DESPORTO

Manifestação no complexo da Penha pede paz e o fim do “massacre”

Um grupo composto por moradores, activistas e figuras políticas manifestou-se, esta sexta-feira, no complexo da Penha, no Rio de Janeiro, contra a chamada Operação de Contenção, levada a cabo pela Polícia Militar e pelo Batalhão de Operações Especiais na terça-feira, que levou à morte de 121 pessoas, quatro deles polícias.A manifestação, organizada por grupos e movimentos sociais ligados à luta anti-racista, foi baptizada “Chega de Massacre” e reuniu quem pedia justiça pelas mortes – resultado da operação mais letal da História do Brasil – e o fim da violência contra a população negra.Apesar da chuva, juntaram-se pessoas a pé e vários motociclistas, quase todos com roupa branca. Alguns membros da organização distribuíram t-shirts com frases como “Deixem de nos matar” e “Vidas negras importam”. A marcha começou no complexo da Penha e foi acompanhada por agentes da polícia militar.Familiares das vítimas, moradores dos complexos da Penha e do Alemão, onde decorreu a operação, activistas e políticos entoaram o Rap da Felicidade, de Cidinho e Doca, uma canção símbolo das favelas cariocas: “Eu só quero ser feliz, andar tranquilamente na favela onde nasci”, ouviu-se.“O sangue é todo vermelho. A única diferença é que vivemos numa favela”, disse um manifestante, citado pela Reuters.


A vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, morta a tiro pelas autoridades em 2018, que participou na acção, disse que o que aconteceu na terça-feira não podia ser desvalorizado como algo normal: “Isto não é política de segurança pública, é um extermínio, um massacre”, afirmou.Tal como Benício, participaram no protesto outras figuras do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), como o Pastor Henrique Vieira, Glauber Braga e Tarcísio Motta.A organização – composta pela Coalizão Negra por Direitos, Mulheres Negras Decidem, Instituto Papo Reto, Raízes em Movimento, Voz das Comunidades e Frente Penha — descreveu o protesto como uma expressão contra a “violência estatal contra as populações negras e periféricas” e pedem mudanças nas políticas de segurança pública.Aconteceram mais manifestações do género noutras capitais estaduais brasileiras, como São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife ou Fortaleza.


A manifestação em São Paulo
Reuters

Esta acção aconteceu no mesmo dia em que as autoridades anunciaram ter identificado a maioria dos mortos da Operação de Contenção. Felipe Curi, o secretário da polícia civil do Rio, disse aos jornalistas que, dos 99 mortos identificados, 42 tinham sobre eles mandados de detenção e 78 tinham registo criminal.Na mesma intervenção, defendeu a necessidade da operação: “Agimos da forma mais transparente possível. Era uma acção legítima do Estado que aconteceu depois de um ano de investigação”, disse. “Não temos nada a esconder”.Apesar disso, há dúvidas de que tenha constituído um golpe para o Comando Vermelho, a organização criminosa que se previa afectar, e a operação continua a dividir opiniões. De acordo com os dados da Datafolha, publicados este sábado, a operação foi um sucesso para uma curta maioria dos moradores do Rio: 57%. A sondagem, feita por telefone, mostra que 27% discorda totalmente da operação e 12% em parte. Apenas 3% não concorda nem discorda. Noutra pergunta, 50% disse acreditar que a maioria dos mortos eram criminosos; 31% acredita que todos eram.

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