CIÊNCIA

A vacinação contra a covid-19 não é de ontem, é contra os problemas de amanhã

A pandemia de covid-19 deixou ao mundo uma lição inquestionável: a saúde não é apenas uma responsabilidade individual, a saúde é um bem coletivo e um compromisso partilhado.A proteção contra uma doença contagiosa e potencialmente grave depende, em igual medida, da consciência pessoal e da cooperação social. E, neste enquadramento, a vacinação continua a ser a ferramenta mais eficaz de prevenção em saúde, ao conferir proteção individual, reduzir a transmissão comunitária e, simultaneamente, ajudar a conter novas variantes.A compreensão da importância e conhecimento das diferentes vacinas disponíveis, além do seu perfil de segurança e eficácia, constituem fatores essenciais para reforçar a confiança pública e consolidar os ganhos alcançados em saúde nos últimos anos. A vacinação é, acima de tudo, um pilar de equidade, uma vez que, cada pessoa vacinada contribui para proteger os grupos mais vulneráveis: idosos, pessoas imunossuprimidas, doentes crónicos e comunidades com acesso limitado a cuidados de saúde.Portugal tem razões legítimas para se orgulhar dos resultados alcançados na vacinação sazonal contra a gripe. No último inverno, fomos o terceiro país da União Europeia com maior cobertura vacinal (71%), apenas ficando atrás da Dinamarca (76%) e da Irlanda (75%). Num continente em que a maioria dos países não ultrapassa os 50% de cobertura, estes dados, divulgados pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), representam mais do que estatísticas: traduzem um exemplo de compromisso cívico e confiança na ciência, demonstrando que as metas de saúde pública são alcançáveis quando existe mobilização coletiva em torno da prevenção.Este ano, e já no segundo mês da campanha de vacinação sazonal, cerca de 1,9 milhões de pessoas foram vacinadas contra a gripe. Trata-se de um número encorajador, mas que exige continuidade e determinação. Contudo, quase metade das pessoas que se vacinaram contra a gripe não o fizeram contra a covid-19, apesar de o SARS-CoV-2 continuar a circular com taxas de positividade crescentes em vários países europeus e em outras regiões do mundo. De acordo com o ECDC, esta realidade reforça a necessidade de intensificar a vacinação, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis.No contexto da medicina do viajante, a questão da vacinação assume uma importância muito relevante. Com o crescimento do turismo internacional e dos movimentos migratórios, os agentes infeciosos também viajam connosco e a prevenção continua a ser a nossa maior aliada. A vacinação é, neste contexto, uma ferramenta de saúde global, que protege comunidades, contribui para reduzir desigualdades no acesso à saúde. Reforçar a vacinação de viajantes e migrantes, fortalece a vigilância epidemiológica e promove um mundo mais seguro e solidário.


Mas a vacinação não depende apenas da disponibilidade de vacinas: depende também de uma informação clara, acessível e credível, capaz de esclarecer dúvidas, contrariar a desinformação e reforçar a confiança dos cidadãos na ciência. É por isso essencial desmistificar ideias que se enraizaram ao longo dos anos e comunicar melhor sobre a ciência por detrás das vacinas (os diferentes tipos de vacinas, os mecanismos de ação e a sua eficácia comprovada).Hoje, cinco anos após o início da pandemia, assistimos a avanços na investigação científica que permitiram o desenvolvimento de novas vacinas, recorrendo a tecnologias de última geração, que verificam imunidade mais duradoura, proteção alargada contra múltiplas variantes, melhor tolerabilidade e menor reatogenicidade. Destacam-se aqui, as vacinas baseadas em tecnologia proteica, que proporcionam uma resposta imunitária robusta e sustentada, com reduzidos efeitos adversos e excelente perfil de segurança.Estas opções ampliam significativamente as possibilidades de proteção, garantido que cada pessoa (independentemente da idade, condição clínica ou experiência prévia com vacinas) possa beneficiar de uma solução eficaz e mais adaptada às suas necessidades. São vacinas que podem ser administradas em simultâneo com a vacina da gripe, sem comprometer a resposta imunológica, com uma importante vantagem prática de otimizar a proteção durante os meses de maior risco.Vacinar transforma um esforço coletivo em saúde e não é apenas um gesto do presente: é um ato de responsabilidade e um investimento no futuro. É proteger-se a si, aos outros, consolidar os progressos de saúde conquistados e garantir que a ciência continue a salvar vidas, silenciosamente, todos os dias.A autora escreve segundo o acordo ortográfico de 1990

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