CIÊNCIA

Após um investimento bilionário e 20 anos de construção, eis o Grande Museu Egípcio

Este sábado, vários chefes de Estado mundiais, incluindo Marcelo Rebelo de Sousa, reúnem-se no Cairo para a cerimónia de inauguração do Grande Museu Egípcio, que, após duas décadas de construção e um investimento financeiro equivalente a 1,2 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros)​, deseja posicionar-se, como escreve o jornal britânico The Guardian, como o maior sítio museológico do mundo “dedicado a uma única civilização”.É na próxima terça-feira, dia 4 de Novembro, que acontece a abertura total ao público, que poderá finalmente ficar a conhecer na sua plenitude um espaço que, de acordo com os números veiculados pelo diário inglês, dispõe de uma área total de 470 mil metros quadrados (o edifício principal ocupa cerca de 170 mil metros quadrados, enquanto o restante espaço é dedicado a jardins, praças, zonas comerciais e locais de acesso​) e terá em exposição cerca de 50 mil itens, pertencentes a um acervo com o dobro dessas peças.Desses cerca de 50 mil itens, “5398 objectos” correspondem à “colecção completa de Tutankhamon”, que será “exibida pela primeira vez em conjunto desde a descoberta do seu túmulo em 1922”, escreve a Embaixada do Egipto em Lisboa num comunicado citado pelo Diário de Notícias.“A colossal estátua de Ramsés II, com 83 toneladas, que dá as boas-vindas aos visitantes no átrio principal”, é outro dos artefactos principais, assim como o barco funerário do Faraó Quéops, a quem se atribui a construção da Grande Pirâmide de Gizé, os tesouros da rainha Heteferés I, “que agora se tornam pela primeira vez acessíveis ao público”. Muitas das obras foram restauradas no centro de conservação do museu, incluindo os três leitos funerários e as seis carruagens do jovem faraó Tutankhamon, que serão mostrados com o trono dourado, o sarcófago revestido a ouro e a sua emblemática máscara funerária.O centro de conservação e restauro do museu, o maior do Médio Oriente, está localizado a dez metros de profundidade e ocupa 12.300 metros quadrados, enquanto os depósitos, com mais de 3.400 metros quadrados, podem acolher até 50 mil peças. Projectado pelo gabinete irlandês de arquitectura Heneghan Peng, o museu ostenta uma fachada triangular de vidro, à semelhança das vizinhas pirâmides de Gizé.Muitos dos artefactos vieram do Museu Egípcio do Cairo, enquanto outros foram “recentemente desenterrados de antigos túmulos”, como a necrópole de Sacará, a sul do planalto de Gizé. O projecto do Grande Museu Egípcio foi anunciado em 1992, mas seria preciso esperar pouco mais de uma dúzia de anos até que, em 2005, se iniciassem os trabalhos de construção. Após uma sucessão de atrasos, o museu abriu ao público, em Outubro do ano passado, as portas de 12 das suas salas, numa espécie de pré-abertura que serviu para os responsáveis identificarem possíveis problemas operacionais.Ahmed Ghoneim, CEO do Grande Museu Egípcio, reforçou à imprensa que as salas da instituição estão equipadas com tecnologia de ponta e terão apresentações multimédia, cruzando imagem real e virtual, para explicar o Antigo Egipto às novas gerações. “Estamos a utilizar a linguagem que usa a Geração Z. A Geração Z ignora as legendas [museográficas] que nós, os mais velhos, lemos​”, disse, citado pela agência de notícias Associated Press.Hassan Allam, responsável da empresa de engenharia e construção Hassan Allam Holding, que gere o museu, referiu, por sua vez, que está à espera de receber 15.000 a 20.000 visitantes diários. As autoridades egípcias esperam que a aguardada abertura do museu ao grande público consiga, a curto prazo, fortalecer significativamente o Cairo no que concerne à sua capacidade de atracção turística. O turismo, recorde-se, desempenha um papel fundamental na economia do Egipto, “a segunda maior em África”, como escreve o The Guardian. O país recebeu 15,7 milhões de turistas no ano passado, assim batendo o número de 2023 (14,9 milhões de visitantes), que acabara de se constituir como um recorde nacional.O Grande Museu Egípcio espera receber cinco milhões de visitantes por ano. Os bilhetes custarão entre três e 26 euros, com os preços mais altos a aplicarem-se a estrangeiros adultos.​

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