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Bispo de Cádis investigado pelo Vaticano por abusos sexuais de um menor

O vice-presidente da Conferência Episcopal Espanhola e cardeal de Madrid, José Cobo, descreveu, esta terça-feira, a investigação do Vaticano ao bispo de Cádis e Ceuta, Rafael Zornoza, depois de uma denúncia de abusos sexuais a um menor, como um “drama” para a Igreja, mas reiterou que se deve manter a “presunção de inocência do acusado”.Aos meios de comunicação, Cobo diz confiar que o Vaticano vai “resolver [o caso] com rapidez”, e que se a Santa Sé admitiu o caso é porque “efectivamente tem de haver verosimilhança”, cita a agência Europa Press. Mas, entre mostras de “confiança no processo” muito “minucioso” instaurado pelo Papa Francisco, abre a brecha da dúvida: tal como o presidente Luis Argüello​ tinha feito no dia anterior, pediu que se respeitasse a “presunção de inocência do acusado”.Para a Associação Nacional de Infâncias Roubadas, que defende as vítimas de pedofilia na Igreja Católica em Espanha, isso é inaceitável. “Tanto esforço para minimizar, negar a realidade e atacar as vítimas”, afirmou o presidente da associação, Juan Cuatrecasas. “A hierarquia eclesiástica espanhola continua obcecada com perder oportunidades, com varrer o lixo para debaixo do tapete”, afirma, ouvido pelo El País.


A denúncia contra o bispo de Cádis e Ceuta, investigado por alegados abusos que começaram nos anos 1990, quando dirigia o seminário da diocese de Getafe, nos arredores de Madrid, chegou ao Vaticano por carta, assinada pela própria vítima, em Julho. Nessa missiva, relatam-se episódios reiterados de abusos sexuais, “manipulação e controlo” perpetrados especialmente durante a confissão. “Depois de confessar os meus actos homossexuais, ia para a cama e, poucos minutos depois, metia-se na minha cama e acariciava-me”, lê-se na carta enviada ao Dicastério para a Doutrina da Fé, numa das passagens citadas pelo El País. Além dos abusos sexuais, o denunciante também revela que Zornoza o encaminhou para a terapia de conversão para “curar a homossexualidade”. “Sabia absolutamente tudo de mim e eu confiava cegamente no que ele me dizia.”Os abusos terão começado em 1994, quando a vítima tinha 14 anos e frequentava o seminário da diocese de Getafe, dirigido por Zornoza, então com 45 anos, e ter-se-ão prolongado ao longo de vários anos, até que o denunciante completou 21 anos. “Escrevo esta carta apenas com a intenção de evitar que o que me aconteceu possa acontecer com outra criança”, escreve o denunciante.A denúncia foi tornada conhecida esta segunda-feira, 10 de Novembro, depois de o El País ter publicado uma notícia sobre o assunto. É que, apesar de a carta ter sido enviada em Julho, e de o Vaticano ter visto nela indícios suficientes para abrir uma investigação, nada aconteceu: Rafael Zornoza, actualmente com 76 anos, manteve, ao longo destes quatro meses, a sua agenda inalterada. Pelo menos até esta segunda-feira, quando a história se tornou conhecida, altura em que a suspendeu “para esclarecimento dos factos” e revelou, pela primeira vez, que iria receber tratamento contra um cancro.Noutros casos, a Igreja optou por afastar os bispos acusados dos seus cargos. Ao El País, a sala de imprensa do Vaticano explica que não se tomaram medidas cautelares e que esperam a avaliação da investigação preliminar que já arrancou. “Avalia-se caso a caso”, esclareceu o porta-voz.


A notícia foi uma pedrada no charco da Igreja espanhola: tanto quanto se sabe, é a primeira vez que se abre uma investigação contra um bispo por uma acusação de abuso de menores. Horas depois de se conhecer a notícia, o bispado de Cádis e Ceuta disse que as acusações eram “graves e falsas”. Já a diocese de Getafe mostrou-se disponível para colaborar com a investigação.

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