IL anuncia voto contra um orçamento “ganancioso” que “engana” o país
“Pouco ambicioso” para o país e “muito ganancioso para o Estado”. Foi assim que a presidente da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, deu início à conferência de imprensa ao final da manhã desta segunda-feira para anunciar — e ao mesmo tempo justificar — o voto contra do partido ao Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). Para a liberal, o documento apresentado pelo Governo “no fundo, engana os portugueses” e “não dá qualquer resposta” aos problemas do país: “Não baixa impostos (…), adia as reformas que são essenciais e não prepara o futuro porque continua a gastar mais, a adiar decisões e a viver de propaganda.”A líder dos liberais anunciou que o partido vai votar contra o documento na generalidade. “Vamos obviamente apresentar, em sede de especialidade, as propostas que acreditamos que colocam o país no rumo certo, mas não podemos ter outro sentido de voto neste momento na generalidade, de um orçamento no qual não nos revemos”, disse em declarações transmitidas pela RTP Notícias.A deputada quis elencar o que entende serem “ilusões” apresentadas no OE2026. Uma delas é a descida de impostos, que diz ser “falsa”: “O próprio relatório do orçamento prevê um aumento de 336 milhões de euros na receita fiscal”. Em declarações transmitidas pela SIC Notícias, Mariana Leitão acrescentou que a proposta do Governo mexe nos escalões de IRS, “mas não o suficiente para neutralizar o aumento dos salários”. “Mesmo quando finge reduzir, o Governo cobra mais. É o truque habitual: chama-lhe alívio, mas na prática cobra mais”, destacou.Mariana Leitão disse ainda que “este orçamento ignora os acordos assinados com a concertação social em 2024” e acusa o executivo liderado por Luís Montenegro de não ter medidas para resolver a crise na habitação. “As medidas que o Governo apresentou como um suposto choque de oferta estão completamente fora deste orçamento”, argumentou. “Isto significa que as reduções de IVA, as deduções no arrendamento, são promessas vagas, adiadas para 2027, na melhor das hipóteses. Quem quer investir, espera. Quem precisa de casa, continua sem solução”, afirmou.”O resultado é sempre o mesmo: anunciam muito, fazem muito pouco”, criticou Mariana Leitão.Governo sem ambição e sem rumo, defendeA líder dos liberais continuou a indicar as “dez ilusões” que entende estarem presentes no OE2026. “Estamos a reformar o Estado, diz o Governo. Mais uma vez, é falso”, insiste a presidente da IL, argumentando que da “fusão das [oito] secretarias-gerais e organismos públicos” anunciada, “só quatro foram fundidas”. “Resultado: o orçamento destas secretarias aumentou 240 milhões de euros, mais 22%. O Governo prometeu poupar 23 milhões e gastou mais dez vezes do que isto”, disse, falando ainda num aumento do número de funcionários públicos.Mariana Leitão diz ainda que o argumento de que “Portugal está a investir com ambição é falso” porque “o investimento público depende cada vez mais do dinheiro europeu”, referindo-se a fundos europeus como o PRR que “nem é capaz de executar”.Quanto a “grandes projectos estratégicos” como a ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid, o novo aeroporto de Lisboa ou o Parque Cidades do Tejo, descreve-os como “um novo ciclo de powerpoints a serem apresentados em catadupa”. A presidente da IL acusou ainda o Governo de desistir da meta de baixar o IRC para 15%, da descida do IRS em dois mil milhões de euros até 2029 e diz que o crescimento económico projectado “caiu”.”Esta Governo não só não tem ambição, como também não tem rumo”, considerou Mariana Leitão, recusando também que o orçamento seja “rigoroso” porque “está cheio de artigos copiados de anos anteriores” e “leis revogadas há 15 anos que continuam no texto”. “Isto não é rigor orçamental, é displicência”, defende, e diz até que “em algumas matérias, [o documento] consegue ser ainda pior do que orçamentos apresentados pelo PS.Por fim, a liberal entende que o documento “é um orçamento para gerir o presente, para tentar enganar o país” e não para o futuro: “Não devolve rendimento, não reforma o Estado, não desbloqueia casas.”










