CIÊNCIA

Portugal dá um milhão de euros para novo fundo das florestas tropicais

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou nesta quinta-feira em Belém que Portugal vai contribuir com um milhão de euros para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). Com as primeiras participações, o fundo tem já cinco mil milhões de dólares.O objectivo do TFFF é arrecadar 125 mil milhões de dólares, sendo que 25 mil milhões deveriam vir de financiamento público e os restantes de investidores privados. O Brasil e a Indonésia, dois dos países que podem beneficiar deste fundo para manter as suas florestas tropicais, contribuem igualmente, e destinaram já mil milhões de dólares cada um.Portugal foi o primeiro país, depois dos compromissos do núcleo fundador, a declarar investimento neste novo fundo global. “Decidimos integrar os países fundadores deste movimento que vai criar o fundo para a protecção da floresta tropical. Vamos dar uma contribuição financeira de um milhão de euros para o arranque”, frisou Luís Montenegro, em declarações à agência Lusa.A Noruega anunciou a maior contribuição, embora espaçada ao longo de dez anos: três mil milhões de euros. A Colômbia, que também poderá beneficiar do fundo, prometeu 250 milhões de dólares, e os Países Baixos cinco milhões de dólares, para custear a criação do secretariado do TFFF no Banco Mundial.Espera-se que a Alemanha anuncie a sua contribuição na sexta-feira, quando o chanceler Friedrich Merz discursar na cimeira de líderes da COp30 em Belém. França, China e os Emirados Árabes Unidos mostraram o seu apoio à iniciativa, mas não avançaram com qualquer soma.Reino Unido fica de foraO Brasil enfrenta uma séria contrariedade, com o anúncio feito pelo Reino Unido de que não participará nesta que é uma das principais propostas brasileiras para a conferência do clima que é realizada na Amazónia.A decisão britânica, anunciada pelo primeiro-ministro Keir Starmer em Belém, decepcionou o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, já que Reino Unido tinha ajudado a criar o projecto e Lula tinha escrito pessoalmente a Starmer, na sexta-feira passada, a solicitar investimento, disseram fontes à Reuters.O diário The Guardian escreve, no entanto, que Downing Street poderá considerar colaborar neste fundo mais tarde. Por ora, a avaliação é que o TFFF está ainda numa fase muito inicial e há preocupação sobre como irá funcionar. Outra preocupação é que a Alemanha, que tem colaborado no fundo dedicado à protecção da Amazónia, poderá estar a considerar não se juntar também ao TFFF, diz o jornal britânico.Lucros repartidosAs florestas tropicais permitem reduzir a temperatura global em cerca de um grau, devido à capacidade de absorver grandes quantidades de carbono, contrariando o aquecimento global. Mas essa capacidade está em declínio desde a década de 1990, por causa da degradação da floresta e da desflorestação.”O TFFF não é baseado só em doação”, disse o Presidente brasileiro, Lula da Silva, no lançamento oficial do fundo, nesta quinta-feira. “O seu papel será complementar aos mecanismos que pagam pela redução de emissões de gases de efeito estufa. Investimentos soberanos de países desenvolvidos e em desenvolvimento vão alavancar um fundo de capital misto. O portfólio vai se diversificar em acções e títulos. E os lucros gerados serão repartidos entre os países de florestas tropicais e os investidores”, afirmou Lula, no seu discurso.Um pormenor importante: cerca de 20% dos recursos obtidos “será destinado aos povos indígenas e comunidades locais”, frisou o Presidente brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.