Como era a caixa de entrada do <em>email</em> de Jeffrey Epstein? Este <em>site</em> dá uma ideia
Dois engenheiros de software norte-americanos transformaram os emails e toda a correspondência de Jeffrey Epstein numa réplica navegável da sua caixa de entrada do Gmail.O Jmail, nome dado ao site, permite a qualquer utilizador percorrer a correspondência do abusador sexual em série como se estivesse a aceder ao seu próprio email.A ideia foi de Luke Igel, engenheiro de software e CEO de uma empresa de inteligência artificial (IA) de edição de vídeo, que considerava os dados divulgados difíceis de ler e interpretar. Igel quis compilar toda a informação num único espaço, mais acessível e de fácil compreensão, relatou à revista Rolling Stone. Foi com a colaboração do amigo Riley Walz, especialista em tecnologia e criação de sites, que a interface hiper-realista foi concebida.O Jmail está configurado de forma quase idêntica ao Gmail, mas com detalhes intencionalmente alterados: um chapéu sobre o “M” de Mail e a saudação “Olá, Jeffrey!”, que surge ao clicar na fotografia de perfil, elementos que lembram ao utilizador que está a navegar numa paródia — e não num clone literal — da plataforma original.Os criadores ponderaram recriar o visual da plataforma na década de 2010, que corresponderia ao período dos emails, mas concluíram que gráficos modernos tornariam a experiência mais “realista e próxima do actual”.
Dentro da plataforma é possível aceder à pasta “recebido”, que conta com 2233 mensagens, e à pasta “enviado”, com 1494 elementos. É também possível utilizar a ferramenta de pesquisa por palavra-chave e navegar por uma variada lista de “contactos”. Esses incluem figuras centrais do círculo de Epstein, entre elas Ghislaine Maxwell, parceira do falecido magnata e condenada pelo envolvimento no recrutamento das vítimas dos abusos sexuais; Michael Wolff, seu amigo e escritor; e Steve Bannon, antigo conselheiro de Donald Trump.Os engenheiros iniciaram o desenvolvimento do projecto às 21h de 19 de Novembro e concluíram a primeira versão à 1h do dia seguinte. Durante esse dia corrigiram alguns erros e bugs, e o site foi lançado na sexta-feira, 21 de Novembro.“Não foi assim tão difícil de construir”, disse Igel à Rolling Stone. “Havia dois passos: extrair os dados muito confusos dos PDF, voltar a colocá-los no formato original — email —, e, depois, construir uma paródia muito fiel do Gmail.”Os emails abrangem um período de dez anos, entre 2009 e 2019, e só foi possível utilizá-los no site porque, a 12 de Novembro deste ano, membros democratas do comité de fiscalização da Câmara dos Representantes dos EUA tornaram públicas cerca de 20 mil páginas de correspondência e documentos relativos a Epstein.










