Hjulmand teve cabeça para guiar o Sporting nos Açores
O Sporting andou muito tempo sem cabeça no relvado muito imperfeito do Santa Clara e, quando tudo parecia perdido (empatado), Morten Hjulmand foi o salvador. Os “leões” triunfaram neste sábado por 1-2 sobre a formação açoriana, graças a um cabeceamento do capitão dinamarquês na compensação, depois de 90 minutos de enorme desinspiração “leonina” e de grande acerto defensivo do Santa Clara. O bicampeão acabou por ficar com os três pontos que lhe permitem juntar-se ao FC Porto no topo da classificação – o “dragão” estará, neste domingo, em Famalicão.
O Sporting desenvolveu um hábito de jogar sem profundidade e sem largura. Não acelera, nem lateraliza. Vai quase sempre pelo meio e isso, contra equipas que defendem bem, é um caminho apertado para chegar ao golo. É uma estratégia que tem outros méritos, porque os “leões” atacam em números, adiantados no terreno e bem colocados para manter o jogo num único sentido. O Sporting faz isso bem, excepto quando não faz – e não são raras as vezes em que sofre nos momentos de transição defensiva.O Santa Clara é uma equipa feita para jogar desta maneira. Aguentar, aguentar, aguentar e, depois ferir. Vasco Matos já apurou a formação açoriana para jogar assim e fazer sofrer as equipas potencialmente mais dominantes – já o tinha feito ao Sporting em Alvalade na época passada (vitória por 1-0), já o fez nesta época na Luz frente ao Benfica (1-1). Foi o que começou por fazer na recepção aos “leões” em São Miguel. Suportou o primeiro embate e, passados cinco minutos, feriu.Foi tudo muito simples. Ousmane Diomande falhou um corte que parecia fácil e, de imediato, Wendel aproveitou. Meteu logo a bola na área e o rápido Vinicius fez o 1-0 para a equipa da casa – tinha sido o avançado brasileiro a marcar o golo do triunfo açoriano em Alvalade há um ano, a confirmar o erro de casting que tinha sido João Pereira no Sporting. Com um golo na baliza do adversário, o Santa Clara estava como queria. Agora já só tinha mais 85 minutos pela frente para aguentar a reacção “leonina” que se esperava constante.A equipa de Rui Borges insistiu muito em furar pelo meio, onde havia uma enorme densidade de pernas adversárias motivadas para não deixarem os “leões” chegarem à baliza de Gabriel Batista. As oportunidades foram surgindo com naturalidade. Suárez atirou ao lado após cruzamento de Maxi (16’), Pote atirou para as mãos de Batista depois de passe de Trincão (20’), Maxi cabeçou por cima depois de um passe de Fresneda (28’), Pedro Gonçalves deixou-se desarmar por Sidney Lima depois de receber de Inácio (29’).
O golo do empate surgiu aos 32’, num dos momentos em que o Sporting resolveu lateralizar o seu jogo ofensivo. Geny recebeu na direita, cruzou com o pé esquerdo e Pedro Gonçalves surgiu junto ao segundo poste para fazer de cabeça o 1-1 – oitavo golo do 8 “leonino” no campeonato. E o bicampeão teve mais bolas para fazer a reviravolta na primeira parte, mas o empate manteve-se, apesar do domínio total do Sporting – 73% de posse de bola e oito remates resultaram no mesmo que o Santa Clara com 27% e um único remate.Rui Borges reforçou as intenções ofensivas logo a abrir a segunda parte, metendo Ioannidis em campo (saiu Simões) e fazendo recuar Pedro Gonçalves. O Sporting continuou a pressionar, com urgência total, mas com menos discernimento. A saída por lesão de Pote aos 57’ não ajudou ao esforço “leonino” – Morita, um ex-Santa Clara, entrou para o seu lugar. E a formação açoreana, que poucas preocupações de ataque tinha, foi fazendo bem aquilo que tinha para fazer, defender.O cerco manteve-se. O Santa Clara meteu todos os jogadores em frente da baliza e o Sporting parecia estar a jogar só com avançados. Aos 86′, o “leão” esteve muito perto da reviravolta, com um cabeceamento ao lado de Ioannidis após cruzamento de Maxi, mas aos 89′ foi o Santa Clara quem esteve perto da vitória, depois de mais um disparate de Diomande, que deixou Brenner na cara do golo – atirou por cima. E logo no minuto seguinte, o brasileiro teve nova aceleração que obrigou Maxi a fazer falta antes dele entrar na grande área – o uruguaio foi expulso.De repente, o Santa Clara tinha uma janela de oportunidade para aspirar a mais do que o empate, superioridade numérica e ascendente emocional. Na reposição de bola, o Sporting lançou-se outra vez para o ataque, ganhou um canto (que não era), Quenda mandou a bola para a área e Hjulmand, com um cabeceamento perfeito, salvou o Sporting de perder pontos nos Açores.










