UE lança estratégia para criar uma economia com base na natureza
A bioeconomia é uma chave da competitividade da União Europeia, diz a estratégia que a Comissão Europeia apresentou nesta quinta-feira, que pretende ser a base para uma nova biotecnologia, em que a circularidade dos materiais é um princípio orientador.“Não é ficção científica, já existe à nossa volta”, disse a comissária europeia do Ambiente e para uma Economia Circular Competitiva, Jessika Roswall.“Num mundo em que procuramos formas mais limpas e inteligentes de viver, a bioeconomia usa recursos biológicos renováveis e tecnologias com base em processos biológicos para enfrentar os desafios actuais”, explicou a comissária sueca, na apresentação da Estratégia para a Bioeconomia – cujo nome oficial é quadro estratégico para uma bioeconomia competitiva e sustentável na UE -, com meta para 2040.Um dos grandes desafios do mundo de hoje é o consumo cada vez mais acelerado de recursos naturais – cada um dos 450 milhões de europeus consome 14 toneladas todos os anos – e a montanha de resíduos que produzimos, cada vez alta: cada habitante da Europa produz cinco toneladas anuais, segundo o relatório quinquenal da Agência Europeia do Ambiente, apresentado em Setembro.Vale 5% do PIB europeuHoje, a bioeconomia europeia cria um valor de 2,7 biliões de euros, dá trabalho a 17,1 milhões de pessoas e corresponde a 5% do valor do Produto Interno Bruto (PIB) da União europeia, disse Roswall no seu discurso, em Bruxelas. E cada emprego nesta área cria três outros empregos indirectos.Pode parecer muito abstracto, mas é fácil tornar as coisas mais concretas. Por exemplo, uma das metas da Estratégia para a Bioeconomia europeia é conseguir que o plástico e outros derivados dos combustíveis fósseis que hoje usamos em grandes quantidades, como os fertilizantes agrícolas, sejam trocados por materiais de base biológica.Plásticos sustentáveisMas, continuando nos plásticos, há uma grande variedade no que poderia ser incluído na definição dos bioplásticos.Alguns plásticos podem ser produzidos a partir de resíduos florestais, da pesca e da aquacultura. E se é possível que sejam biodegradáveis, não é obrigatório que assim seja. Apesar de produzidos a partir de recursos renováveis, é possível que não se decomponham facilmente na natureza. Outros têm base biológica e, embora não sejam biodegradáveis de forma simples, podem ser sujeitos a compostagem e, assim, quebrar o ciclo da poluição.Esta estratégia europeia permitirá definir caminhos e traçar preferências em vários sectores, para termos uma economia mais sustentável, orientada pelos princípios da circularidade.
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biliões de euros é o valor criado pela bioeconomia europeia hoje, que dá trabalho a 17,1 milhões de pessoas
Isto traduzindo o jargão da UE, claro: “A comissão vai criar um quadro regulatório coerente e simplificado que recompense os modelos de negócio circulares e sustentáveis, garantindo os padrões de segurança europeus”. As pequenas e médias empresas terão acesso a apoios para dar escala a processos inovadores, assegurou a comissária europeia.Incentivar o mercadoPara incentivar o mercado da bioeconomia, a estratégia prevê a criação da Aliança para uma Europa de Base Biológica, na qual se espera que as principais empresas europeias assumam um compromisso voluntário de adquirir dez mil milhões de euros em materiais de base biológica até 2030, no seu conjunto. Hoje, 72% das empresas europeias dependem da natureza, diz a Agência Europeia do Ambiente.Aguarda-se ainda a publicação de legislação par regular o sector da biotecnologia, e a Comissão prevê ainda criar um Fórum de Reguladores e Inovadores da Bioeconomia Europeia, “um lugar de intercâmbio de boas práticas relacionadas com a avaliação de risco das novas soluções desenvolvidas com base na natureza”.Este fórum irá coordenar “as acções ao nível nacional e internacional para acelerar autorizações de entrada no mercado e remover barreiras”, diz ainda a Comissão Europeia.










