CIÊNCIA

25 de Novembro: troca de cravos e rosas brancas marcou as comemorações no Parlamento

O arranjo floral preparado junto ao púlpito da sala da Assembleia da República para a sessão solene evocativa dos 50 anos do 25 de Novembro de 1975, que decorreu nesta terça-feira no Parlamento, era composto por rosas brancas. No entanto, o floreado adquiriu novas cores com o decorrer da comemoração e, entre cravos vermelhos e rosas brancas, o arranjo acabou por juntar todas as flores deixadas por quem discursava.Marcelo Rebelo de Sousa tinha já recordado o “Abril sem o qual não haveria Novembro”, no seu discurso comemorativo, e Inês de Sousa Real, do PAN, aproveitou a sua intervenção no Parlamento para materializar o argumento: colocou um cravo vermelho entre as rosas brancas que enfeitavam o palanque parlamentar, dando início à troca de flores que marcou a sessão comemorativa. “Abril abriu portas, Novembro consolidou-as”, justificou a deputada do PAN.Mais do que o tipo de flor, importa nestas preparações a cor escolhida. O tom branco, além de simbolizar a paz, representa normalmente uma tentativa de “neutralidade”, explica ao PÚBLICO Carla Ferreira, florista da Lírio, no Porto, habituada a preparar arranjos florais para eventos de cariz político no Palácio da Bolsa, acrescentando que a composição em causa, recorrendo apenas a um tipo de flor (a rosa branca), parece vincar essa intenção.


Já os cravos, os da revolução de Abril, que deu origem ao processo revolucionário terminado em Novembro de 1975, carecem de menos explicações. Celeste Caeiro trabalhava num café lisboeta. Em Abril de 1974, a cafetaria fazia um ano desde a abertura e o patrão tinha comprado cravos para distribuir pelos clientes. No entanto, nesse dia não houve trabalho e, para que não se estragassem, os trabalhadores levaram as flores para casa. Pelo caminho, Celeste acabou por distribuir os cravos que trazia pelos militares responsáveis pelo golpe que fez cair a ditadura e, com esse gesto, baptizou a Revolução dos Cravos.Mariana Mortágua discursou depois de Inês de Sousa Real e defendeu mais uma vez a importância primordial do 25 de Abril, acusando a direita partidária de “tentar reescrever a história do país”, não sem antes juntar outro cravo ao que já se encontrava sobre a tribuna.”Novembro não substitui Abril, Novembro completa Abril e tem de ser comemorado”, disse Paulo Núncio no seu discurso. O líder parlamentar do CDS acrescentou, por sua vez, uma rosa branca ao arranjo floral.Jorge Pinto, candidato à Presidência da República apoiado pelo Livre, não quis ficar atrás quando lhe tocou discursar e adicionou um cravo à composição — o terceiro do dia. “Não contem com o Livre para alimentar esta guerra cultural que a direita quer fomentar com o 25 de Novembro”, vincou o deputado.André Ventura aproveitou a intervenção para remover os cravos que contrastavam com as rosas brancas. Retirou dois, esqueceu-se de um, mais escondido entre as folhas de roseira verdes. “Hoje é dia de rosas brancas e não de cravos vermelhos”, reiterou.Finalmente, Pedro Alves, do PSD, iniciou o seu discurso sublinhando que o 25 de Novembro “não é de uns nem de outros, é de todos”. É com essa frase que aproveita para reerguer os cravos escondidos por Ventura, colocando-os de novo sobre a tribuna e garantindo que todas as flores deixadas por quem discursou na sessão solene faziam parte do floreado final.

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