CIÊNCIA

Mais de 100 adolescentes brasileiros revisitam a história do Brasil em Portugal

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A etapa internacional do projeto Era Uma Vez… Brasil encerrou mais uma edição reunindo, entre os dias 6 e 24 de novembro, mais de uma centena de estudantes brasileiros de escolas públicas em Portugal para atividades de intercâmbio cultural, visitas históricas e encontros com alunos da rede pública portuguesa. A ação foi coordenada pela gestora-geral e fundadora do projeto, Marici Vila, diretora executiva da Origem Produções.Criado em 2016, o projeto, segundo os organizadores, já impactou mais de 22,6 mil estudantes (entre inscritos e os que participaram do intercâmbio) em 500 escolas públicas de 35 municípios dos estados da Bahia, de Pernambuco, do Ceará, de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná. A iniciativa une educação, história e cultura e culmina, todos os anos, com a viagem de estudantes selecionados a Portugal para revisitar conexões entre as heranças africanas, indígenas e europeias na formação do Brasil.A viagem a Lisboa é a etapa final do projeto Era Uma Vez… Brasil, um processo que busca oferecer aos jovens uma nova compreensão da história brasileira, com foco em narrativas pretas, quilombolas e indígenas, valorizando perspectivas antirracistas e decoloniais (o reescrever da história de forma mais inclusiva, questionando a ideia de que o pensamento eurocêntrico é superior). As inscrições começam em março, no site do projeto, e a seleção vai até abril, para professores de história e alunos.“Esta viagem é a culminância das etapas realizadas no Brasil, quando os estudantes produzem histórias em quadrinhos e curtas-metragens sobre a participação indígena e afro-brasileira na construção do país”, explica Marici. Os materiais são apresentados em escolas públicas de Lisboa, promovendo trocas entre jovens brasileiros, portugueses e de outras nacionalidades presentes na rede local.


Jovens ficaram impressionados com a opulência das igrejas portuguesas
Ellen Faria

Encontro culturalA gestora destaca o impacto do encontro cultural. “Essas vivências permitem um olhar mais sensível e deslocam a perspectiva eurocêntrica tradicional. É uma oportunidade de desconstrução e construção de novos caminhos para um mundo melhor”, afirma.Neste ano, duas turmas viajaram para Portugal: uma, com 56 alunos e 9 professores, entre 6 e 15 de novembro; e outra, com 54 alunos e 7 professores, entre 15 e 24 de novembro, oriundos de São Paulo, Paraná, Bahia e Pernambuco. Os estudantes, todos os 8º ano, participaram de visitas a palácios, monumentos e museus em Lisboa, Sintra e Mafra, e passaram um dia em escolas públicas portuguesas debatendo história e identidades.


Para muitos estudantes, foi a primeira viagem para fora do Brasil
Ellen Faria

Durante as visitas, muitos jovens se impressionaram ao ver de perto os elementos materiais do período colonial que partiram do Brasil, de acordo com Marici. “O grande choque para os alunos foi encontrar em Portugal toda a matéria-prima: o ouro, a madeira, o luxo dos palácios, das igrejas, das peças de museus. Isso realmente causa um grande impacto neles: ver aquilo que os livros já contavam e a questão exploratória por parte dos colonizadores portugueses. E trabalhamos uma história do Brasil afrocentrada, que valoriza povos originários e narrativas invisibilizadas. Isso fortalece a autoestima desses jovens e amplia sua visão de futuro”, diz.Para muitos participantes, a viagem representou a primeira experiência fora do Brasil, de avião — e, em alguns casos, o primeiro contato com o mar. Marici destaca o caráter transformador: “Esses jovens voltam com novas perspectivas. Já temos ex-participantes, hoje com 23 anos, cursando história e afirmando que o projeto mudou suas vidas”.As vozes dos estudantesA experiência marcou quem participou da edição 2025. Uma delas foi Maria Júlia Brandão da Silva, de 14 anos e estudante de Ribeirão Preto, São Paulo. “Pude visitar palácios, castelos e monumentos e ouvir dos guias a visão deles sobre a colonização. Também conheci pessoas incríveis nas escolas e pude comparar diferenças sociais entre Brasil e Portugal. As amizades que fiz, inclusive com colegas de outros estados do Brasil, foram uma incrível troca cultural”, afirma.Também de Ribeirão Preto, Isabela Martins, 14, destaca a importância das discussões nas escolas portuguesas: “Achei muito interessante ver como os portugueses aprendem sobre a colonização. Para eles, foi apenas uma colonização; não se fala das consequências”. Nas visitas aos museus e palácios, diz ela, parecia que faziam uma volta no tempo e podiam entender como a vida da realeza influenciou esse processo.
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