Presidente do hospital Amadora-Sintra demite-se depois de dar informação incompleta sobre grávida que morreu
O presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora- Sintra, Carlos Sá, demitiu-se, este domingo, depois de ter dado uma informação incompleta à ministra da Saúde sobre a grávida que morreu na passada sexta-feira e de ter levado Ana Paula Martins a prestar declarações erradas no Parlamento.“No domingo o presidente do Conselho de Administração da ULS Amadora- Sintra informou-me de que uma parte da informação que me tinha sido dado era incompleta, ou seja, que a informação que me tinha dado e que eu tinha veiculado não era a informação total” porque a grávida tinha tido consultas de vigilância nos Cuidados de Saúde Primários da mesma ULS, explicou a ministra da Saúde, esta segunda-feira, aos jornalistas. Nessa altura, acrescentou Ana Paula Martins, “o presidente do Conselho de Administração, porque esta falha de informação é considerada grave, pôs o seu lugar à disposição e eu aceitei a demissão”.Enquanto a ministra ainda falava, chegou às redacções um comunicado do presidente da ULS Amadora- Sintra, no qual Carlos Sá explica que os elementos factuais transmitidos a Ana Paula Martins “corresponderam integralmente às informações” que dispunha no momento da sua comunicação. ” Informações adicionais vieram a ser conhecidas apenas em momento posterior não tendo, por conseguinte, sido do conhecimento do presidente do Conselho de Administração à data da comunicação inicial, nem podendo, portanto, ter sido transmitidas à tutela”, justifica o administrador.Porque a “a responsabilidade política e pública é pessoal, indelegável e insusceptível de diluição” e “ciente do imperativo de transparência, responsabilidade e dever público”, Carlos Sá colocou à consideração da ministra a decisão quanto à sua continuidade em funções.Em causa está a morte de Umo Cani, a mulher grávida que morreu na passada sexta-feira, no hospital Amadora- Sintra na sequência de uma paragem cardiorrespiratória. No mesmo dia, no Parlamento, a ministra da Saúde foi questionada sobre o caso, tendo respondido que era uma grávida que não tinha tido acompanhamento até à data em que entrou no hospital Amadora-Sintra já com 38 semanas de gravidez.Segundo notícias avançadas este domingo, afinal a grávida estava a ser seguida no Centro de Saúde de Agualva-Cacém (pertence à ULS Amadora-Sintra), desde Julho, e tinha sido referenciada para o hospital, há dois meses e meio, por “elevado risco obstétrico”.As informações reveladas por familiares e amigos da grávida revelam que no dia 14 de Julho teve uma consulta no centro de saúde, na qual lhe foram prescritos exames médicos e que a 6 de Agosto fez a ecografia do segundo trimestre da gravidez também no centro de saúde. No dia 14 desse mesmo mês, foi referenciada para o Hospital Professor Dr. Fernando Fonseca (mais conhecido por Amadora -Sintra) “por elevado risco obstétrico”, para ser acompanhada na fase final da gravidez e porque era aí que iria nascer o bebé.No hospital Amadora- Sintra teve uma consulta no dia 17 de Setembro. Regressou ao hospital para nova consulta e avaliação médica, às 38 semanas, no dia 29 de Outubro quando lhe foi detectada “uma hipertensão ligeiramente alta”. Voltou a casa com indicação de que o parto seria às 39 semanas, mas não chegou lá. Na madrugada do dia 31, sentiu-se mal, com falta de ar e dor no peito. A cunhada chamou a ambulância, mas o socorro já não foi a tempo de lhe salvar a vida. O bebé esteve internado nos cuidados intensivos de neonatologia, mas também não sobreviveu.Oito meses foi o tempo que durou a administração da ULS Amadora-Sintra, presidida por Carlos Sá. O gestor, que era diretor- executivo do Hospital da Cruz Vermelha foi escolhido pela ministra da Saúde para gerir um dos hospitais mais pressionados do país. Iniciou funções no dia 3 de Março deste ano, depois de a anterior direcção, presidida por Luís Gouveia, ter renunciado ao cargo para não ser um “obstáculo” às medidas e políticas que a tutela quisesse implementar.










