CIÊNCIA

Em Alcântara, filmes das mulheres que ajudaram a inventar o cinema

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Para a maioria das pessoas, a criação em cinema é um feito de homens. Pouco se fala, mesmo em livros da história do audiovisual, da contribuição das mulheres. Só que, na realidade, as mulheres tiveram um papel importante na inovação. O primeiro filme de ficção da história foi concebido e dirigido por mulheres. O primeiro filme em que Carlitos aparece em cena teve direção de uma mulher. Foi uma mulher que criou o primeiro filme de ação.Estes três filmes — curtas-metragens — estarão na sessão desta terça-feira, na Biblioteca de Alcântara, em Lisboa, uma organização do Cineclube Levante, que é formado por quatro brasileiros. São filmes mudos, exibidos pela primeira vez de 1906 a 1914.A descoberta das cineastas ocorreu durante os estudos de Manuela Castilho. “A mim, incomodava que parecesse normal não haver mulheres na história do cinema. Foi mencionado em uma aula que o primeiro filme de ficção foi feito por uma mulher”, conta Manuela.A diretora do filme foi a francesa Alice Guy. “Ela assistiu à primeira sessão do filme dos irmãos Lumière e percebeu as possibilidades narrativas dessa forma de expressão”, relata Manuela. O filme A Saída dos Operários da Fábrica Lumière em Lyon foi exibido pela primeira vez em 1895.Em 1906, Alice fez seu primeiro filme, com o título Os Resultados do Feminismo. Com 13 minutos, traz uma visão irônica do que seria um mundo dominado por mulheres, em que elas ficariam fumando sentadas, enquanto os homens estariam cuidando da casa.O segundo filme é Suspense, de Lois Weber, feito nos Estados Unidos, com dez minutos de duração. “É o primeiro filme de ação da história do cinema. Uma mulher está em casa com seu bebê e um homem tenta invadir a casa. Ela liga para seu marido e fala pelo telefone, enquanto isso acontece”, relata Manuela.O terceiro filme tem como título A Vida de Casada de Mabel, foi dirigido por Mabel Normand e é de 1914. Com 15 minutos de duração, é a primeira vez que aparece Charlie Chaplin com a roupa e a figura que o celebrizou. “Uma mulher está em um parque e é assediada por um homem. Ela fala ao marido, que não acredita e acha que foi ela que provocou o assédio”, explica Manuela.Outras atividadesO cineclube é apenas uma das iniciativas do Levante Cultural, que divide as suas atividades pela Biblioteca de Alcântara e pela Casa Capitão, no Beato. O Levante a Voz busca discutir filmes em processo de criação, com um debate sobre que caminhos pode tomar, com teste de tela. Há a Oficina, um laboratório de criação de roteiros.A terceira iniciativa é o podcast Mulheres Cineastas. Neste momento, a primeira temporada, com seis episódios, trata dos filmes feitos por mulheres entre 1896 e 1929. A segunda temporada, que será lançada no início do próximo ano, vai centrar-se no período entre 1930 e 1945.Também há um concurso de roteiros, o Guiação. As inscrições encerram dia 20 de novembro e devem ser roteiros de filmes escritos por imigrantes. Os três roteiros selecionados serão lidos em público na Casa Capitão, no dia 14 de dezembro. “Quem vai fazer a leitura serão atores. Será a oportunidade para ver se o guião funciona”, conclui Manuela.

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