CIÊNCIA

Porto está a remover “cabos mortos” das fachadas, mas o processo ainda está no início

Por agora, já foram removidos, pelo menos, o equivalente a pouco mais de um quilómetro de cabos que, apesar de já não servirem para nada, continuam agarrados a muitos dos edifícios da Baixa portuense. Mas mais serão retirados. Esta acção, realizada no âmbito do programa municipal Bairros Comerciais Digitais, decorreu na semana passada, mas vai continuar. Há mais uma acção marcada até ao final do ano.Esta foi a primeira etapa e começou pela Rua de 31 de Janeiro, artéria da cidade que liga a Praça da Liberdade, passando por uma pequena parte de Sá da Bandeira, à Rua de Santa Catarina, a maior rua comercial do Porto. Até Dezembro, será também intervencionada a Rua de Fernandes Tomás, a cerca de dez minutos a pé do primeiro local escolhido para começaram os trabalhos de remoção de “fios mortos”. Falta conhecer que outras ruas se seguem.Nesta primeira fase já se sabe qual é a extensão de cabos que foram retirados das fachadas. Questionado pelo PÚBLICO, o gabinete de comunicação da Câmara Municipal do Porto (CMP) diz que só “quando começar a intervenção” na Fernandes Tomás será possível “ter uma ideia de quantos quilómetros de cablagem irão ser retirados”.Estes trabalhos, segundo a mesma fonte, serão para continuar noutras artérias e estão a ser realizados como parte do projecto Baixa Digital, “financiado pelo PRR e liderado pela Câmara Municipal do Porto”. O âmbito do mesmo “inclui o processo de expansão da rede de fibra óptica da cidade”. E isso vai permitir “criar as condições para a migração da infra-estrutura de telecomunicações (fibra óptica) das fachadas dos edifícios para o subsolo”, explica a autarquia.Para que seja possível levar este plano avante, nestas duas ruas e noutras, a Porto Digital, responsável pela gestão desta operação, “convocou as operadoras de telecomunicações a contribuir para este processo, começando por remover infra-estrutura obsoleta ou inactiva, com o objectivo de retirar toda a cablagem visível das fachadas”. Esse esforço, como já foi referido, “implica a existência de infra-estrutura no subsolo” e, ao mesmo tempo, “uma rede de telecomunicações interna nos edifícios”.Até ao final do ano, na Rua de Fernandes Tomás, à imagem do que aconteceu na Rua de 31 de Janeiro, “irá ser removida toda a cablagem obsoleta ou inactiva”. Actualmente, adianta a CMP, está a ser feito o “levantamento de que cablagem é possível ser removida”. “Quando começar a intervenção conseguiremos ter uma ideia de quantos quilómetros de cablagem irão ser retirados”, lê-se na resposta que chegou ao PÚBLICO.A Câmara do Porto investiu no programa Bairros Digitais, apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cerca de 1,9 milhões de euros. O PÚBLICO não conseguiu saber qual é o montante total do investimento. Este programa está a ser levado a cabo na Baixa e no quarteirão de Miguel Bombarda, onde também deverão realizar-se trabalhos de remoção de cabos inactivos das fachadas.Lisboa com avançoÀ espera de se saber quantos quilómetros de cabos que já não servem para nada vão ser removidos no Porto, há cidades que já fizeram as contas de trabalhos semelhantes ainda em curso.Na capital, o programa Lisboa sem Fios já retirou “mais de 33 quilómetros de cabos e equipamentos inactivos”, segundo é avançado pela autarquia. Na mesma nota partilhada pela câmara lisboeta há cerca de dois meses, lê-se que foram intervencionados “cerca de 290 edifícios em várias zonas da cidade”. A meta será, no “final de 2025”, chegar “aos 82 quilómetros de cabos removidos”.O programa Lisboa sem Fios arrancou em Dezembro de 2023, depois já de ter sido prometido ainda em 2017. Desde o seu início foram concluídas “dez intervenções na Avenida da Igreja, Avenida Fontes Pereira de Melo, Largo do Calvário e das Fontainhas, Largo de Santos, Parada do Alto de S. João, Largo de S. Sebastião, Bairro Azul, Rua dos Bacalhoeiros, R. do Ouro e R. dos Sapateiros”.

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