Ataque israelita mata cinco pessoas em Gaza e intensifica dúvidas sobre o cessar-fogo
Novos ataques aéreos israelitas mataram cinco pessoas e feriram outras 18 em Khan Younis, no Sul da Faixa de Gaza, nesta quinta-feira, informaram autoridades de saúde locais, depois de o Hamas e Israel se acusarem mutuamente de violar a trégua, cada vez mais frágil, que durava há quase seis semanas.Médicos afirmaram que um ataque a uma casa na cidade de Bani Suhaila, a leste de Khan Younis, matou três pessoas, incluindo uma criança, e feriu outras 15, enquanto outro ataque matou um homem e feriu outros três na cidade vizinha de Abassan. As Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram os ataques, mas sem confirmar a existência de vítimas.Mais tarde na quinta-feira, funcionários do Hospital Nasser afirmaram que um quinto palestiniano foi morto por tiros israelitas também na cidade de Abassan.Na quarta-feira, Israel confirmou ter atacado alvos em todo o enclave depois de membros do grupo militante palestiniano ter, alegadamente, disparado contra as as tropas israelitas. As equipas médicas em Gaza afirmam que pelo menos 25 pessoas morreram — o maior número desde 29 de Outubro, quando morreram cerca de 100 pessoas.O Hamas considerou os ataques um avanço perigoso e instou os mediadores árabes, a Turquia e os Estados Unidos, que negociaram o cessar-fogo, a intervir.Numa declaração emitida na quinta-feira, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, acusou Israel de alterar os limites que definem as áreas que Israel ainda ocupa, violando os mapas outrora acordados, o que mantém, assim, Israel no controlo de mais de 50% das áreas do enclave.Moradores do subúrbio de Shejaia, na parte leste da cidade de Gaza, disseram à Reuters que as barricadas amarelas que demarcam as áreas ainda sob controlo de Israel foram movidas 100 metros para oeste. Não houve comentários imediatos de Israel sobre o posicionamento das marcações.Cessar-fogo aliviou conflito, mas ataques continuamNo subúrbio de Zeitoun, na cidade de Gaza, onde pelo menos dez pessoas foram mortas na quarta-feira num edifício que abrigava famílias deslocadas, os palestinianos vasculharam os escombros para resgatar móveis e outros pertences, enquanto equipas de resgate procuravam por mais vítimas.“Eles dizem que há um cessar-fogo, mas eu duvido. Dia após dia, dizem que há um cessar-fogo, o que é completamente falso”, disse Akram Iswair, morador de Zeitoun, na quinta-feira. “Os mísseis atingiram os deslocados, cidadãos pobres. O que podemos nós, as nossas mulheres e as nossas famílias fazer?”, disse à Reuters.O cessar-fogo de 10 de Outubro na guerra de dois anos em Gaza atenuou o conflito, permitindo que centenas de milhares de palestinianos regressassem às ruínas de Gaza. Israel retirou as tropas das posições que ocupavam na cidade e o fluxo de ajuda humanitária aumentou. Mas a violência não cessou por completo. O Hamas tem procurado reafirmar-se, alguns estão preocupados com uma divisão de facto do território e as condições são terríveis.As autoridades de saúde palestinianas dizem que as forças israelitas mataram 312 pessoas em ataques a Gaza desde a trégua. Israel, por sua vez, afirma que três dos seus soldados foram mortos desde o início do cessar-fogo e que atacou dezenas de combatentes.
Este conflito do Médio Oriente ganhou uma nova dimensão depois de, a 7 de Outubro de 2023, militantes liderados pelo Hamas terem matado 1200 pessoas, a maioria civis, e feito 251 reféns num ataque ao sul de Israel. A ofensiva de retaliação de Israel matou, segundo as autoridades de saúde em Gaza, mais de 69 mil palestinianos.Nos termos da trégua, o Hamas libertou todos os 20 reféns vivos mantidos em Gaza em troca de quase dois mil prisioneiros palestinos e detidos de guerra mantidos por Israel.O Hamas também concordou em entregar os restos mortais de 28 reféns mortos em troca dos corpos de 360 militantes palestinos mortos na guerra. Até agora, foram entregues os restos mortais de 25 reféns. Israel devolveu 330 corpos de palestinianos, de acordo com o Ministério da Saúde do território.










