TECNOLOGIA

Obra de Klimt torna-se a segunda mais cara vendida em leilão por 204 milhões de euros

O retrato de uma mulher envolta num robe chinês feito por Gustav Klimt no princípio do século XX tornou-se na noite de terça-feira a segunda pintura mais cara vendida num leilão.O martelo da Sotheby’s em Nova Iorque assinalando a venda, após uma disputa de 20 minutos, bateu quando a obra atingiu os 236,4 milhões de dólares (203,97 milhões de euros), comissões incluídas. A pintura realizada pelo pintor austríaco entre 1914 e 1916 chegou à praça com uma estimativa de venda de 150 milhões, um valor muito inferior àquele pelo qual acabaria por ser arrematada.A pintura que retrata de corpo inteiro a jovem Elisabeth Lederer, filha dos patronos mais importantes de Gustav Klimt, nunca tinha ido à praça, assinalava a Sotheby’s antes do leilão. Chegou à Sotheby’s em Nova Iorque, agora instalada no edifício Breuer, antiga sede do Whitney Museum, vinda da colecção de Leonard A. Lauder, um dos herdeiros do gigante da cosmética Estée Lauder, que morreu em Junho deste ano, lembra o New York Times, sublinhando como o recorde para uma obra de Klimt veio animar o deprimido mercado dos leilões, que no ano passado registou uma queda de 12%.August e Serena Lederer, um casal judeu que vivia em Viena, encomendaram o retrato da filha em 1914, adquirindo-o em 1916, conta a Sotheby’s na informação que disponibiliza sobre a proveniência da obra. A colecção dos Lederer, que chegou a juntar o maior número de obras de Klimt, foi das primeiras a serem confiscadas pelos nazis na Áustria anexada por Hitler, logo em 1938.


No Retrato de Elisabeth Lederer a jovem modelo aparece envolta num manto chinês imperial, reflectindo o gosto do modernismo pelas culturas orientais
Cortesia Sotheby’s

Dez anos depois, após a derrota do nazismo e o fim da Segunda Guerra Mundial, a pintura seria restituída a Erich Lederer, em Genebra (Suíça), filho de Serena Lederer e irmão de Elisabeth, falecida em 1944. Em 1983, foi vendida pela família à Serge Sabarsky Gallery, em Nova Iorque, onde Leonard A. Lauder a adquiriu em 1985. Esteve 40 anos na casa da Quinta Avenida do filho mais velho de Estée e Joseph Lauder.Este é o segundo de três retratos que Gustav Klimt (1862-1918), expoente do modernismo austríaco, movimento conhecido como Secessão Vienense, dedicou às mulheres da família Lederer. “Talvez mais do que qualquer outro trabalho de Klimt, celebra o conhecimento e o fascínio pela arte chinesa”, descreve o site da leiloeira. A primeira desta série de pinturas foi dedicada à mãe de Elisabeth: o Retrato de Serena Lederer (1899), hoje exibido no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque. Mais tarde, em 1917, um ano antes de morrer, Klimt faria ainda o retrato da mãe de Serena, Charlotte Pulitzer.No Retrato de Elisabeth Lederer, a jovem vestida de branco surge envolta num manto chinês imperial, espelhando o gosto do modernismo pelas culturas orientais. Na parte superior da tela, Elisabeth ​está rodeada por pequenas figuras da cultura chinesa, que flutuam na superfície azul do fundo da pintura.Entre o retrato da mãe e o da filha, Gustav Klimt desenvolveu o estilo que o tornou um dos pintores mais amados e reconhecidos pela história da arte, e de que Adele Bloch-Bauer I e O Beijo serão as obras mais celebradas. O retrato de Adele foi comprado em 2006 por Ronald S. Lauder, irmão do dono do retrato de Elisabeth agora vendido, na sequência de uma das mais rocambolescas histórias de devolução de um quadro saqueado pelo regime nazi, mais tarde contada num filme protagonizado por Helen Mirren.Seis pessoas disputaram a pintura no leilão de terça-feira à noite, segundo o relato pormenorizado do New York Times — mais de 19 minutos, contabilizou o jornal —, que acrescenta que a Sotheby’s não revelou a identidade do comprador.A obra mais cara vendida em leilão até hoje, recorda também o jornal, foi a pintura Salvador Mundi, de Leonardo da Vinci, que atingiu os 450,3 milhões de dólares (com comissões), na Christie’s, em 2017, numa venda polémica que continua envolta em mistério. O retrato de Elisabeth Lederer também ultrapassou o recorde anterior de uma obra de Klimt num leilão, estabelecido em 2023, com aDama com Leque. O irmão de Leonard A. Lauder pagou 135 milhões de dólares na venda privada de 2006 pelo Retrato de Adele Bloch-Bauer I, o que corresponderia a cerca de 217,5 milhões de dólares aos preços actuais. Em 2016, também numa transacção privada, Oprah Winfrey vendeu Adele Bloch-Bauer II por 150 milhões de dólares a um coleccionador chinês.No total da primeira noite, a venda da colecção de Leonard A. Lauder arrecadou 527,5 milhões de dólares. O lote incluía outros quadros de Klimt e uma retrete em ouro do artista Maurizio Cattelan, vendida por 12,1 milhões de dólares: a decepção da noite, no relato do jornal norte-americano.

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