TECNOLOGIA

Estudo sugere que lua de Saturno tem estabilidade para o desenvolvimento de vida

Encelado, a lua de Saturno que tem um oceano salgado sob a crosta gelada, está a perder calor nos pólos, o que indica que possui a estabilidade de longo prazo necessária para o desenvolvimento de vida, sugere um estudo.O estudo, divulgado nesta sexta-feira, 7 de Novembro, na publicação científica de acesso aberto Science Advances, revela que Encelado está a emitir muito mais calor do que seria esperado se fosse simplesmente um corpo passivo, reforçando a hipótese de que poderia suportar vida tal como se conhece, refere em comunicado a Universidade de Oxford, no Reino Unido, que participou na investigação.Anteriormente pensava-se que a perda de calor ocorria no pólo sul da lua, onde jactos de vapor de água irrompem de fissuras profundas da superfície, mas o novo estudo fornece o primeiro indício de fluxo de calor significativo no pólo norte, que se pensava ser geologicamente inactivo.


Segundo os cientistas, a presença de água líquida, calor e determinados elementos químicos, como fósforo e hidrocarbonetos complexos, significa que o oceano sob a superfície de Encelado pode ser um dos melhores locais no Sistema Solar para a vida ter evoluído fora da Terra.Contudo, para poder suportar vida, este oceano tem de ter um ambiente estável, com as suas perdas e ganhos de energia em equilíbrio, que é mantido pelo calor gerado pelas marés a que o oceano está sujeito: a gravidade de Saturno distende e comprime Encelado enquanto a lua orbita o planeta, gerando calor no seu interior.Se a lua não acumular energia suficiente, a actividade na superfície diminuirá ou cessará, e o oceano poderá eventualmente congelar. Por outro lado, demasiada energia poderá provocar um aumento da actividade no oceano, alterando o seu ambiente, explica o comunicado da universidade britânica.A partir da análise de dados transmitidos pela sonda espacial Cassini, que esteve 13 anos em órbita de Saturno, entre 2004 e 2017, os autores do estudo divulgado nesta sexta-feira compararam as observações da região polar norte no Inverno rigoroso (2005) e no Verão (2015).Os dados foram posteriormente utilizados para medir a quantidade de energia que Encelado perde do seu oceano (0ºC) à medida que o calor viaja através da camada de gelo até à superfície (-223ºC) e depois é projectado para o espaço.Quando combinada com o calor previamente estimado que escapa do pólo sul activo de Encelado, a perda total de calor da lua sobe para 54 gigawatts, “um valor que corresponde de perto à entrada de calor prevista pelas forças de maré”.”Este equilíbrio entre a produção e a perda de calor sugere fortemente que o oceano de Encelado pode permanecer líquido durante escalas de tempo geológico, oferecendo um ambiente estável onde a vida poderia potencialmente surgir”, sublinha a Universidade de Oxford.O próximo passo da investigação será determinar se o oceano de Encelado existe há tempo suficiente para que a vida se desenvolva (neste momento, a sua idade ainda é incerta).

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