CIÊNCIA

Figueira: Empresa alemã comprou todos os lotes industriais e promete criar 600 empregos

“Isto é uma oportunidade de ouro que nos apareceu. É como se nos tivesse saído a lotaria”. A afirmação é do presidente da Junta de Freguesia de Alhadas, na Figueira da Foz, António José Silva, que por estes dias assiste já ao início dos trabalhos para a instalação de uma indústria de produtos para metalomecânica e mecatrónica. O investimento, avaliado em 50 milhões de euros, é da companhia alemã Hennig, que promete criar, logo numa primeira fase, cerca de 450 postos de trabalho. Porém, “a ideia é crescer até aos 600, segundo o que nos disseram”, adianta o presidente da junta, que acabou de ser eleito em Outubro passado.Quando chegou à junta, António José Silva já sabia que lhe calhara em sorte aquele mega investimento, anunciado em Maio passado, quando a Câmara da Figueira da Foz assinou o contrato de consignação para as infra-estruturas da Área Industrial e Empresarial do Pinhal da Gandra, no Pincho. Mais tarde, soube-se que há mais de um ano que a alemã Hennig mantinha negociações com a Câmara Municipal da Figueira da Foz. Percebe-se assim que o autarca de Alhadas sublinhe o papel de Pedro Santana Lopes, presidente da autarquia, tido como grande responsável por captar este mega investimento para a região. Para lá da freguesia de Alhadas, também as freguesias vizinhas rejubilam com a hipótese de ver “a economia a crescer, a habitação a despontar”, tal como disse ao PÚBLICO Cristina Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de Quiaios.Na Zona Industrial do Pincho moravam algumas empresas, com destaque para uma de metalomecânica e outra ligada à exploração de caulino, até agora as maiores empregadoras. O presidente da junta não sabe ao certo o número de trabalhadores que integram, mas aponta, no máximo, para duas centenas. “Nada se compara ao que aí vem”, sublinha.A segunda fase da infra-estruturação da Zona Industrial do Pincho arrancou no Verão passado. Por esta altura está em execução uma empreitada na ordem dos 4,5 milhões de euros, que compreende diversos trabalhos, permitindo que avance a construção levada a cabo pela Hennig, indústria alemã com mais de 75 anos de existência. O negócio envolveu 11 hectares de lotes de terreno, a totalidade disponível para acolher empresas. Entretanto, o presidente da Junta de Alhadas lembra que a mesma zona industrial vai contemplar também um aeródromo municipal. “Ao que sei foi condição de alguns administradores”, conta ao PÚBLICO, ele que já sonha com a recuperação de “tantas casas velhas que temos na freguesia, porque vamos precisar de muita habitação para quem vier aqui trabalhar”, enfatiza. “Vamos precisar aqui de muita mão-de-obra. Isto é uma grande viragem para a freguesia e para a região toda”, sublinha.De Munique para a Figueira da FozA companhia alemã Hennig foi fundada em Munique em 1950, pelos irmãos Arnold e Kurt Hennig. Desde então que opera no mercado dos elevadores, iluminação e controlos de monitorização inteligente, dedicando-se ao fabrico de motores, geradores e transformadores eléctricos. Até agora a empresa ainda não emitiu qualquer declaração pública sobre as intenções para esta expansão em Portugal, sabendo-se apenas que a laboração deve ter início em Janeiro de 2027. A empresa tem há vários anos ramificações pela Europa, e desta vez incluiu Portugal na sua estratégia de descentralização.De acordo com declarações da vereadora Anabela Tabaçó ao jornal Eco, em Outubro passado, o negócio começou a ser desenvolvido em Setembro de 2024, quando os alemães apresentaram uma manifestação de interesse, na sequência de um contacto inicial com a AICEP. “A empresa veio cá, mostrámos o que estávamos a fazer [na zona industrial] e, desde o início, manifestaram interesse. A localização mesmo ao lado da auto-estrada foi para eles importante”, sublinhou a vice-presidente da Câmara, que tutela, entre outros, os pelouros de urbanismo e sector empresarial local, bem como a coadjuvação no desenvolvimento económico.A procura por terrenos em zonas empresariais tem vindo a crescer naquela região e, por isso, o município da Figueira da Foz está a desenvolver outras três zonas industriais.Contactado pelo PÚBLICO, o presidente da Câmara, Pedro Santana Lopes, disse não ter mais nada a acrescentar sobre este negócio “além do que já é público”. Também a empresa ainda não adiantou mais pormenores sobre este mega investimento.

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