Presidente de Israel não exclui perdoar Netanyahu
A carta do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao seu homólogo de Israel, Isaac Herzog, está a ser vista como um novo ímpeto para uma campanha para que este perdoe o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu – uma campanha que tem algumas hipóteses de ter sucesso, com o Presidente a já ter defendido antes o fim do processo na sua forma actual, segundo o diário Haaretz.Trump tinha abordado uma sugestão de um perdão presidencial a Netanyahu no seu discurso no Knesset há cerca de um mês, quando o cessar-fogo na Faixa de Gaza tinha sido declarado há dias, e os 20 reféns israelitas ainda vivos que estavam no território voltavam a casa.Nesta quarta-feira, Trump enviou uma carta a Herzog para fazer este pedido. Recebeu uma resposta dizendo que para um perdão era preciso serem seguidos certos passos formais, como um pedido da pessoa visada, uma resposta que foi vista como deixando espaço esta possibilidade.O diário Haaretz diz que esta carta foi enviada depois de, ainda nesta semana, membros da coligação governamental terem feito o mesmo apelo a Herzog, e que este parece aberto à ideia. Antes, Herzog tendo mesmo abordado famílias de reféns propondo-lhes que promovessem a ideia em público em Outubro, alguns dias apenas antes do anúncio do acordo de cessar-fogo.O diário israelita diz que Herzog iria ter uma reunião com a procuradora-geral Gali Baharav-Miara sobre esta questão. Baharav-Miara, que defendeu antes um potencial conflito de interesses de Netanyahu por se manter no cargo enquanto é julgado, tem sido alvo de uma campanha do Governo contra si, incluindo uma tentativa de demissão.O Governo tem usado ainda a admissão da ex-provedora militar, Yifat Tomer-Yerushalmi, de que foi a responsável pela divulgação de um vídeo de tortura a um preso palestiniano numa base onde estavam detidos em Gaza conhecida por manter os detidos em condições desumanas para atacar todo o sistema de justiça e também a procuradora-geral.Herzog (que é do Partido Trabalhista, enquanto Netanyahu é do Likud e foi eleito em 2021) já tentara antes abordar com a procuradora-geral um processo de mediação que pudesse levar a um acordo e acabasse com o processo no seu formato actual, uma posição que, depois de noticiada, não escondeu, dizendo que achava “razoável” que se explorasse uma solução.O processo contra Netanyahu começou há mais de cinco anos, por várias acusações, incluindo corrupção e fraude por alegado favorecimento a um grupo de telecomunicações detentor de um site que lhe terá dado cobertura noticiosa favorável; por fraude e abuso de confiança, suspeitando-se de que terá aceitado presentes de empresários em troca de favores políticos; e de novo de fraude e abuso de confiança e ainda por suspeita de ter prejudicado a concorrência de um jornal que lhe deu boa cobertura noticiosa, o diário de grande circulação Yediot Ahronot.Com o processo actualmente na fase em que Netanyahu está a ser interrogado, o primeiro-ministro tem tentado de vários modos encurtar as sessões e reduzir o número de vezes em que se apresenta, conseguindo-o várias vezes.O jornalista Yossi Verter, do Haaretz, comenta que estas tentativas acontecem numa altura em que as contradições de Netanyahu estão a ser visíveis nas suas declarações no tribunal: “Confrontado com a montanha de provas apresentadas ao painel de juízes, Netanyahu oferece explicações absurdas”, com a sua defesa “a desmoronar-se”.Uma questão paira, no entanto, sobre um possível perdão: se este poderia ser dado mesmo sem Netanyahu assumir a responsabilidade, o que costuma ser condição essencial. O primeiro-ministro tem negado com veemência as acusações, apresentando o caso como uma “caça às bruxas” contra si.










