Zeca Pagodinho volta aos palcos portugueses: “O samba cresceu bastante no Brasil”
Vinte anos após a sua estreia nos coliseus de Lisboa e Porto (em 2005), aos quais voltaria em 2018, antes da pandemia da covid-19, o sambista Zeca Pagodinho está de volta para dois concertos, desta vez noutras salas: quinta-feira dia 6 de Novembro no Sagres Campo Pequeno, em Lisboa (21h); e sábado dia 8 na Super Bock Arena, no Porto (21h30). E se em 2018 festejava 35 anos de carreira, agora celebra 40 com um espectáculo que, gravado em vídeo e em disco duplo (a partir do espectáculo de 4 de Fevereiro de 2024 no Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio), concorre agora ao Grammy Latino, no dia 13.Apesar disso, os espectáculos que traz a Portugal, ainda que tenham o mesmo objectivo do atrás citado, serão algo diferentes, como ele explica ao PÚBLICO por telefone, ainda no Brasil: “É isso, estou a celebrar os 40 anos, mas aqui tem músicas que não estavam no outro roteiro, coisas do primeiro disco. Na verdade é outro repertório, sendo que as músicas de sucesso, como Deixa a vida me levar, não podem faltar, não se podem tirar.”Nascido Jessé Gomes da Silva Filho no Rio de Janeiro, no bairro do Irajá, no dia 4 de Fevereiro de 1959, o nome pelo qual viria a ficar conhecido (Zeca Pagodinho), nasceu de acasos, como ele contou ao PÚBLICO em 2005, antes de se estrear nos coliseus: “Na família me chamavam Seca, Sequinha. Alguém na rua escutou Seca, entendeu Zeca e ficou assim.” Já Pagodinho tem origem no género de samba a que ele sempre esteve mais ligado, o pagode, cultivado na boémia dos fundos de quintal: “Tinha a nossa ala, um bloco boémio de Irajá, e a da nossa família era a ala do pagodinho. Como eu era mascote, tinha 13 anos e saía no meio deles, todo o mundo dizia: ‘Pagodinho, Pagodinho’. Ficou.”
Se até 2005 actuara quase exclusivamente no Brasil, tirando uma vinda a Portugal (ainda antes da estreia nos coliseus), a um casino do norte, “para animar um Carnaval em tempo frio”, a partir desse ano começou a percorrer outros países, em particular na Europa. Uma rotina que depois tratou de abrandar. “Tenho de diminuir um pouco, cuidar mais dos netinhos, da família, já andei muito pelo mundo”, dizia ele em 2018. E cumpriu: “Sim, estou diminuindo bastante. Agora quero ir mais para passear também, e em Portugal passeio muito. Quando a gente tem um show e no outro dia tem outro, não dá para conhecer nada, só se conhece o teatro. Agora quero viajar para conhecer as coisas.”
Se os concertos são hoje menos, as gravações não têm abrandado. Só em 2025 lançou seis singles: A chuva cai (do projecto Sambabook, homenagem à cantora Beth Carvalho, que morreu em 2019 e foi a primeira a cantar composições de Pagodinho), A mulher do malandro e Malandro também chora (com Xande de Pilares e Neguinho da Beija Flor), Nem lá nem cá (com Cleber Augusto), Foi um sonho (com Karinah), Eu sou o amor (com Feyjão) e Fé e esperança (com Noah). Uma profusão de gravações que radicam na amizade: “Eles me pedem. São meus amigos, eu vou e faço. E agora tou lançando um com o meu neto, Noah, de 15 anos, uma música muito bonita, Fé e esperança.”Por coincidência, actuam em Portugal num curto espaço de tempo três grandes nomes da cultura sambista: Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho. O que, para este último, coincide com o estado do samba no Brasil: “O samba cresceu bastante no Brasil, tem muita casa de samba, muita roda de samba.” Também na nova geração? “Sim, estão fortes com o samba, fortes mesmo”, garante. Não está ainda a preparar um novo disco de estúdio, embora admira lançar um em 2026: “Estou escutando umas coisas, encontrando uns amigos de vez em quando para ouvir músicas, as coisas de sempre. É sempre assim, do mesmo jeito.” A música que vai ouvindo é que se alterou: “Agora tenho sete netos. E oiço mais música de criança, dinossauros, coisas assim. Eles tomaram até conta da minha televisão”, graceja. Já mais a sério, afirma: “Escuto tudo o que é bom. Tudo o que sai e me mostram, escuto.” Mas nada de música estrangeira, só música brasileira. “Sempre”.Terminados os concertos em Portugal, rumará aos Estados Unidos: “De Lisboa e Porto sigo para Las Vegas, porque estou indicado para o Grammy [Latino] com esse disco dos 40 anos. Vou lá assistir à festa, porque nunca fui. Tenho quatro [Grammy Latinos], se vier mais um, óptimo! Concertos, tenho só mais um no Brasil. Depois entro em férias.”










