Diretora de novelas brasileiras de sucesso, Teresa Lampreia lança livro em Lisboa
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Diretora de novelas brasileiras de sucesso como Terra Nostra, O Clone e Viver a Vida, Teresa Lampreia faz sua estreia na literatura. No próximo 2 de dezembro, ela lança o livro Somos Feitos de Histórias: Entretenimento de Impacto Social e a Vida, Enfim (editora Ipê das Letras), na Livraria Martins, em Lisboa. A obra também terá noite de autógrafos no Rio de Janeiro, onde ela vive atualmente, em São Paulo e em Brasília.Em visita à França e à Itália com a filha, Maria Carolina, 17 anos, antes de chegar a Portugal, a também roteirista, produtora e inovadora cultural diz que está fazendo uma viagem afetiva pela Europa. Teresa morou em Roma com o pai, o diplomata Luiz Felipe Lampreia (1941-2016), e viveu e estudou na capital portuguesa, no período em que Lampreia foi embaixador do Brasil. Essas memórias são contadas no livro, apesar de não ser autobiográfico, como ela frisa.“Como o nome do livro é Somos Feitos de Histórias, e meu pai foi um grande diplomata brasileiro, foi embaixador em Lisboa, e eu estudei cinema na Nova, faço relatos dessa época. É como se a gente estivesse passando por gerações a mesma experiência. Antes disso, vivi em Roma, onde meu pai morou também, porque o meu avô foi diplomata lá. Então, de uma maneira ou de outra, faz parte da minha história. Agora, estou vendo faculdade para a minha filha na Itália”, afirma Teresa. “É uma viagem afetiva, mas com novos planos. A gente atravessa o presente, o passado e o futuro.”
A novela “O Clone”, dirigida por Teresa Lampreia, ganhou vários prêmios pelo mundo
Divulgação/ TV Globo
Diplomacia contemporâneaConsiderada uma das principais vozes da América Latina na defesa do entretenimento de impacto social “como motor de transformação global e instrumento de diplomacia contemporânea”, ela revela que o livro é uma homenagem ao seu pai. “Eu vim realmente de grandes produções como Terra Nostra, O Clone, a minissérie A Casa das Sete Mulheres, que é uma pérola, mas, em 2016, meu pai faleceu, e eu vi que a gente morre e não leva nada. Ali foi uma virada, um turning point. Fiquei deprimida e não sabia o que fazer da vida. Foi quando entendi que eu nasci para contar histórias”, enfatiza.À época, ela, que nasceu em Nova York, mas morava no Rio de Janeiro, se mudou para Los Angeles, nos Estados Unidos. “Para ressignificar a minha vida”, salienta Teresa, que acabou descobrindo um novo mundo. “Fui pesquisando e entendi essa indústria, que me deu um awareness (conhecimento). A USC [Shoah Foundation], de Steven Spielberg, tem uma área só de entertainment para mudança social, então, tudo isso foi me abrindo horizontes”, frisa.A diretora complementa: “Eu tinha uma rede de networking, e americano não é tão tupiniquim. Eles são mais abertos, têm troca. No Brasil, parece que é sempre aquela patota, pessoas que se acham mais importantes que as outras. Mas fui criando laços e já estava negociando com a Universal de fazer uma grande série sobre longevidade, sobre os homens de 70 de agora serem muito mais jovens. Mas veio a pandemia e tudo mudou”.
A minissérie “A Casa das Sete Mulheres” é uma das obras dirigidas por Teresa Lampreia mais celebradas
Divulgação/ TV Globo
Teresa, que levou dois anos para que Somos Feitos de Histórias: Entretenimento de Impacto Social e a Vida, Enfim ficasse pronto, destaca novelas dirigidas por ela que foram importantes para entender o que era “a memória coletiva”: O Clone e Viver a Vida, exibidas, respectivamente, em 2001 e 2009, na TV Globo.“O Clone ganhou um prêmio do FBI (Federal Bureau Investigation) e do DEA (Drug Enforcement Administration), que são órgãos responsáveis pelo controle do tráfico de drogas nos Estados Unidos, pela campanha que a gente fez. O Manoel Carlos (autor de Viver a Vida) levou ao ar uma campanha para pessoas com deficiência, com a personagem da Alinne Moraes. Então, fui entendendo a importância desses trabalhos na transformação da memória coletiva”, comenta.Impacto socialCofundadora e CEO do WhE Play, primeiro canal FAST da América Latina dedicado ao entretenimento de impacto social, com curadoria inspirada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU (Organização das Nações Unidas), Teresa assegura que hoje compreende “que o entretenimento de impacto social é o maior ativo da diplomacia cultural mundial”. E dá exemplos de produções internacionais, mais especificamente, sul-coreanas.“Parasita ganhou o Oscar (de Melhor Filme, em 2020), Round 6 fala do mundo capitalista e de videogames. Vemos como a Coreia investe no entretenimento de impacto social. Aliás, investe bilhões de dólares. Ainda tem os cantores pop. Mas eles entenderam a potência do entretenimento de impacto social enquanto indústria, enquanto movimento global, social e do soft power de retorno cultural”, considera.Ela vai além. “Com o livro, realmente tenho como objetivo ensinar, dar a minha experiência para as pessoas entenderem a potência do entretenimento de impacto social enquanto indústria. Porque são assuntos urgentes, globais. Por exemplo, a ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável] número 1 é fome zero. Então, o que você vai trabalhar em conteúdo de soft power com a fome zero? O que você vai trabalhar com as diferenças de gêneros, com a pessoa com deficiência? Tudo é baseado no pacto global”, finaliza.
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