CIÊNCIA

João Vieira Pinto sobre caso de fuga ao fisco: “José Veiga disse-me que íamos ser absolvidos”

O ex-futebolista João Vieira Pinto disse esta terça-feira em tribunal que não se conforma com ter sido condenado pela justiça por fuga ao fisco, a mesma justiça que em 2013 ilibou outros envolvidos no negócio da sua contratação pelo Sporting: o empresário desportivo José Veiga e o presidente da SAD Luís Duque.Vieira Pinto tornou-se assistente no processo Lex, em que se sentam no banco dos réus três antigos juízes do Tribunal da Relação de Lisboa, por suspeitas de terem manipulado a distribuição de vários processos – entre os quais aquele em que ele era arguido. E contou esta terça-feira que, logo aquando da sua condenação e da dos restantes suspeitos de fuga aos impostos em primeira instância, em 2012, José Veiga lhe deu garantias de que a sorte de todos ia mudar depois de recorrerem desta sentença: “Disse para não me preocupar, que íamos todos ser absolvidos.”Não foi ao desembargador Rui Rangel, principal arguido da Operação Lex e antigo candidato à liderança do Benfica, que calhou decidir o recurso vindo do mundo do futebol, e sim a um magistrado que nem sequer é arguido neste caso, Rui Gonçalves. Mas segundo o Ministério Público foi Rangel quem conseguiu, com a ajuda do presidente do tribunal, igualmente arguido no Lex, que o processo fosse parar a este seu colega. Que acabou por ilibar todos os envolvidos à excepção do próprio Vieira Pinto, que até hoje se sente revoltado com a pena suspensa a que foi condenado, e por ter sido obrigado a pagar os impostos em falta. “Ninguém vai desconfiar de um juiz, não é?”, observou na sala de audiências o antigo jogador, recordando o “impacto brutal” que a condenação teve na sua vida, quer ao nível do Sindicato Jogadores quer da Federação Portuguesa de Futebol, onde ainda exerce funções de topo.“Eu não falava inglês nem francês, não conseguia falar com bancos estrangeiros. Não fiz aquilo sozinho”, declarou. “Aquilo” era abrir uma conta fora do país, neste caso no Luxemburgo, como lhe tinham dito José Veiga e o Sporting para fazer, por forma a que o clube escapasse aos impostos que incidiam sobre o seu prémio de assinatura, no valor de 4,2 milhões de euros.Depois de serem conhecidas as suspeitas que impendiam sobre os juízes do Tribunal da Relação de Lisboa, João Vieira Pinto percebeu melhor as palavras que lhe tinha dito José Veiga, e às quais na altura não deu grande importância. Ficou também a saber que o seu processo não havia sido alvo de sorteio electrónico, como era suposto acontecer, tendo o juiz Rui Gonçalves recebido os recursos dos arguidos três meses antes de o processo lhe ser oficialmente distribuído. “Senti-me injustiçado, enganado”, descreveu.Passados tantos anos o fardo ainda lhe pesa sobre os ombros, e antevê que possa mesmo passá-lo aos filhos, pelos quais diz ter resolvido aceitar ir para Sporting em 2000, mesmo tendo convites de clubes estrangeiros que lhe pagavam mais. Mas queria ficar em Cascais, onde de resto ainda mora, para manter as crianças na mesma escola. “Já lhes disse que, se um dia eu já cá não estiver, são eles que vão ter de continuar este processo” judicial, contou o ex-futebolista.

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