No pavilhão de caça do Marquês de Pombal, produz-se um vinho único
Se já se perguntou o que é isso do enoturismo urbano, este é um bom exemplo. O projecto Villa Oeiras fica a meia hora do centro de Lisboa em transporte público e nasce num verdadeiro pulmão verde do concelho de Oeiras, hoje infinitamente mais populoso do que no tempo em que Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, rumava a este território para caçar, pescar — tinha para o efeito um tanque, que ainda lá está — e até, acreditam os actuais responsáveis pela quinta, fazer o seu próprio conhaque — o marquês tinha dois Charentais, alambiques de destilação contínua.A visita completa ao projecto Villa Oeiras, com marcação, leva cerca de duas horas. O início é sempre no Casal da Manteiga, antigo centro de lavoura, quando a Estação Agronómica Nacional funcionava ali, e bem antes disso o pavilhão de caça do marquês. Nessa adega, é feita a produção e já algum estágio de vinhos. Os visitantes ouvem aí as primeiras explicações sobre o terroir de Carcavelos e, claro, o projecto do município. Depois passeiam nas vinhas. E de seguida, em viatura própria (para já), seguem os guias até à Adega do Palácio, onde o Carcavelos estagia em várias filas de barricas, num espaço “climatizado” por uma cisterna subterrânea.O percurso é curto, mas a pé ia demorar algum tempo. E não está ainda sinalizado. Os cerca de 130 hectares de propriedade — cuja origem remonta ao século XVII, quando as terras foram adquiridas por Sebastião José de Carvalho, avô do futuro Marquês de Pombal — dividem-se em duas quintas, a Quinta de Cima ou Quinta Grande e a Quinta de Baixo. Separa-as a Rua do Aqueduto, que hoje é uma estrada municipal, mas no passado foi a Estrada Real Lisboa Cascais. “O Marquês de Pombal desenvolveu o seu projecto da quinta considerando a preexistência de duas estradas reais, a que ligava Lisboa a Cascais, ainda hoje existente, e a que ligava Oeiras a Sintra, hoje uma azinhaga existente dentro da quinta”, explicou à Fugas Alexandre Eurico Lisboa.Chegados ao palácio, são explicadas essas obras e também a importância da ribeira que corre no meio dos jardins “inspirados nos de Versailles”. “Esta ribeira nasce no Cacém e desagua na praia Santa Amaro da Oeiras e, à época, tinha uma certa importância”, explica-nos, por seu turno, Rafaela Marques. Segundo a guia, no século XVIII, existia um sistema de comportas que permitia a passagem de barcaças que traziam “cereais, fruta, azeitona” e outras matérias-primas para carregar em embarcações maiores, já na praia. “É interessante porque toda a ribeira, assim que entra na Quinta do Marquês, é murada, precisamente com esse objectivo, de ser um canal navegável”, sublinha Romeu Oliveira, o responsável pelo enoturismo do projecto Villa Oeiras.
A visita começa nas vinhas do projecto Villa Oeiras e na Adega Casal da Manteiga, onde os vinhos são produzidos
Rui Gaudêncio
A visita termina com a prova de vinhos, que inclui a degustação também do azeite extra virgem que o município também produz e é harmonizada com diferentes queijos de S. Jorge, S. Miguel e Picante da Beira Baixa e a produção da Semear. Esta organização de promoção da inclusão socioprofissional de pessoas com deficiência no sector agro-alimentar tem a sua unidade de produção de agricultura biológica na antiga quinta do Marquês de Pombal. Desses terrenos vão parar às provas na adega doces e compotas, amendoins caramelizados e frutos secos.As visitas guiadas têm diferentes preços consoante o número de vinhos para prova: 15 euros por pessoa com dois vinhos; 24 euros com quatro vinhos e 32 euros com seis. A partir deste mês, passará a ser possível chegar à adega do Palácio e pedir uma destas provas sem ter feito reserva: a prova “Trilogia do Marquês” (três vinhos, 10 euros), segundo Romeu Oliveira, “uma introdução livre e personalizada ao universo do projecto Villa Oeiras”, e a experiência “Quinta Essência” (cinco vinhos, 25 euros) “uma prova cuidadosamente desenhada para revelar a excelência, profundidade e a singularidade do legado vínico de Oeiras”. Estas provas estão disponíveis de segunda a sábado, das 11h às 17h.
A visita à Villa Oeiras inclui os jardins do Marquês de Pombal, “inspirados nos de Versailles”
Rui Gaudêncio
Perde-se nesse caso a riquíssima visita guiada, mas, como às vezes sabe bem improvisar, fica a dica. Essa e outra: na Adega do Palácio há uma loja, aberta no mesmo horário, onde a clientela é recebida com um Carcavelos de honra.









