CIÊNCIA

Auditório de colégio do Porto que vai receber grupo de extremista tinha recusado evento do Livre

O grupo Reconquista, investigado pela Unidade Nacional Contraterrorismo da Polícia Judiciária, reservou o auditório portuense Francisco de Assis, do Colégio Luso-Francês, para um evento que vai decorrer no próximo sábado, avançou o Expresso.Porém, a mesma possibilidade foi antes recusada ao Livre. Diamantino Raposinho, membro daquele partido no Porto, contou ao PÚBLICO que, em Junho, o Livre tentou reservar o espaço para um evento e o pedido foi recusado por “não acolherem eventos políticos”.O grupo ultranacionalista conseguiu reservar o auditório para organizar, neste sábado, o III Congresso Reconquista, que contará com figuras de extrema-direita nacionais e internacionais, oriundas dos Estados Unidos, Alemanha e Irlanda, por exemplo. Keith Woods, Martin Sellner e António de Sousa Lara são alguns dos nomes anunciados para o evento que tem bilhetes dos 15 aos 200 euros.Nuno Santos, coordenador do auditório Francisco de Assis, explicou ao semanário que o evento não será cancelado por haver um contrato assinado e ter “obrigações” a cumprir. Além disso, sublinha que, quanto à gestão, não há ligação entre o auditório e o colégio: “a gestão de rentabilização do espaço é independente do colégio”, disse, afastando também qualquer tipo de ligação com o grupo que organiza o evento. “Estamos num país livre e estamos só a rentabilizar o espaço”, disse, citado pelo jornal.O mesmo critério não se aplicou, contudo, quando o Livre tentou realizar, naquele espaço, um congresso autárquico há poucos meses, como denuncia Diamantino Raposinho, em conversa com o PÚBLICO. A resposta chegou a 21 de Junho: “as regras do auditório não permitem acolher eventos políticos”.Numa nota enviada às redacções, o Livre do Porto denuncia a “dualidade de critérios, que em tão pouco tempo recusa acolher um evento de um partido democrata e humanista e, porém, aceita acolher um evento político de extrema-direita”. Para além disso, sublinha que a agenda do grupo Reconquista é “totalmente incompatível com a filosofia, vida e obra de Francisco de Assis”, o frade que dá nome ao auditório.Nuno Santos disse ainda ao jornal mencionado que não reconheceu o nome Reconquista. “Só tivemos conhecimento que eram eles há uma semana, e não tivemos tempo de analisar”, justificou. Na verdade, o II Congresso do grupo supremacista já esteve envolvido noutra polémica também relativa ao espaço do evento.A 2 de Novembro de 2024, a propósito do congresso, a Reconquista defendeu a expulsão de imigrantes, contestou os direitos das mulheres e da comunidade LGBT na Assembleia Municipal de Lisboa. Na altura, Rosário Farmhouse, então presidente daquele órgão autárquico, disse ter sido enganada aquando do pedido de usufruto do espaço, que teria sido feito em nome da juventude do Chega. Fonte da juventude do Chega disse então, em declarações ao PÚBLICO, que houve uma utilização abusiva do nome e que não tinham ligação com o evento.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.