TECNOLOGIA

Nvidia trava venda de <em>chips</em> de IA à China devido a tensões políticas

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, disse que, por enquanto, a empresa não pode vender os seus chips de inteligência artificial (IA) na China, devido a restrições impostas por Washington e Pequim. O director executivo afirma que não tenciona enviar “nada” para a China durante o impasse.Huang chegou a Taiwan nesta sexta-feira, e reuniu-se com o seu parceiro de longa data, a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC), depois de uma viagem global marcada por comentários polémicos sobre a corrida à IA entre os EUA e a China.O chefe da Nvidia foi citado num artigo do Financial Times como tendo dito que “a China ia ganhar” essa corrida por ter despesas de energia mais baixas e regulamentos mais favoráveis. Huang explicou que a sua intenção era apenas chamar a atenção para as proezas do país asiático no domínio de uma tecnologia emergente.


O fundador, de 62 anos, tem dito várias vezes que gostaria de fazer mais negócios na China, mas que as tensões políticas entre os governos norte-americano e chinês fizeram descarrilar essas ambições. O Presidente Donald Trump disse, em Outubro, que iria levantar a questão da venda dos semicondutores Blackwell da Nvidia — os mais avançados que a empresa fabrica — à China antes do seu encontro com o chefe de Estado chinês, Xi Jinping. No entanto, mais tarde, terá mudado de ideias e acabou por nunca discutir o assunto com o líder chinês.Em Taiwan, nesta sexta-feira, Huang afirmou que a Nvidia não está a tentar retomar os esforços para fornecer chips Blackwell a empresas chinesas. “Não há discussões activas. Actualmente, não estamos a planear enviar nada para a China”, garantiu Huang a partir de Tainan, a sul de Taipei.A Nvidia tem a bênção de Washington para vender os seus semicondutores H2O, menos avançados, a clientes chineses, mas Pequim disse às suas empresas para se absterem de comprar esses produtos em favor de fornecimentos nacionais. Empresas como a Huawei Technologies e a Cambricon Technologies estão a desenvolver os seus próprios chips de IA, e o Partido Comunista gostaria de apoiar a indústria local — em parte para que a China não fique dependente das tecnologias norte-americanas.


O chip H2O foi desenvolvido especificamente para o mercado chinês, depois de Washington ter imposto, no final de 2023, restrições à exportação de chips avançados de inteligência artificial. “A China é que decide quando é que quer que os produtos da Nvidia voltem a servir o mercado chinês”, disse Huang. “Aguardo com expectativa que mudem a sua política e espero que possamos voltar a servir o mercado chinês.”Huang avisou que as restrições dos EUA às exportações podem ter o efeito contrário, e levar a China a desenvolver os seus próprios semicondutores e tecnologias de IA.A Nvidia aumentou o seu valor de mercado em um bilião de dólares (cerca de 866,8 mil milhões de euros), numa questão de meses, tornando-se a primeira empresa da história a atingir os cinco biliões de dólares (cerca de 4,34 biliões de euros — de milhões de milhões). Durante esse período, Huang viajou de Washington à Coreia do Sul para fechar acordos com empresas interessadas na experiência da Nvidia em inteligência artificial. Apesar da recente queda nas acções, a empresa continua a ser a mais valiosa do mundo, à frente da Apple e da Microsoft.


Huang tem defendido a expansão da tecnologia da Nvidia em todas as regiões e sectores, tentando também aliviar as preocupações sobre se os enormes investimentos em IA — como centros de dados e chips — vão realmente compensar.Entre os desafios que a Nvidia enfrenta estão os concorrentes Advanced Micro Devices (AMD) e Broadcom, que também procuram lucrar com o crescimento da inteligência artificial.Huang afirmou que a Nvidia teria uma enorme oportunidade de negócio na China, não fosse o conflito entre Washington e Pequim. Segundo ele, se a empresa pudesse vender os seus chips mais avançados ao país asiático, teria uma oportunidade que poderia valer cerca de 50 mil milhões de dólares (43.190 milhões de euros​). Durante a apresentação de resultados em Agosto, Huang acrescentou que a forte procura por sistemas de IA na China deve fazer o mercado crescer cerca de 50% ao ano.O revés na China alimentou as preocupações de alguns investidores de Wall Street quanto à sustentabilidade dos enormes gastos em IA. Temem que a inteligência artificial não cumpra a promessa de gerar novos fluxos de receitas que justifiquem os investimentos de centenas de milhares de milhões de dólares em despesas de capital.Exclusivo PÚBLICO/The Washington PostTradução e adaptação: Laura Ferreira

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