CIÊNCIA

Um trio de castas durienses num tinto fresco do Alentejo

Madalena Vidigal é formadora, consultora, comunicadora especializada em enoturismo e “agora” também produtora de vinho. Ela e a família, que a desafiou a fazer vinho da quinta que adquirira em 2010, em Nossa Senhora de Machede, concelho de Évora, esperaram 13 anos para lançar o produto dos três hectares de vinha onde haviam plantado um trio de castas improváveis a Sul: Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão. O pai é de Lisboa, mas viveu algum tempo no Alentejo, e “ter um pedaço de terra” na região era um sonho antigo, conta a filha.“Na altura, em 2013, a nossa preferência de vinhos portugueses era, de facto, o Douro, com predilecção pela casta Sousão. Achámos que a combinação de Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão ia trazer ao Alentejo uma frescura, acidez e longevidade que até então não encontrávamos nos vinhos produzidos com as castas típicas regionais”, justifica Madalena, que, por causa do investimento dos pais, se meteu a tirar uma pós-graduação em Viticultura na Universidade de Évora.O “grande pedregulho de granito cinzento e amarelo” onde a mãe se sentou, estes anos todos, à espera que a vinha ganhasse maturidade, serviu de inspiração ao baptismo deste Pedra da Mãe tinto, um vinho frutado, com corpo, mas ao mesmo tempo leve.A família vinificou uma barrica em 2015, 2016, 2017 e 2019, para ir bebendo com os seus. E a restante uva ia vendendo a outros produtores. Até que chegou “o ano vitícola em que tudo foi favorável à produção de uvas com qualidade”, 2021, e com ele a decisão de engarrafar para lançar no mercado.Foi feito em parceria com a Sociedade Agrícola da Perescuma, na Vendinha, e tem enologia de Joana Silva Lopes e Diogo Grilo. É um tinto que cheira a floresta e a fruta negra e silvestre e que tem um balsâmico muito fresco. Na boca, oferece refrescante e picante acidez, a tal fruta (amora), que quase mastigamos, taninos polidos e elegantes, mas bem presentes, de resto a marcar a prova, a par do seu final de boca fresco. E longo. Prazeroso e leve, de facto (só tem 13% de álcool). Sem excessos, de barrica ou de madureza, melhora depois de alguns minutos no copo. E é bom garfo, gosta de (pede) comida.Precisamente em 2021, Madalena e a família começaram a converter a vinha para modo de produção biológico, a certificação chegou este ano. Mesmo que o vinho fosse de 2025, a produtora não poderia ostentar esse “selo” no rótulo, uma vez que vinifica fora, mas o Pedra da Mãe tem também essa virtude de ser fruto de videiras cuidadas segundo práticas de “agricultura sustentável”.

Nome Pedra da Mãe Reserva Tinto 2021
Produtor Madalena Vidigal;
Castas Sousão, Touriga Nacional e Touriga Franca
Região Alentejo
Grau alcoólico 13%
Preço (euros) 24,95
Pontuação 92
Autor Ana Isabel Pereira
Notas de prova É um tinto que cheira a floresta e a fruta negra e silvestre e que tem um balsâmico muito fresco. Na boca, oferece refrescante e picante acidez, a tal fruta (amora), que quase mastigamos, taninos polidos e elegantes, mas bem presentes, de resto a marcar a prova, a par do seu final de boca fresco. E longo. Prazeroso e leve, de facto (só tem 13% de álcool). Sem excessos, de barrica ou de madureza, melhora depois de alguns minutos no copo. E é bom garfo, gosta de (pede) comida.

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