre no ar a ideia de que ainda havia tempo para acender a luz, que Jesús Ramírez e a competência defensiva do Nacional haviam apagado.
Esse momento chegou aos 89’, num lance de inspiração (e de risco) de Prestianni, que momentos antes tinha visto um amarelo por uma altercação perante pedidos de expulsão dos jogadores do Nacional. Foi uma arrancada imparável e um remate indefensável. E, já no tempo de compensação, aos 90+5’, Schjelderup forçou e foi à linha encontrar uma rota para servir Pavlidis para o 1-2.Em meia-dúzia de minutos, o Benfica passava de uma potencial desvantagem de nove pontos para a liderança no fim da jornada para uma diferença provisória de três, criando pressão sobre FC Porto e Sporting, precisamente o adversário que se segue.










