PANGEA CULTURAL

3 razões que fazem de ‘Os Donos do Jogo’ a melhor série nacional do ano

Estrelada por André Lamoglia na pele do mafioso Profeta, a série Os Donos de Jogo rapidamente se tornou um fenômeno na Netflix, alcançando o top 10 de séries mais vistas em 47 países desde sua estreia, no fim de outubro. Criação de Heitor Dhalia, Bernardo Barcellos e Bruno Passeri, a produção explora os bastidores dos chefões do jogo do bicho no Rio de Janeiro, universo que tomou as telas nos últimos anos, mas ganhou um charme extra na série. Confira a seguir três razões que explicam o sucesso da produção, que já tem uma segunda temporada confirmada. 
Máfia com cores brasileiras
Tramas sobre mafiosos são um subgênero prolífico e bem-sucedido da ficção criminal ao redor do globo. O Brasil, porém, não tem uma tradição nessa área – ou pelo menos não tinha. Os envolvidos com o jogo do bicho e apostas em geral que há décadas se mesclam com a paisagem, o poder e o crime no Rio de Janeiro, e que agora ganharam a TV, são figuras com códigos morais muito parecidos com mafiosos italianos e irlandeses, por exemplo. Há um rigor estético nas roupas, nos modos e nas joias exageradas, que os destacam entre os demais. Família deve vir em primeiro lugar – ou pelo menos deveria. Ao contrário da truculência do mundo do crime organizado e do tráfico de drogas, os criminosos nesse caso se colocam como protetores de trabalhadores, de artistas e até de atletas, fazendo com que as cenas de violência sejam mais calculadas e inesperadas. 

IRMANDADE – A cúpula fictícia da jogatina na série: dos velhos bilhetes às máquinas caça-níqueis (Marcos Serra Lima/Netflix)

Sem o velho didatismo dos roteiros brasileiros
Há um cacoete antigo nos roteiros nacionais advindo da produção de novelas: trata-se do excesso de didatismo ao narrar uma história, explicando até mesmo o que está óbvio. Os Donos do Jogo consegue a proeza de se libertar desse erro. Há sim momentos que destrincham o passo a passo do que está por acontecer, mas sem subestimar o espectador. Ajuda também o ritmo acelerado, com muitos acontecimentos e conexões, que fazem com que o essencial seja entendido a partir de cenas fortes ou diálogos intensos. 

BASTIDORES - Juliana Paes: o papel das mulheres no mundo das apostas (Marcos Serra Lima/Netflix)

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Meio Shakespeare, meio novela
A sucessão de poder hereditário, a briga entre irmãos e irmãs, a sabotagem e a traição são temas comuns nas peças do maior dramaturgo da história, ninguém menos que William Shakeaspeare. Não à toa, a série padrão ouro de mafiosos, Os Sopranos, é assumidamente influenciada por tramas como Hamlet e Macbeth. O mesmo se dá com a produção brasileira, mas com um tempero palatável para quem curte um novelão. Os segredos de Leila, vivida por Juliana Paes, as intrigas entre o casal principal interpretado por Lamoglia e Mel Maia, são alguns exemplos folhetinescos que ajudam a deixar a série mais fácil de ser vista.

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