Michael resgata “carneiros gay” na Alemanha e vende a lã para ajudar associações LGBT+
Quando Michael Schmidt, designer norte-americano, soube que o destino dos carneiros que não reproduzem é quase sempre serem abatidos quis fazer a diferença. Assim começou o Rainbow Wool.A organização alemã sem fins lucrativos resultou da junção de esforços do designer com o pastor alemão Michael Stücke, que já resgatava carneiros que tinham comportamentos ou preferência sexual por animais do mesmo sexo.Strücke soube em 2021 qual era o destino dos carneiros que não procriavam, e foi logo aí que começou a pensar em alternativas, contou ao mesmo jornal. O pastor aponta a grande vantagem dos carneiros face às ovelhas – as fêmeas quando estão em fase de gestação não produzem pêlo, enquanto os machos nunca deixam de ter pêlo. Decidiu começar a resgatar carneiros que não se reproduziam e a acolhê-los na sua quinta.
Ao New York Times, o pastor contou que o sector da pecuária na Alemanha ainda é “muito conservador”. Soube que era homossexual muito novo, mas só aos 24 contou aos pais. Acabou por sair da quinta da família e, mais tarde, começou o seu negócio, revelou. O agricultor é membro da associação Gayfarmer.A associação vende peças de roupa feitas da lã destes animais que, de outra forma, seriam mortos. Agora contam com o apoio do Grindr, a aplicação de encontros para a comunidade LGBTQIA+.O objectivo é chamar a atenção para as questões de discriminação em relação à orientação sexual, até porque “em 12 países podes ser condenado à morte só por ser gay – como o nosso rebanho de ovelhas”. O designer afirmou, em entrevista ao NYT, que esta marca conta “uma história de direitos dos animais e uma história de direitos humanos”.A quinta onde vive este “rebanho gay”, que o pastor diz orgulhosamente ser o primeiro no mundo, fica perto de Colónia, na Alemanha. A lã dos carneiros é vendida a outras fábricas e usada para criar peças de roupa para o Rainbow Wool (que estão à venda no site). Todos os fundos são doados a instituições de caridade ligadas à causa LGBTQ.A iniciativa começou com apenas três carneiros, segundo o NYT, mas cresceu e agora conta com uma larga rede de quintas e matadouros que “de bom grado” vendem as suas ovelhas que não se reproduzem. A organização já tem embaixador: Bill Kaulitz, vocalista da banda Tokio Hotel que é também um influencer conhecido na Alemanha. Embora o ovelheiro tenha convencido os colegas de profissão de que este é “um projecto sério” perdeu alguns clientes, segundo contou ao The Berliner.Todas as pessoas envolvidas no Rainbow Wool trabalham como voluntários e explicam que esta não é uma indústria lucrativa. Ao The Berliner, Schakir Islamow, um dos membros da equipa criativa, contou que o projecto é mais sobre “erguer uma bandeira”, mostrar o poder de uma ideia criativa.
Para quem não pode comprar as peças, há outra forma de ajudar: adoptar um carneiro gay. O processo custa menos de dez euros e contribui para a alimentação e cuidado do rebanho.










