Administração Trump reduz empréstimos a estudantes de enfermagem? Verdadeiro
A fraseTrump assinou, orgulhosamente, um projecto de lei que reclassifica enfermagem como sendo um curso que ‘não atribui um diploma profissional’ a estudantes universitários.- Morgan Freeman, no X, domingo, dia 23O contextoO actor, produtor e realizador Morgan Freeman fez uma publicação na sua conta do X, antigo Twitter, a apontar o dedo à administração Trump. Na imagem, o presidente norte-americano aparece ao lado da secretária da Educação, Linda McMahon, um momento registado em Março deste ano aquando da assinatura de um decreto com mudanças no Departamento da Educação.Nesta publicação, Morgan Freeman acusa Trump de assinar “orgulhosamente” um projecto de lei que retira enfermagem da lista de cursos que atribuem graus profissionais, o que, consequentemente, limita os empréstimos estatais dados aos estudantes para conseguirem pagar as propinas e outras despesas mensais do curso. Acrescenta ainda, em tom satírico, um recado para o eleitorado de Trump: “A todos os enfermeiros que votaram em Donald Trump… parabéns!”.Nos comentários surgem muitos utilizadores do X descontentes com a publicação, havendo quem recorra à ferramenta de Inteligência Artificial (IA) do antigo Twitter para aferir a veracidade desta acusação.Mas o Grok acaba por criar mais confusão e responde que a informação “não é totalmente precisa”. Acrescenta ainda que “excluir a enfermagem do estatuto de ‘diploma profissional’ é uma regra proposta pelo Departamento de Educação, ainda não finalizada”, estando “prevista para a Primavera de 2026, com efeito a partir de Julho de 2026”. A verdade é que o Departamento de Educação faz parte do Governo, sendo por isso incluído na administração de Trump. Vamos aos factos.Os factosNo âmbito do pacote de alterações fiscais e tributárias conhecido como “One Big Beautiful Bill”, a administração Trump está a levar a cabo uma mudança que visa reduzir a despesa com empréstimos de longa duração para pós-graduações e cursos que atribuem grau profissional.Os empréstimos são atribuídos com base numa lista de cursos que estava presente numa lei de 1965, mas entretanto surgiu um novo projecto de lei, que apesar de considerar essa lista limita-a com uma interpretação literal da legislação anterior.Os cursos de farmácia, odontologia, medicina veterinária, fisioterapia, direito, medicina, optometria, medicina osteopática, podologia e teologia passam a ser os únicos com direito a grau profissional retirando-se a possibilidade – que existia – de outros serem considerados.Esta alteração acaba também com o programa de apoio Grad PLUS loan, que “historicamente ajudou estudantes a seguir carreiras em medicina, direito e outras áreas que exigem formação intensiva”, escreve o USA Today.Na lista de cursos da lei anterior já não constava, de facto, o de enfermagem, como relata a revista Newsweek, mas a lei salientava que a atribuição de grau profissional não “ficava limitada” apenas aos dez cursos referidos directamente. E por isso, durante vários anos o curso de enfermagem teve esse grau como muitos outros cursos não mencionados nessa lista.Ellen Keast, representante do Departamento de Educação, aproveita esse facto. Alega que a lista em causa nunca incluiu enfermagem e sublinha que esta alteração legislativa não teve como objectivo mudar a definição federal de graus profissionais para excluir enfermagem. Porém, omite uma informação essencial: que a lei anterior não impedia a hipótese de ser atribuído o grau a outros cursos não mencionados.Esta medida gerou polémica porque, ao considerar apenas as dez áreas académicas, muitos estudantes deixam de ter a possibilidade de terem acesso a empréstimos para suportar os seus cursos.Assim, os alunos dos cursos abrangidos, como futuros médicos, dentistas e advogados, conseguem apoios até 50 mil dólares por ano, até um limite máximo de 200 mil dólares. No caso dos estudantes de áreas que não são consideradas “profissionais”, os empréstimos estão limitados a 20.500 dólares por ano até um limite total de 100 mil dólares.Estas mudanças têm efeito a partir de 1 de Julho de 2026, isto é, na Primavera do próximo ano e estão a ser criticadas por muitos. Jennifer Mensik Kennedy, presidente da Associação Americana de Enfermeiros, considera, citada pelo WPR News, que limitar o acesso a estes fundos ameaça os fundamentos dos cuidados médicos prestados aos utentes porquanto em algumas regiões do país o acesso a cuidados de saúde depende em larga medida dos enfermeiros.O veredictoTal como acusa Morgan Freeman, a administração de Trump está, de facto, a limitar os apoios aos estudantes de enfermagem, curso que está fora da lista de graus profissionais reconhecidos pelos Estados Unidos.









