Padaria Gleba pede restruturação da dívida, que ascende a 12 milhões de euros
A Gleba avançou com um Processo Especial de Revitalização (PER) para negociar a reestruturação de uma dívida que ascende a 12,3 milhões de euros, depois de o forte investimento na expansão da cadeia de padarias artesanais não ter atingido “os objectivos estimados no plano de negócios”, criando “um desequilíbrio em termos de tesouraria”, afirma o fundador, Diogo Amorim, ao PÚBLICO.Na lista provisória de 68 credores, apresentada na semana passada em tribunal pelo administrador judicial que está a coordenar o processo, estão dez bancos, seis centros comerciais, vários fornecedores, o Estado, e os próprios accionistas da empresa.Em destaque, surge a banca, com dívidas reconhecidas no total de cerca de 6,5 milhões de euros, com o BPI (1,22 milhões de euros), o BCP (1,09 milhões) e a Caixa Geral de Depósitos (1,07 milhões) a surgir no topo da lista.No entanto, foram as acções de execução de duas outras instituições financeiras, o Bankinter e o Santander Totta (818 e 210 mil euros, respectivamente), uma das principais razões que levaram a Gleba a submeter o PER há cerca de um mês.“A primeira coisa que fizemos foi reunir com os nossos credores e pedir mais prazo”, recorda Diogo Amorim. “Não houve, da parte de alguns bancos, uma grande abertura ou disponibilidade para reestruturar [a dívida] e, à medida que os processos negociais se foram desenvolvendo, foi-se tornando claro que teríamos de submeter o PER.”O Programa Especial de Revitalização é um processo judicial que se destina a empresas em situação económica difícil, que não conseguem cumprir pontualmente as suas obrigações, ou empresas já em situação de insolvência iminente, e que tem como objectivo implementar negociações entre a empresa e os seus credores, de modo a aprovar um plano de recuperação e promover a revitalização da empresa, enquanto esta continua a sua actividade.Ao PÚBLICO, Diogo Amorim garante que, no caso da Gleba, este “é, sobretudo, um pedido formal de mais prazo para pagar a dívida”, sublinhando a intenção de “pagar 100% daquilo que está em cima da mesa”. E reforça: “Precisamos apenas de mais tempo.”De acordo com o fundador da cadeia de padarias artesanais, fundada em 2016, “houve um excesso de optimismo no plano de negócios”, e os números, embora “bastante positivos” e “a crescer”, “não são tão bons” quanto aquilo que a empresa tinha previsto. Em causa, está o investimento feito na “franca expansão” do negócio nos últimos três anos, que passou de nove para 24 padarias na Grande Lisboa, multiplicando também o número de trabalhadores (actualmente 240).Afirma que “houve algumas derrapagens no que diz respeito à abertura” desses espaços, tanto em prazos de conclusão de obras, como em lojas “que não atingiram os objectivos estimados em termos de vendas”. No entanto, sublinha que as padarias “são rentáveis” e que, “olhando para todos os indicadores financeiros da empresa até à linha do EBITDA [o indicador financeiro que serve para determinar o lucro obtido por uma empresa antes de lhe serem subtraídas despesas financeiras]”, está “tudo bem, saudável e a melhorar”. O que leva o empresário a afirmar que o fecho de lojas “seria contraproducente”, porque “prejudicaria a capacidade de pagar a dívida”. Embora “muito focados na eficiência da organização” e em “não ter custos que não sejam produtivos”, garante não existirem “grandes planos de cortes” em cima da mesa. “Trata-se de continuar a fazer aquilo que temos feito para o negócio maturar, e continuar a aumentar vendas e EBITDA, para diluir a estrutura de custos fixos que foi montada para fazer crescer a organização, e, obviamente, usá-lo para pagar a dívida.”Diogo Amorim acredita que, “nas próximas duas ou três semanas”, terão conseguido chegar a “um entendimento com os principais credores relativamente às condições de reestruturação do PER”, que espera ver homologado “no início do ano”.










